2012: já vi esse filme antes…

26 11 2009

Filmes-catástrofe costumam ser mais ou menos como as novelas do Manoel Carlos: você viu um, viu todos. Se a história for sobre o fim do mundo, então, dá pra antecipar tranquilamente todos aqueles clichês manjadíssimos, como o mocinho ‘loser’ na vida particular, mas que salva a pele de todos nos 45 do segundo tempo (e a gente sabe que é o último segundo porque sempre tem aquela voz feminina em off dizendo ‘dez segundos para a explosão/ impacto/ destruição final); tem também o político antiético, o vilão malvado e e fura-olho e sua namorada loura e ingênua, o presidente capaz de atitudes heróicas e altruístas, o namorado da ex-mulher do mocinho, que obviamente tem que sair da equação pros dois terminarem juntos, e por aí vai. Tem ainda roteiro com mais furos do que um bom queijo suíço, diálogos absolutamente idiotas e aproximadamente 436 efeitos especiais por fotograma quadrado.

E, mesmo sabendo disso tudo, topei encarar o 2012 numa über escaldante noite de novembro, quando qualquer programa que significasse ficar duas horas e meia no ar condicionado parecia uma ótima ideia. Foi menos traumático do que eu esperava, viu, foi só deixar todo e qualquer vestígio de racionalidade e capacidade analítica do lado de fora do cinema e vambora. O problema é que nem assim o filme dá muito certo. Ainda bem que o diretor Roland Emmerich prometeu que essa seria sua última investida no gênero. Os céus dizem amém, ‘dois mil e doze’ ficou com cara de  ’dois mil é dose’.

A vantagem, se você é como eu e não tem muita paciência pra esses filmes apocalípticos, é que a gente assiste a vários filmes pelo preço de um. Pense em terremotos que destroem as ruas como os alienígenas de A Guerra dos Mundos, mega tsunamis como em O Dia Depois de Amanhã, navios virando como em Titanic e Poseidon, a Casa Branca indo pelos ares como em Independence Day; está tudo lá, e o diretor nem faz questão de disfarçar o déjà vu. Por um breve momento a gente tem uma recaída e tenta questionar alguma coisa que realmente dói (que raio de telefone celular é esse que um sujeito fala com qualidade dolby estéreo da esquina de um tsunami na Índia com o colega em uma arca pós-moderna à prova de rigorosamente tudo? Um casaquinho pro inverno novaiorquino é suficiente pra agüentar o frio do Himalaia?), mas aí a sua voz interior te traz pra realidade (“relaxa, Mônica, a única coisa que faz sentido aqui é que o ar condicionado está ótimo e a promoção da TIM te deu duas entradas pelo preço de uma…”) e você segue em frente.

No final das contas, claro, a gente sabe que sempre tem o happy end. Mas, pra chegar nele, você vai ter que agüentar a dentadura nova do Danny Glover, que fazzz com que todosss osss esssesss sssaiam sssibilantes demaisss, os russos que conversam entre si em inglês e não em russo, os efeitos especiais, que são muitos e ótimos, só que a gente já viu tudo aquilo em pelo menos militrocentos outros filmes, e aquelas falas edificantes sobre ética e o ser humano, que é pra depois os atores poderem dizer nas entrevistas que o filme tem uma mensagem super importante e atual.

O filme meio que diverte, se você for do tipo que ri de um trem do metrô voando sobre o avião em fuga. É uma bobajada sem fim, bem baldão de pipoca mesmo, embora eu imagine que a turma das profecias já deva estar procurando terreno pra comprar no Cabo da Boa Esperança. Eu fiquei um pouco decepcionada. Se a ideia de construir aquelas mega arcas pós-tudo era de levar gente pra perpetuar a espécie, eu teria deixado o chato do John Cusack assando em Yellowstone e levado Sasha (Johann Urb), o piloto russo super gato. Pelo menos dava um upgrade nas próximas gerações…





Quando a saúde está doente

24 11 2009

A história da Ana não deve ser muito diferente de tantas outras histórias de pacientes de todas as partes do país. Gente que, como ela, paga um plano de saúde particular porque sabe muito bem que é complicado depender unicamente do sistema de saúde pública. Gente que num dia sai de casa para fazer exames de rotina e no outro está sofrendo os efeitos colaterais da quimioterapia, náuseas, infecções, queda de cabelo. Gente que se agarra à vida com todas as forças e topa passar por todos os tratamentos, porque a vontade de seguir em frente é maior do que tudo.

Infelizmente, como também acontece com bem mais frequência do que deveria, às vezes alguém da administração do plano de saúde joga um balde de água fria em tudo. Segundo a Ana, o pessoal da Unimed/Londrina, contrariando a orientação da sua médica oncologista, acha que ela não precisa de um novo tratamento quimioterápico e negou a cobertura.

Você já deve ter ouvido histórias parecidas com a da Ana. Acontece com muita gente por aí mas, é claro, quando acontece com alguém que você conhece, tudo ganha uma dimensão diferente. É aquela proximidade que te faz pensar que podia ser com você, que também é mulher, também faz exames periódicos de rotina, também tem seguro de saúde particular, também tem milhões de planos para o presente, zilhões para o futuro.

Não sei qual a justificativa da Unimed para negar a cobertura do tratamento. Pra ser sincera, não quero saber. Só consigo pensar que estou falando de uma das pessoas mais ‘pra cima’ e generosas que eu conheço, alguém que está sempre pronta para ajudar e incentivar os colegas, que não hesita em compartilhar tudo o que sabe e ainda tem muita estrada para percorrer. Alguém que, como tanta gente na mesma situação neste país, deveria estar guardando forças para enfrentar sua própria guerra, e não ficar brigando para ter o direito inquestionável à saúde.

Depois de receber a notícia da Unimed, Ana deixou seu desabafo neste vídeo.





Pra começar a semana

23 11 2009

“I’m my own walkman”, cantou uma vez Bobby McFerrin, e oi? hoje acordei estranhamente sertaneja, com  Nuvem de Lágrimas martelando na minha cabeça. Algumas dessas músicas são de um drama digno dos melhores tangos e boleros. Acho o máximo aquela coisa superlativa de amores desesperados, vou cortar meus pulsos com lixa de unha, vou me jogar debaixo do caminhão, vou me atirar da ponte, é tanto sofrimento que quase chega a ser engraçado. Talvez seja porque eu não dou muito conta desses arroubos de extremos emocionais.

Indo pro trabalho às 6.45 da manhã, já que não ganhei a MegaSena no sábado… e o termômetro na rua registra 20 graus. Só pra lembrar, estamos no horário de verão, né? Quer dizer, na ‘vida real’ eram 5.45. E já estava esse forno. Minterna.

Na frente da escola, perto do horário de entrada das crianças do turno da manhã, um carro dá uma encostadinha de nada no parachoque do da frente, igualmente novinho e importado. Na pista da esquerda. Os motoristas saem do carro, ficam com aquela cara de ‘e agora, José?’, vai fazendo aquela fila enorme atrás, carros desviando pra direita, e em dois minutos temos um belo engarrafamento com potencial de primeira para irritar o cidadão logo cedo. Vou fazer como o Manuel, vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amiga do rei (mas dispenso a Joana…).

Deve ser o calor comprometendo meus neurônios. Vi a manchete na Folha: ‘Pediatras do Einstein ensinam a cuidar dos filhos da maternidade à adolescência’. Susto – os pediatras do Einstein ainda estão vivos??? Caracas, Mônica, pensa um pouco, Einstein é o hospital… Realmente, é tudo muito relativo.





O Peru e o peru

22 11 2009

turkeyEm tempo de Dia de Ação de Graças nas terras do sr. Barack (este ano é dia 26), é sempre bom lembrar: em português, tem peru, Peru e tem Turquia. E Turquia, em inglês, é Turkey. E, com letra minúscula, turkey é peru. Mas o Peru é Peru mesmo. Fala sério, essas coisas devem existir só pra sacanear a cabeça dos alunos…





E onde fica a liberdade de criação?

21 11 2009

 Monty Python. Absolutamente brilhante, como sempre.





Tá sabendo?

20 11 2009

- Fernanda Young está arrependida de ter posado nua na Playboy. Fica triste não, ô Fernanda; aposto que deve ter gente por aí muito mais arrependida de ter comprado a revista. Pelo menos você ganhou dinheiro em vez de gastar.

- Sessão da Tarde em luto: morreu Herbert Richers. Aê, moçada, boralá aprender inglês rapidinho, acabou a moleza de assistir filme dublado…

- São Paulo abre 900 vagas para telemarketing: você acha que seu telefone tem tocado pouco? Seus problemas acabaram! A partir de agora, você vai estar recebendo muito mais ligações.

- Neologismo: o verbo ‘unfriend’ (deletar alguém da lista de amigos nas redes sociais da internet) foi escolhida a palavra do ano pelo Oxford Dictionary. Facebook também é cultura…

- Fracos de feição: britânicos estão entre os mais feios do mundo, segundo um site de relacionamentos que só aceita beldades. O cerumano não pára de me causar espanto e incredulidade. Olha, até hoje só vi unanimidade de cavalheiros de fina estampa entre os carabinieri italianos. Mas desconfio que o uniforme Armani tem algo a ver com isso.

- Feiúra fail: Johnny Depp bem que tenta. Deixa o cabelo comprido e ensebado, usa roupas amarrotadas, jeans surrados, capricha naquela cara de tédio ’ah, neeeem…’, faz filmes dirigidos pelo Tim Burton com personagens esquisitões, mas dessa vez não teve jeito. Foi eleito o homem mais sexy do mundo pela segunda vez pela revista People. Tem gente que precisa apelar pro Photoshop pra dar um upgrade na belezura. Depp faz o maior esforço pra ficar feio e não consegue. Vida injusta essa, né Johnny?

Viu? 6 novos temas pra você desenvolver na mesa do boteco ou naquela festa, se faltar assunto. De nada.





Como eu vim parar aqui?

19 11 2009

a pitonisa foi ali no Google e já volta

Como é que algumas pessoas vêm parar aqui neste bloguinho? Bom, por exemplo, escrevendo coisas assim na busca do Google…  

- filme dos mfilme das criaturas bunitinha:  WTF???
- técnicas de suspender uma vaca com a perna: jura que existe técnica pra uma coisa dessas?
- sophie lauren: deve ser parente do Ralph Lauren…
- dando para o vizinho: ô peninha, estavam procurando um manual de instruções aqui?
- walter: Walter, responde aí, tem alguém te procurando aqui!
- copo de cerveja com água dentro: não seria então um copo d’água?
- cerveja cauza canssaço: pior ainda, causa pobremas com a ortografia…

Olha, acho que nem se aquela pitonisa do Oráculo de Delfos fumasse um dos bons, ela conseguiria desvendar esses mistérios!





Cordel da Uniban

18 11 2009

Uma burca para Geisy

por Miguezim da Princesa

I

Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu. 

II

Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
“Arrocha a tampa, gostosa!”

III

Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado! 

IV

Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada. 

V

Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: “oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!”

 VI

A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

 VII

Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

 VIII

O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

 IX

E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

 X

Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.

XI   (PS feito pelo Romacof nos comentários…)

Mas tudo, enfim, tem um final feliz!
A Uniban voltou atrás, e à turba crente acusa.
Geisy foi convidada para mostrar os pernis!
De expulsa agora é atriz e pode escolher o que usa.
Posará na Playboy e o cachê ninguém diz!
Pois, nas vacas magras, promoção não se recusa!

(valeu, Va, murridirri!!!)





O moço bravo e a lista

18 11 2009

O moço ficou meio bravo comigo e disse que muito provavelmente eu simpatizava mesmo era com a direita, com a ‘zelite’, com os ‘imperialistas’ do lado de lá da linha do Equador, pra estar fazendo todas aquelas críticas e piadinhas. Na hora me deu uma vontade muito grande de cair na gargalhada mas eu preferi ficar quieta, o moço nem nunca tinha me visto ou conversado comigo, né?, só dei um sorriso e expliquei pra ele que não, não era nada daquilo, eu já falava aquelas coisas do Luis Inácio há quase oito anos, antes disso tinha sido com o Fernando Henrique pelos mesmos oito, teve também o José Ribamar… Eu só tinha tido medo mesmo dos olhos esbugalhados do outro Fernando, com ele eu não arriscava nadinha, só de pensar no que aquela senhora tinha me dito uma vez, “já atendi pessoas assim no meu consultório”.

E eu achava legal o presidente estar na lista dos mais poderosos do Universo, mas o que o Barack estava fazendo lá no topo, se ‘o cara’ era o Luis Inácio? Até o Bill, que nem era mais um commander-in-chief, estava na frente… E o Hugo então, mala daquele tanto e mesmo assim aparecendo na lanterna? Claro, eu estava satisfeita também, em geral a gente só entrava nas listas negras, nas listas do ‘nem pensar!’; agora não, agora finalmente a gente entrava numa lista bacana, mas não carecia desse oba-oba todo, afinal era só mais uma lista, e feita por aqueles mesmos ‘imperialistas da direita’ da revista, diga-se de passagem, não sei porque ele prestava tanta atenção naquilo. Cada um podia puxar a brasa pra sua sardinha, olha lá a Angela Merkel e a Hillary Clinton no primeiro pelotão para alegria das mulheres, o Sergey Brin e o Larry Page em quinto (você consegue imaginar um mundo sem Google?), a Oprah, mulher, negra, ex-pobre e em eterna briga com a balança, mas entrando em mais uma lista de ricos e poderosos, se ela diz ‘eu uso’, todo mundo lá usa também, se ela sugere ‘compre’, todo mundo vai e compra, e aquele tradicional desfile de CEOs pra mostrar que a crise pode até ser punk, mas o mundo corporativo ainda está aí, vivinho da silva.

Não sei de onde o moço tirou que a gente não deve criticar e rir das bobagens alheias, venham elas de um metalúrgico de São Bernardo, de um sociólogo ‘da Sorbonne’ ou de um (ahaamm…) imortal da Academia Brasileira de Letras (pensamento sombrio: nós nunca vamos ficar livres dele, ele é i-mor-tal…). Eu disse pro moço que não era uma questão de ideologia, caso contrário eu só falaria de um e elogiaria os outros, e ali tinha pra todo mundo. O moço não parece ter acreditado muito não, mas é que é novembro e em novembro eu sinceramente não tenho paciência pra convencer ninguém de nada. Deixei o moço de lado, curtindo sua braveza, e fui conversar com outro, oras.





A resposta para a vida

17 11 2009

Schroeder and Lucy

- Eu estou procurando a resposta para a vida, Schröeder. O que você acha que é a resposta?
- BEETHOVEN!!! BEETHOVEN, CLARO E SIMPLES!! ENTENDEU?
- Putz!…

E eu aqui, achando que a resposta correta era 42!
(Quando vejo o Shcröeder nas tirinhas, eu sempre imagino que ele está tocando o terceiro movimento da Sonata ao Luar.)





Não é esse, é o outro

16 11 2009

Coisas do futebol… O jornal Metro aparentemente errou de Ronaldo. Foi falar da seleção portuguesa sem o Cristiano Ronaldo e acabou publicando a foto de capa com o Ronaldo, de camisa do Corinthians e tudo o mais. Gente, eu fico tão feliz quando umas coisas assim acontecem, você nem têm ideia. Porque eu sou zero em termos de futebol, não estou nem aí pra futebol, por mim podiam transformar o Mineirão nas quadras de Wimbledon. Mas na minha santa ignorância ludopédica, eu jamais conseguiria confundir os dois Ronaldos… A dica veio do Blue Bus, que eu peguei lá na Letícia.





Bom aluno, mau aluno

15 11 2009

E porque estamos nos aproximando do final do ano letivo…

A diferença entre o bom e o mau aluno, explicou uma professora amiga minha há muitos anos, é que o bom aluno esquece a matéria depois da prova. O mau aluno esquece antes.