Véi…

… e suas inúmeras possibilidades semânticas.

tweets

* Reforma ortográfica: Agora os pronomes se classificam em possessivos, ciumentos, inseguros, desequilibrados e barraqueiros” (@salazarius)
* Sabe qdo vc tem dinheiro e não sabe onde gastar? Pois é, eu tb não.  (@bqeg)
* Tenho uma amiga que deixou suas fotos íntimas no computador que foi para o conserto. Voltou com as fotos e o Photoshop instalado. (@tiodino)
* Recebi um release sobre a “Síndrome Alimentar Noturna (SAN)”. Tucanaram o assalto à geladeira.  (@sorryperiferia)
* how many sapos must a man engolir before you can call him a man.  (@Eddiemasses)
* E se Jesus voltou na forma de um príncipe nigeriano que pede ajuda à humanidade enviando e-mails?  (@inagaki)
* correio deselegante ~> você manda uma bebida pra mesa da pessoa pretendida e recomenda ao garçom: “jogue na cara dela, por favor” (@peterpao) 
* sempre confundo burle marx com baden powell. nunca sei quem é violonista fundador dos escoteiros e quem é paisagista inventor do comunismo  (@choracuica)
* Dilma manda o Banco Central trocar o “Deus seja louvado” das cédulas de Real por “Bom para ___/___/___  (@ikegalli)
* Designer só ouve Corel do Fogo Encantado e Photo Shop Boys.  (@bqeg)

A última dança

Donna Summer, by Joey Vega (copyright)

Minha adolescência e a disco music apareceram mais ou menos na mesma época lá em casa, e o fato de hoje eu estar aqui, vivinha, contando tudo isso pra vocês dá uma boa ideia da infinita paciência e compreensão dos meus pais. Não deve ter sido fácil. Não fui aborrecente-problema – até porque lá em casa não tinha muito clima pra isso, com pai e mãe bem mais tranquilos do que a média da época – mas segui direitinho a cartilha fashion das divas de então e, dentro do que era permitido a uma garota de 13 anos usar, meu guarda-roupa tinha brilho e glamour pra fazer brilhar meu quarto no escuro. Tive a minha cota de meias de lurex calçadas com sandálias de salto alto, saias longas rodadas, calças baggy com suspensórios e, eventualmente, madeixas frisadas artificialmente à custa de trancinhas e secador de cabelo, porque permanente no salão minha mãe não deixava fazer de jeito nenhum – e por isso lhe sou eternamente grata. Assistia à novela Dancin’ Days menos pela história e mais para ficar por dentro dos modelitos da Sônia Braga e da Glória Pires (na época, adolescente que nem que eu), sabia de cor as coreografias do filme Os Embalos de Sábado à Noite e colecionava os LPs (vixe!) lançados pelas discotecas mais badaladas do país. Os anos 80 podem ter sido medonhos, mas desconfio que, de certa maneira, parte da preparação começou com a gente, nos últimos anos da década de 70.

Então vocês podem imaginar como fiquei ar-ra-sa-da quando me contaram da morte da Donna Summer. Porque, gente, ms Summer foi A cara da disco music e, portanto, a cara da minha adolescência. Sim, teve quem torcesse o nariz para sua versão saltitante de MacArthur Park, quem se escandalizasse com seus gemidos e sussurros em Love to Love You Baby, mas na pista de dança a moça reinava absoluta. Bons tempos em que as cantoras não eram turbinadas por peitos de silicone e nem alisadas pela escova progressiva. Nem tudo era perfeito, claro, de quando em vez surgia uma branquela esganiçada como a Tina Charles, fazer o quê, mas ainda assim existia uma batida black do r&b, soul e Motown que era irresistível.

Com a memória seletiva com a qual grazadeus todos nós fomos brindados de fábrica pelo Criador, é possível nos apegarmos somente a grandes exemplos musicais como Donna Summer e convenientemente nos esquecermos de, bem… muita gente que, sabe-se lá como, fez o maior sucesso naquela época. Summer fez a trilha sonora das festinhas de sábado à noite lá em casa (num combo de móveis empilhados num canto da sala pra abrir espaço pra pista de dança, luzes coloridas e som no talo) e das matinês de domingo na discoteca. A última dança acabou saindo mais cedo do que eu gostaria, mas as lembranças de um tempo que foi danado de bom estão aí, inteiras, para ‘forget about the bad times, remember all the good times’.

Contratempos geográficos

Uma vez alguém me disse que estava pensando em passar a lua-de-mel nas Ilhas Malvinas. Achei aquela uma escolha no mínimo muito esquisita mas, né, tem gosto pra tudo nesse mundo de modêus, vai que a pessoa em questão tinha algum passado familiar que a levasse de volta àquele monte de nada na esquina da Antártida? Vai saber. Pedi mais detalhes, e a pessoa foi falando entusiasmada da incrível beleza do lugar, as praias maravilhosas, o mar muito azul, o clima perfeito, tudo assim, tão romântico… E aí ficou óbvio que o destino paradisíaco eram as Ilhas Maldivas. Eu avisei pra pessoa e tal, mas fiquei pensando quanto tempo duraria essa lua-de-mel (ou um casamento inteiro) quando o casal de pombinhos desembarcasse no meio daquele frio.

Daí que, se dois errando a geografia já é uma coisa, imagina uma turma inteira! Outro dia 400 (sim, 400!) valorosos torcedores do Atlético de Bilbao deixaram sua Espanha para prestigiar seu time na final de não sei qual campeonato. Embarcaram felizes, ingressos na mão e tudo o mais, e desembarcaram no maior entusiasmo em Budapeste, na Hungria. Ops. O jogo era em Bucareste, capital da Romênia. E o time deles ainda perdeu, fiquei sabendo depois. Como é que nenhum dos 400 percebeu o erro de 800km a tempo? Que coisa prodigiosa o poder do grupo.

Curtinhas

* Uma coisa que me diverte imensamente (tá, às vezes me irrita bastante também), mas que não há jeito de entrar na minha cabeça, é essa rivalidade ridícula entre torcedores de times de futebol. Menos de 48 horas depois de terminado um campeonato eu ainda ‘leio’ atleticanos e cruzeirenses batendo boca pela internêta afora, uns querendo jogar na cara dos outros as suas glórias passadas, ao mesmo tempo em que tentam diminuir as conquistas do adversário. Tudo isso com o providencial esquecimento de duas coisinhas: uma, que os dois times estão numa pindaíba de dar gosto, não sei que tanto de belezura é essa que o povo encontra pra elogiar; e outra, que o jogo de domingo nem foi de um contra o outro; o derrotado em questão, que levou de três, nem aparece nas conversas. Torcedor, esse cerumano eternamente bocó.

* Pode até ser que as salas de cinema não desapareçam mesmo (já não faz tempo que andam anunciando isso e nada até o momento?), mesmo com alguns seres dando o seu melhor para infernizar a nossa vida na hora de assistir a um filme. Ou que essa história de tudo obedecer a um comando de voz ainda vá demorar um bom tempo. Mas é sempre divertido ver as tentativas de se prever quais tecnologias terão ou não sumido do mapa daqui a alguns anos.

* Tinha gente ali na plateia com cara de quem estava esperando desde Woodstock, e o combo cabeleca-tatuagem-jeans-surrado mostrava bem isso. Mas ao apagar das luzes exatamente às 22.05, apenas cinco minutinhos após o horário marcado, ninguém nem se importou com esse ‘atraso’ de 43 anos. David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash, simpaticíssimos senhorinhos na casa de seus setenta, tiveram fôlego e disposição de sobra pra duas horas e meia de show de qualidade irretocável. Sem conversa fiada entre músicas, sem a parafernália de cenários, luzes e telões, sem perder tempo afinando instrumentos (o ‘arsenal’ de violões e guitarras era impressionante), só aquele repertório que todo mundo conhecia há anos e queria pra cantar junto. Tem um bocado de mega artista por aí que bem que podia aprender uma coisinha ou outra sobre profissionalismo e respeito ao público assistindo a shows assim.

* A brasileira Isabel Pesce tem um currículo impressionante para alguém com apenas 24 anos. Além de ser formada pelo MIT em engenharia elétrica, ciências da computação, administração, economia e matemática, a moça já trabalhou na Microsoft e Google, entre outras empresas. Ela agora lança A Menina do Vale, um livro sobre empreendedorismo, que pode ser baixado gratuitamente aqui. E em breve a moça vai se apresentar no TED Global.

* A FIFA ali, descabelando porque tá tudo atrasado na brasilândia para a Copa de 2014 (e nem vamos falar que tem Copa das Confederações no ano que vem, né, detalhezinho à toa) e o Luiz Inácio dizendo por aí que o grande problema da gente é a seleção. Em outras circunstâncias daria até pra gente rir de uma declaração sem-noção dessas mas, atualmente, rir só se for de nervoso mesmo.

* Um ‘aponta estudo’ super em boa hora, agora que está começando o inverno e bate aquela vontade doida de ficar em casa hibernando debaixo das cobertas: dormir te ajuda a ficar magrinho!

* Há pouco tempo foi o Tupak aparecendo em holograma em um show nos Istêitis. Já estão pensando em ‘ressucitar’ o Michael Jackson virtualmente. A bola da vez é o Freddie Mercury. Se eu fosse o pessoal, não mexia com isso não. Nada contra trazer grandes músicos de volta do Além, mas vai que a moda pega e resolvem fazer o mesmo com, por exemplo, o Antônio Carlos Magalhães? Certas coisas deveriam ficar como estão…

* É muita desorganização, viu, vou te contar. A gente não pode nem confiar mais num evento de porte como o Fim do Mundo, que desorganização, que amadorismo.

Maria

Maria, 2 anos, expandindo seu vocabulário com uma ajudazinha do tio:

tio: isso é um balão
Maria: balão
tio: isso é apito
Maria: apito
tio: isso é um helicóptero
Maria: tá!

A diferença entre mãe e pai

Meninas de Sinhá

Conheci as Meninas de Sinhá há vários anos, numa apresentação durante uma feira de artesanato e cultura aqui nas montanhas. E me apaixonei. Me encantei com o sorriso largo dessas senhourinhas lindas, as cantigas de roda que eu às vezes ouvia minha avó cantar, as danças e brincadeiras de rua que hoje pouca criança conhece – porque criança de hoje dança funk, vai ao xópincenter e joga videogame. A história delas eu até poderia contar, mas muito melhor que eu é ouvir a Valdete (gente, e como a Valdete fala bonito!) falando sobre como ela começou o grupo, uma simplicidade e sabedoria que, francamente, andam meio raras por aí, mas que grazadeus a gente ainda encontra de quando em vez, pra nos dar aquele soprinho de esperança e achar que, quem sabe, o cerumano até tem jeito sim. Elas já ganharam prêmios, viajaram por aí, gravaram CD e tudo, e continuam com essa alegria toda, uma alegria que as circunstâncias de suas vidas poderiam tranquilamente ter-lhes roubado. E as Meninas vão estar amanhã no TEDx-Belo Horizonte, e quem aparecer por lá certamente também vai se emocionar com a beleza e a importância enorme do trabalho dessas senhorinhas maravilhosas.
***

Questão de liberdade

“Dizer que a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro é muito bonito. Mas e se a liberdade for mal distribuída e o meu vizinho tem um latifúndio de liberdade enquanto a minha é um quintal de liberdade, liberdade mesmo que tadinha? Não é feio sugerir um reestudo da divisão.” 

(Liberdades, por Luis Fernando Veríssimo)

Radical

Clique primeiro, pense depois

Acontece o tempo todo. Eu mesmo já saí pedindo pra um monte de gente para eles pararem de ficar alimentando gremlins e multiplicando notícias falsas, mas tudo indica que a vontade de exercer sua estupefação ganha de dez a zero da predisposição em exibir um mínimo de bom senso. Pelo que tenho visto por aí, a rapidez com que o impulso cerebral chega à ponta do dedo indicador (e, claro, ao clique do mouse) é infinitamente maior do que a velocidade de processamento da informação, por mais estapafúrdia que a história possa parecer. Não adianta a gente argumentar que não, Mark Zuckerberg não está bravo com os usuários brasileiros e a ‘orkutização do Facebook’, e que na verdade ele deve estar pouco se lixando para isso, desde que as pessoas continuem a curtir e compartilhar para aumentar o tráfego virtual (e o fluxo de dólares para sua conta bancária). A gente pode mandar o link que mostra que aquela história do casal que resolveu batizar o filho com o nome de Facebookson foi só uma brincadeira do Sensacionalista, pode alertar mil vezes que o Serasa e a Receita Federal não te enviam e-mails dizendo que você está em apuros com o fisco, a Microsoft não está salvando criancinhas com câncer se você reenviar um email (cada email = 1 centavo de dólar), você realmente não tem nenhum parente distante que morreu num acidente de carro ou avião na Nigéria e te deixou uma herança caprichada, o governo não acabou com o 13o salário, o Bradesco não te mandou nenhuma notificação (pensa com carinho, você nem tem conta lá!), esse link para as fotos do churrasco é uma cilada, você não vai a churrasco algum já faz bem tempo. Mas se o assunto aguça a curiosidade ou pode gerar uma polêmica daquelas, muita gente prefere espalhar o boato antes e só depois parar pra pensar se aquilo ali faz algum sentido. Até o nobre deputado caiu no conto da notícia falsa e, mesmo se desculpando pouco depois pelo mico (será que esse senhorinho não tem um único assessor disponível para conferir a veracidade das informações?), sua ‘indignação’ foi perpetuada pelas brincadeiras dos internautas que, obviamente, jamais deixariam a bola quicando na área sem chutar pro gol. E eu imagino que a situação deva ficar mais complicada daqui pra frente, porque o negócio hoje em dia é ser o primeiro a divulgar a história. Depois, se for o caso, e com sorte, alguém um pouco mais desconfiado vai levantar a lebre. Até isso acontecer, a gente vai ter mesmo que aguentar a enxurrada de bobagens..

tweets

* Lembrando que na declaração do imposto de renda você não deve colocar como dependente “da internet”. (@tiodino)
* idéia para carteirada: “você sabe com quem você está falando? EU SOU A FILHA DA CHIQUITA BACANA”  (@choracuica)
* poucos sabem mas Chacrinha escolheu esse nome artístico devido a sua extrema espiritualidade (Pequeno Chakra)  (@jowacko)
* Nem compensa escrever “O Congresso Nacional jamais esteve tão desmoralizado como agora” porque amanhã você descobre que está desatualizado. (@aomirante)
* usinas de energia movidas a rodinha de hamsters. porque é que ninguém nunca pensou nisso?  (@choracuica)
* quem descobriu o Brasil, faça o favor de cobrir de novo porque eu tô com frio  (@futoms)
* “A vitória da esquerda na França é um grande passo para que a Carla Bruni seja socializada”, analisa Ted Boy Adorno. (@escoladefuckfurt)
* O que eu mais gosto na Virada Cultural é que é grátis: você não paga nada pra não ir.  (@bomdiaporque)
* Ferrari de Thor é apreendida e ele promete chamar o resto dos Vingadores para ajudá-lo. (@paulovelho)
* vocês homens reclamam que mulher não toma a iniciativa mas eu conheci bem poucos homens que tomam a iniciativa de lavar uma louça sem pedir  (@choracuica)

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