
A gente vê as fotos e aí entende o nome do lugar. Bora? Bora!

A gente vê as fotos e aí entende o nome do lugar. Bora? Bora!
O lembrete chegou inda agorinha mesmo, via Twitter: gente, hoje é dia do operador de telemarketing! Prezado leitor, eis aí, de bandeja a sua grande chance. Você conhece algum operador de telemarketing? Talvez um deles ainda te ligue hoje (porque essa turma parece que não tem vida, né, te ligam até no sábado de noite, quando você está pronta pra sair). Dê sua contribuição: encha o saco de um operador de telemarketing agora mesmo. Leve-o à loucura, faça com que se descabele, tenha palpitações, grite descontroladamente ao telefone dizendo que não quer nenhum cartão de crédito, não precisa de seguro de vida, não quer assinatura de revista alguma. Faça com que ele perceba quão importante e querido é seu trabalho, como todos nós ansiamos por aquela ligação bem na hora da novela. Ele merece!
PS – quer saber o que o Tom Mabe faz com os operadores de telemarketing? Tá legendado em português. D-e-m-a-i-s.
Nos momentos de maior aflição, quando o tempo ameaçava fechar e o bicho pegava, minha mãe sempre recorria às Almas do Purgatório. Para proteger e iluminar durante as provas finais dos filhos no colégio, para desembaraçar situações complicadas para as quais parecia não haver saída, precisando encontrar algum objeto de estimação ou documento muito importante que estivesse perdido no meio da ‘bagunça organizada’ que meu pai dizia ser o escritório dele, até nos estrondos dos trovões durante as muitas tempestades espetaculares que costumavam cair lá em casa, as Almas eram sempre requisitadas.
Não sei se era sua fé inabalável ou se realmente ela possuía um ótimo círculo de relacionamentos lá em cima, mas a verdade é que não me lembro de nenhuma ocasião em que mamãe tenha sido deixada na mão. Ela dizia que era importante não abusar ou preocupar as almas com pedidos fúteis ou com aqueles cuja solução dependesse do seu próprio empenho, e não da forcinha delas; as almas, aparentemente, eram ocupadíssimas.
Pois é. Então veio o Bento e, numa canetada só, extinguiu o purgatório. Não sei se ele entrou em negociações com o Criador nas Alturas ou se foi na base do tapetão mesmo, mas agora as almas já vão direto para seu destino final, sem escalas. Não sei que destino tiveram as que já estavam lá ‘de quarentena’ mas, não existindo mais esse limbo intermediário, imagino que hoje elas se encontrem dispersas pela Eternidade. E agora quem ficou na mão fui eu.
Cheguei no escritório ontem e reparei que o cordão de prata que estava usando no pescoço tinha perdido o fecho. O pingente, uma cruz celta que trouxe ano passado da Irlanda, tinha desaparecido. Tentei refazer o caminho da garagem até a minha sala, mas não encontrei nada. Também não estava dentro do carro. Otimista, pensei que talvez tivesse caído ainda dentro de casa, e que mais hora, menos hora, eu encontraria a cruzinha de prata no chão da cozinha ou na bancada do banheiro. Até agora, nada. Lembrei-me da mamãe, das almas e, logo em seguida, do Bento e do seu decreto-lei que estabelece que ‘Artigo 1: Fica, a partir de hoje, definitivamente extinto o Purgatório. Parágrafo Único: Revogam-se as disposições em contrário’. Hmpf.
Agora estou aqui, pensando em quem será que assumiu essa tarefa importantíssima de nos dar uma mãozinha nos problemas do cotidiano. Não queria incomodar o primeiro escalão celeste por conta de uma simples cruz banhada em prata que me custou a bagatela de 3 euros numa lojinha de souvenir em Dublin, mas é que era de estimação. Foi das poucas coisas que comprei para mim durante a viagem e, afinal de contas, era uma cruz, né? Genérica, mas era. Já apelei pra São Longuinho e prometi ‘dar três pulinho’, mas já se passaram 24 horas e nada. Vamos ver. Alguém aí tem outra sugestão? Tá valendo até simpatia, boralá ajudar a encontrar minha cruzinha?
Algumas escolas da cidade suspenderam as aulas porque surgiram casos de gripe suína entre os alunos (era pra gente chamar de Influenza A, mas ninguém se lembra do detalhe). A maioria delas volta ao normal na segunda que vem. Tá bom então. Mas por acaso a gripe vai entrar em recesso e dar um refresco a partir do dia 6? Como é que todo mundo vai fazer daqui a uma semana, duas, um mês, quando seguramente o vírus ainda vai estar circulando por aí, todo pimpão, e as pessoas vão obviamente continuar a apresentar sintomas? Vamos ficar eternamente pedindo altas a cada novo caso? É bom lembrar que a meninada não foi pra escola, mas foi pro cinema, pra lan house, pro shopping, e não me consta que esse seja um vírus particularmente estudioso, desses que vai de casa pra escola e só. Não é pra desanimar não, moçada, mas essa gripe suína é que nem Coca Cola, calça jeans e cabelo de chapinha: veio para ficar. Melhor você começar a se acostumar com a ideia…
“Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado
Só em saber que não posso mais
Reviver o meu passado
Eu vivia cheio de esperança
E de alegria eu cantava, eu sorria
Mas hoje em dia eu não tenho mais
A alegria dos tempos atrás”
(Quantas lágrimas - Manacéia)
A letra desse samba é tristinha que só ela, mas é tãããão bonita!…
A essa altura do campeonato, todo mundo já deve ter visto pelo menos uma das várias entrevistas que o Joel Santana, brasileiro técnico da seleção sulafricana (ou sul-africana?) de futebol, deu na televisão. Minha caixa de e-mails recebeu links para os vídeos todos os dias nas últimas 2 semanas.
Nunca tinha ouvido falar dele antes (bom, eu não acompanho quase nada de futebol, então tá explicado) mas vou te dizer uma coisa: o Joel é o cara. Pessoas com a atitude dele para falar uma outra língua fazem a alegria de qualquer professor. Claro que pronúncia é importante, lógico que estrutura e vocabulário contam. Mas Joel não está nem aí. Ele tem que dar seu recado com o pouco inglês que sabe (e que provavelmente aprendeu na marra, não em cursos de idiomas ou programas de intercâmbio como muitos de nós). O microfone aparece na frente, o repórter faz uma pergunta e ele não se faz de rogado: mistura o que sabe com o que imagina que é, coloca uma palavrinha ou outra em português mesmo e estamos conversados.
E enquanto muita gente faz pouco do inglês macarrônico do Joel, eu pergunto: se fosse um sulafricano (ou sul-africano, ai que saco, alguém tem a nova gramática aí?) tentando falar português, esse pessoal estaria nessa gozação toda ou estaria achando o máximo alguém tentar se virar com o que sabe? Joel faz um uso 100% instrumental da língua. Deve saber muito bem que comete erros, que sua pronúncia e entonação deixam - e bastante – a desejar. Mas ele vai lá e fala. Pergunte para qualquer professor de idiomas quantos alunos assim eles têm. Geralmente dá pra contar nos dedos. De uma mão. Talvez da mão esquerda do Luis Inácio.
Uma das melhores alunas que já tive na vida foi uma psicóloga super culta e inteligente, dessas que podem conversar com você sobre qualquer assunto. Tinha um ótimo nível de inglês e ninguém conseguia saber disso, porque seu sistema de auto-censura entrava em cena um milésimo de segundo antes dela abrir a boca. Estava sempre preocupada com ‘como’ estava falando e raramente com ‘o que’ estava falando. Simplesmente travava e não falava. Sua filha, que sabia muito menos da língua, se virava muitíssimo bem, conversava com todo mundo, reclamava do quarto do hotel, substituía ingredientes de seu prato no restaurante, pedia informações a quem estivesse passando na rua. E aí todo mundo achava que ela era muito mais fluente do que a mãe, e geralmente tinham a maior boa vontade com ela.
Não é que a gente não tenha que se preocupar com a forma. Ninguém quer falar o inglês do Tarzan a vida toda. Mas é que muitas vezes as pessoas dão muito pouco importância à comunicação e só querem saber de ‘falar sem errar’. Só não erra quem não tenta, né? Uma vez um professor que eu tive perguntou a uma plateia com gente do mundo inteiro qual era o idioma mais falado no mundo. ‘Inglês’, disseram. Nada disso. ‘Mandarim’, sugeriram. Ele riu. ‘Que nada. A língua mais falada no mundo é o inglês ruim‘.
De vez em quando – não é sempre não – o pessoal da publicidade acerta. Bem na mosca, como nesse comercial espanhol super bacana.
E a lista de chamada do Além só faz aumentar. Quinta-feira foram-se Farrah e Michael. E agora leio nos jornais que sai de cena a coreógrafa e bailarina alemã Pina Bausch, que vi dançar aqui há muitos anos, quando esta cidade ainda tinha um circuito realmente interessante de balé e dança de um modo geral. Hoje em dia pingam alguns grupos importantes e é só. Talvez você se lembre dela nesta coreografia, na abertura do filme ‘Fale com Ela’, do Almodóvar. Mesmo ela não estando exatamente no topo da minha lista de favoritas, é impossível falar de dança contemporânea sem incluir lá no alto o nome de Pina Bausch e seu grupo de dança-teatro. Uma pena mesmo. Tem tanta gente fazendo mais do mesmo por aí, de vez em quando é bom ver alguma coisa original.
Repare bem. Ou ‘põe sentido’, como diria a minha avó. Hoje é dia 30 de junho, tá lembrando? Oficialmente, metade do ano (não vou ficar somando os meses de 30 e 31 dias pra fazer a conta exatinha, pelamordedeus) terá ido embora no final de aujourd’hui. 50% do meu ano, 50% do meu tempo. Não fiz lista de pendências nem vou dar um rewind, mas tenho certeza de que não fiz um monte de coisas que teria ou precisaria ou gostaria de ter feito. Como sempre. E agora? Agora nada. Vou relaxar e pronto. Não vai dar tempo de fazer muita coisa nesse restinho de ano mesmo…
Isto vai até soar de certa forma cruel, mas pode ser que dona Morte tenha sido extremamente generosa com Michael Jackson. Talvez ela o tenha tirado de cena na hora certa, antes que os fãs, a mídia, os críticos e gente como eu, que simplesmente gostava de umas tantas músicas dele, pudéssemos constatar sua inevitável decadência – e isso provavelmente teria sido muito pior. Ou alguém realmente acredita que MJ tinha saúde, pique e voz para dar conta de todos os 50 shows programados para este ano? Ele possivelmente teria feito a primeira apresentação num fiapo de voz (ou cantando com playback), as roupas penduradas em seu corpo frágil de pouco mais de 50kg, aqui e ali lampejos da genialidade que fez dele o grande nome da cultura pop dos anos 80. Aí viriam as críticas ferrenhas, muito desapontamento, os fãs dizendo que nada disso, ele ainda era ‘o cara’ (porque fã só enxerga o ídolo, né), um possível cancelamento da turnê por absoluta falta de condições físicas, mais dívidas, mais depressão, muito mais esquisitices para alimentar os tabloides. Um Michael como este aqui ou este outro teria sido bem pouco provável.
Não, eu nunca fiz parte da legião de fãs ardorosos de Michael Jackson. Era grande admiradora sim, desde a época dele com seus 10 ou 11 anos, maior gracinha cantando ‘ABC‘ com os irmãos, passando pelo ritmo incrivelmente dançante de ‘Rock With You’, os mega clipes do álbum Thriller, a reinvenção do clássico moonwalk (que, embora já fizesse parte do repertório dos tap dancers negros desde muito tempo, realmente foi ‘descoberto’ pelos pés de Michael), depois… bem, depois foi muito pouco. Um ‘Black or White’ aqui, um ‘You Are Not Alone‘ ali (onde sua voz está particularmente bonita) mas, pro meu gosto – e eu enfatizo o pro meu gosto – não muito mais, apenas inúmeras cirurgias plásticas, casamentos estranhos, filhos idem, processos judiciais, comportamento cada vez mais bizarro. O MJ que eu gostava de verdade, aquele dançarino como nenhum outro, dono de uma voz versátil e capaz de harmonias belíssimas, já tinha deixado de existir há bastante tempo.
Mas se dona Morte acertou no quando, errou feio no como. Tudo bem que os mitos sobrevivem a sua decadência – Elvis estava gordo, ofegante e fazendo shows em cassinos em Las Vegas, mas ao morrer ainda era o rei do rock’n'roll – mas uma parada cardiorrespiratória, mesmo devido a possível abuso de remédios, nos parece mundano demais para alguém da estatura de Michael Jackson. Ídolos arrebentam seus Porsches em corridas como James Dean, melhor ainda se for ao vivo e via satélite, como Ayrton Senna. Eles são assassinados na porta de casa como Lennon, se entopem de drogas como Cobain, Hendrix e Joplin (mas não vale ficar só ameaçando, como Amy Winehouse, senão perde a ‘credibilidade’), suas mortes são cercadas de boatos de possíveis conspirações mirabolantes, como Kennedy e a princesa Diana.
Ao contrário de Cazuza, que foi definhando diante dos nossos olhos, Jackson se escondeu de tudo e todos usando chapeus, luvas, óculos escuros, lenços no rosto, roupas de mangas compridas. Vivia recluso e, a cada rara aparição gerava tantos comentários que voltava rapidinho para seu casulo. Talvez tenha sido melhor mesmo sair de cena assim, logo no primeiro fechar de cortinas, antes de ter que voltar ao palco para um último e desastroso bis.
PS- e hoje recebi o link para este video muito bacana, unindo Michael Jackson e Carmina Burana. Vale a pena ver.
Que Michael Jackson que nada. O verdadeiro moonwalk é obra deste sujeito aqui, que o apresentou ao mundo quando Michael ainda era um garotinho…
Domingo no Parque Estadual da Serra do Rola Moça.
Um belíssimo fim de tarde de inverno.
E nós não dando a menor bola pro jogo do Brasil…


“A Serra do Rola Moça
Não tinha esse nome não…
Eles eram do outro lado
Vieram na vila casar
E atravessaram a serra
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo.”
(A Serra do Rola Moça - Mário de Andrade)