Uma abertura e tanto

Às vezes é muito divertido ir ao cinema sem a menor ideia do que vai assistir. Resolvi ver o filme sem ter lido (ainda) o livro, visto a adaptação sueca de 2009 ou lido qualquer crítica ou comentário. E, mesmo concordando que dá pra fazer milhares de ’análises psicanalíticas’ e encontrar textos, subtextos e metáforas para um monte de coisas na história, Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (ainda gosto mais do título em inglês – The Girl with the Dragon Tattoo) é, antes de tudo, um desses filmes de mistério que conseguem prender a minha atenção do princípio ao fim. E ainda tem o Christopher Plummer, né gente, charmosésimo aos 82 anos. E uma abertura como há tempos eu não via na telona – a versão que Trent Raznor e Karen O. fizeram para Immigrant Song me fez relembrar por que essa música do Led Zeppelin me metia o maior medão quando eu era criança.
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Tato e sensibilidade

Crec

Fisioterapeuta na avaliação médica do Pilates:
- E você sente dor em algum lugar?
Eu:
- Fia, quando a gente emplaca os ‘enta’, dor costuma ser em todo o corpo. Varia só o lugar e a intensidade. Se sair da cama sem um ‘crec’ ou outro, cuidado, porque você pode estar morta e nem tá sabendo.

OK. Exagero é meu nome do meio nessas horas. Mas é impressionante como eu, que sempre me considerei uma pessoa razoavelmente ativa fisicamente (ginástica olímpica, balé, aeróbica, waterbike, natação, caminhadas), estou aos poucos redescobrindo músculos que considerava irremediavelmente perdidos ou em estado de permanente hibernação. A boa notícia é que a coordenação motora e postura já exibem sinais de sobrevida. A má notícia é que a flexibilidade parece ter ido parar em algum universo paralelo. Não ‘perquem’, mais informações a qualquer momento, em edição extraordinária.
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tweets

* Por um inconsciente coletivo público, gratuito e de qualidade  (@samarkito)
* Pensando em montar uma banda de axé com thrash metal e batizá-la de OLODOOM.  (@mrguavaman)
* Sexo, drogas e rock n’roll foi substituído por punheta, toddynho e restart.  (@bqeg)
* Devia haver uma espécia de recompensa pra quem acorda cedo pra ir pra academia. Ex:quem malha antes das 9 da manhã perde o dobro de calorias  (@vanifacts)
* Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, os parisienses me olhariam com ~nojinho~ se eu não soubesse francês.  (@mrguavaman)
* Google + é que nem cérebro: Muita gente tem mas quase ninguém usa.  (@paulovelho)
* A programação de chuvas em São Paulo terá nesse domingo sessões às 16h, 18h e 20h. A chuva das 16h será em 3D. A chuva das 20h, legendada.  (@riqfreire)
* Uma música do Michael Jackson que me deixa muito calmo é Rivothriller  (@bqeg)
* É tanto Deus te pague que em breve Meu nome estará no Serasa  (@oCriador)
* Em breve, Shakespeare com hashtags. “Hamlet” virá com #ALOKA depois das falas da Ofélia e #MORRI complementando “the rest is silence”.  (@mrguavaman)
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Os indicados da vez

Todo ano sai a lista e todo ano eu digo pra mim mesma: não vai dar tempo. Porque estamos a apenas um mês da cerimônia de entrega dos prêmios da Academia e ainda tem uma fila enorme de filmes esperando data pra estreia. Aí os cinemas começam a exibir tudo junto e haja tempo, dinheiro e boa memória (pra lembrar quem estava em qual filme e em qual papel) pra dar conta de uma programação tão intensa. Isso porque a maioria das distribuidoras costuma ignorar completamente algumas categorias que eu particularmente gosto – como documentários, curtas de animação e filmes em língua estrangeira – e só dá mesmo pra acompanhar a programação tradicional.

E tem sempre o chororô de praxe – comassim o Leo di Caprio não foi indicado por J. Edgar? tá brincando que Tintim não está na lista de melhor animação? – aquele suspense – será que vão dar uma estatueta pra Meryl Streep, que concorre todo ano e não ganha há tempos? – e a turma que acha que todo ano tinha que ter um filme brasileiro entre os indicados.

Com tanta coisa para entrar em cartaz, fica impossível comparar performances, só dá mesmo para as tradicionais torcidas. De minha parte, adoraria ver Meia Noite em Paris ganhando qualquer coisa. Também seria divertido um filme francês mudo e em preto-e-branco como O Artista levar a estatueta de melhor filme, mas tenho cá minhas dúvidas se a Academia topa fazer uma dessas, ainda mais com A Invenção de Hugo Cabret liderando a premiação com 11 indicações. George Clooney tem sempre a minha torcida mas achei o Gary Oldman fantástico como o mr. Smiley de O Espião que Sabia Demais, então dou empate técnico. E torço para que esse filme não leve o prêmio de melhor roteiro adaptado porque, olha, eu e meio mundo saímos do cinema sabendo de menos (ainda vou escrever sobre ele, mas ô roteirinho confuso, meodeols!)

Agora imaginem: Fernanda Montenegro não ganhou o Oscar, Walter Salles não ganhou o Oscar, Fernando Meirelles não ganhou o Oscar. E, no entanto, quem periga voltar de Los Angeles com seu homenzinho dourado é Carlinhos Brown (50% de chance, já que são apenas duas canções na disputa) pelo seu Real in Rio, em parceria com Sérgio Mendes. Acho o Brown chatiiiiiinho de doer, mas a música tem toda a minha torcida, porque é boa demais da conta. Já estou até esperando um mini-desfile da Mangueira abalando o Kodak Theater em chamas…
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Etta James

Olha, essa senhorinha sabia tudo sobre a arte e o ofício de cantar. Todo mundo fala de At Last, claro, mas acho que esta aqui ainda é a minha música favorita. O show é de 2005, ms James na flor de seus 68 anos.
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A imprensa já foi mais inteligente

O Carlos Nascimento começou o jornal de quinta-feira na TV reclamando que ‘nós já fomos mais inteligentes’, referindo-se ao auê em torno da volta de Luiza do Canadá e do suposto estupro na atual edição do BBB. Minha dúvida desde então é saber quem exatamente é esse ‘nós’ a que o moço se refere – ele quis dizer assim, um ‘nós’ mais geral, eu você e o sêo Zé das Couves ou o ‘nós’ = a imprensa da brasilândia? Porque, pelo menos na minha cabeça, isso faz uma diferença e tanto.

Eu, você e o sêo Zé das Couves nunca fomos em nada diferentes do que foram milhões de outros antes de nós. Duvido até que isso tenha qualquer coisa a ver com inteligência, essa coisinha mais difícil de definir. O que é diferente hoje é que a bobagem que faz sucesso lá em João Pessoa não fica mais restrita à Paraíba, basta um clique e num minuto já estamos sabendo e compartilhando mundão afora. Sinceramente, eu não vejo problema nenhum nisso. Mas o instinto de aproveitar a chance de espalhar uma tolice, ah! essa vem de muito tempo. Imagina só se em 1959 existisse a internet, quando o rinoceronte Cacareco recebeu 100 mil votos para vereador em São Paulo! E quem não se lembra do Macaco Tião, o chimpanzé que levou mais de 400 mil votos para prefeito do Rio? Foi o terceiro mais votado, e sem Twitter ou página no Facebook. Quando meu irmão estava no colégio, um grupo resolveu concorrer ao grêmio estudantil com a chapa Tradição, que pregava a volta de uniformes (jaqueta e gravata para eles, saia e meia três-quartos para elas), hasteamento diário da bandeira e castigo para os indisciplinados. No dia da eleição, tiveram que fazer a maior boca-de-urna pro pessoal não votar neles, porque a galera tinha aderido à brincadeira e o grupo estava em vias de ser eleito.

Preciso da ‘Luíza que está no Canadá’, porque bobagem também faz parte, e não dá pra ser intensa o tempo todo. Como preciso do Bruce Willis dando porrada no vilão, porque não posso embolachar a cara do chefe ou dar um sopapo no motorista idiota que abriu a janela de sua BMW último tipo para atirar lixo na rua - e aquele filme iraniano super bacana não vai resolver meu problema. Preciso da revista Caras, porque Fernando Pessoa não combina com espera no salão de beleza (e olha que eu adoro o Fernando, grande pessoa!). Preciso sentar no botequim com meus amigos e falar abobrinhas e rir e contar piada, porque nem sempre estou disposta a grandes discussões profundas e filosóficas.

Quanto ao estupro (se realmente houve ou não, acho secundário no momento), eu, você e sêo Zé das Couves temos mais é que falar sobre isso sim. Pro meu gosto, um programa como o Big Brother nem existiria – pra sorte dos apreciadores do gênero, minha opinião é absolutamente irrelevante nessa hora – mas discutir o assunto é extremamente relevante num país onde esse tipo de crime é muito mais comum do que se imagina. Pelo menos pra isso esse reality show serviria. De fútil e idiota esse assunto não tem nada.

Agora, se o Nascimento queria dizer que ‘nós’ são jornalistas, como ele, aí eu até sou obrigada a concordar. A imprensa realmente já foi mais inteligente. Já foi também mais investigativa, mais analítica, já fez mais perguntas. Hoje em dia ela só corre pra publicar primeiro a história que alguém postou no Twitter há dez minutos. No processo, acaba se esquecendo de checar os fatos (a moça dizia estar grávida de quadrigêmeas e ninguém se lembrou de ir lá perguntar pro médico dela como era isso) ou publica como verdadeiras as notícias escritas em sites de humor. Também exibe na primeira página notinhas de altíssima relevância (not!) e dá a maior corda para a sub-celebridade da vez. Mas conteúdo mesmo, que é bom, necas. O caso é que antigamente a TV ditava os bordões, mas o ‘Cala a boca, Magda!’ do programa da Globo é o ‘Cala a boca, Galvão!’ que virou trending topic no Twitter e foi parar até no New York Times. Luíza estava no Canadá e a piadinha já rolava há uns dois dias no Twitter – teria sido mais um dos milhares de sucessos instantâneos e passageiros da rede social, se a imprensa não tivesse decidido que aquilo ali era notícia. Os publicitários, mestres em criar os seus próprios bordões (‘Não é uma Brastemp…’), saíram correndo pra capitalizar em cima do sucesso do ‘menos Luiza, que está no Canadá’.

É isso então, a galera da internet agora virou criadora de conteúdo. Os jornalistas, colunistas, comentaristas e outros ‘istas’ bem que podiam aproveitar a deixa pra tentar explicar pra gente como uma menina de 17 anos de repente vira o assunto do momento sem fazer absolutamente nada – na verdade, ela nem estava no comercial que a levou ao estrelato momentâneo. Eles poderiam também aproveitar o ensejo e entrevistar juristas, médicos, psicólogos e quem mais fosse relevante para discutir abuso sexual, principalmente numa época em que a combinação balada-álcool-sexo é o novo ‘escurinho-do-cinema’. Mas não. O que a imprensa faz é só dar destaque ao fato, porque notícia atualmente não tem nada a ver com qualidade da informação, é só uma questão de ‘eu publiquei primeiro’. Realmente, muito inteligente isso. Como disse o pessoal do KibeLoco, o Carlos Nascimento abriu o telejornal com a crítica e deve ter terminado a edição dizendo ‘Fiquem agora com o Programa do Ratinho’. Olha, me desculpe aí o mau jeito, Carlos, mas eu ainda sou muito mais as bobagens da internet.
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Mais rápido – não necessariamente o mais esperto

Menos o Sarney, que está no Canadá

A essa altura todo mundo sabe que a Luiza estava no Canadá, mas já voltou pra capitalizar em cima dos tradicionais 15 minutos de fama, porque é claro que nessas horas ninguém é bobo nem nada. Certíssima ela. Mas o que pouca gente sabe – e o Estadão divulgou – é que muito antes da adolescente paraibana, num distante maio de 1996 ele, José Sarney, também andou perdendo compromisso por estar no Canadá. Se o Efebêí ficar sabendo dessa coincidência, pode acabar ‘apreendendo’ a moça por cópia indevida?
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Querida NET

Obrigada por me deixar na mão ‘a nível’ de conexão boa parte do meu dia de hoje. Não pude fazer uma porção de coisas aqui no mundo virtual mas, olha, nem te conto a montanha de pendências que eu consegui resolver porque não estava online. É o que eu digo, é importante ter sempre um plano B…
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A história de Michael Jackson – resumida

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daqui

Baixando o sarrafo

Até o ano passado, pra mim, MMA poderia ser traduzido como Ministério do Meio Ambiente e UFC como Universidade Federal do Ceará. Claro, já tinha ouvido falar da família Gracie e das lutas de vale-tudo (só não vale dançar homem com homem nem mulher com mulher, diria o síndico Tim Maia), mas era tudo assim bem en passant mesmo, algo tão relevante e próximo da minha existência cotidiana quanto debêntures conversíveis ou a escalação do Atlético no Brasileirão. E eu sempre tive aquela dificuldade enorme de perceber lutas como esporte, porque na minha cabeça esporte é saúde e bem estar, e olho roxo, costelas quebradas e supercílios abertos nunca se encaixaram muito bem nessa equação.

Mas eis que tudo isso mudou um pouco com a chegada de um aluno personal killer trainer que leva essas lutas super a sério. Rapidinho eu fui apresentada às diferentes categorias, quem tem que pesar quanto, os tipos de golpes, quem é quem no mercado mundial da porrada, aprendi sobre dietas, shakes, vitaminas e suplementos. Ele ia me passando as informações em português, eu corria atrás dos nomes em inglês. Se não fosse por esse aluno, eu provavelmente teria chegado em casa no sábado de madrugada e ido direto pra minha caminha, mas ao invés disso resolvi ligar a tv para dar uma espiada na(s) luta(s) que estava(m) acontecendo no Rio, pra colocar em prática meus recentes conhecimentos.

Pois ainda não entendi qual a graça que o pessoal vê nesse quebra-pau, mas imagino que deve ter, né, a julgar pelo entusiasmo incontido do público. Eu acho que seria mais emocionante transformar a arena num verdadeiro Coliseu e soltar logo uma meia dúzia de leões esfomeados no octógono pra ver o que acontece. Cheguei a tempo de assistir ao card principal, mas acabei sendo nocauteada pelo sono logo após o confronto entre Belfort e sei-lá-como-chama-o-outro-moço. Como não me lembrava mais dos nomes, fiz o que todo torcedor engajado faz e torci pelo Brasil-sil-sil, principalmente por um baixinho de Dores do Indaiá que desceu a mão e os pés num grandalhão internacional. Gente, sair do interiorzão de Minas pra dar uma chave de perna caprichada no adversário eu achei tudo de bom.

Mas é tudo muito rápido, né, aquela coisa meio catártica que faz o sujeito continuar socando o outro caboclo enquanto espreme seu pescoço e quase quebra a perna dele em três lugares. Menos de cinco minutos de sangue, suor e lágrimas e estamos conversados, cada um pro seu canto. E os ingressos pra ver tudo isso in loco (mais pelo telão do que a olho nu), me disseram, custam uma pequena fortuna. Sei lá, uma dessas não me pega uma segunda vez não.

(falando nisso – quer dizer, mais ou menos nisso – o grande Muhammad Ali, aquele que ‘flutua como uma borboleta mas pica como uma abelha’, sopra hoje 70 velinhas. Sempre achei boxe o fim da dinastia, mas um cara que disse, entre outras coisas, ”Não tenho nada contra nenhum Vietcongue. Nenhum vietnamita jamais me chamou de “crioulo”” e bateu o pé e não foi pra guerra merece a minha mais profunda e sincera admiração)
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