Fala a verdade: tirando o que a gente vê e lê pelo filtro dos noticiários da TV ou das revistas e jornais, o que realmente você sabe sobre o Irã? Sobre a cultura, sobre a história, sobre as pessoas? Essa pergunta serve para uma lista interminável de países e culturas dos quais sabemos muito pouco, eu usei o Irã porque um amigo me emprestou ‘Persépolis’ e eu estou redescobrindo uma porção de coisas interessantes.
Quem não leu o livro, fique atento ao filme de animação, que está indicado ao Oscar este ano. Como geralmente acontece com todas as histórias, essa é uma visão pessoal da artista gráfica Marjane Satrapi, que cresceu e adolesceu durante a revolução iraniana que levou os aiatolás ao poder político. Convivendo com a obrigatoriedade do uso do véu e com uma infinidade de leis que regulavam o comportamento das pessoas em público, existia por trás das portas de muitos lares uma resistência silenciosa a essas mesmas leis, com meninas teimando em usar esmalte nas unhas, jovens ouvindo Iron Maiden e comprando o último sucesso do Michael Jackson no mercado negro e adultos consumindo bebidas alcoólicas nas festas particulares. Mesmo debaixo da mão pesada dos mulás e das brigadas dos guardiães da revolução, a vida continuava e, afinal de contas, um adolescente era um adolescente.
Além disso, a história de Marjane também nos fala da perda de identidade, quando não se pode ser persa na Europa e nem européia em seu país, e da incompreensão de uma civilização com relação à outra. E isso numa época em que a globalização e a facilidade de troca de informações deveriam agir em nosso favor…
Em tempo: Belo Horizonte tem um restaurante iraniano fantástico, o Amigo do Rei. Além dos pratos e bebidas típicos da culinária persa, a gente tem também a oportunidade de conhecer um pouco da história e da riquíssima cultura do país.