
Minha sobrinha tem oito anos e, assim como as amiguinhas da mesma idade, tem seu próprio telefone celular, um perfil no Orkut, endereço de e-mail e uma conta no MSN. Ela envia torpedos em mensagens de texto digitadas numa velocidade impressionante usando apenas os polegares, baixa o último sucesso da Ashley Tisdale no mp3 e envia para o meu celular a foto que acabou de tirar com a câmera do celular dela. E eu me pergunto: como foi que ela aprendeu tudo isso?
Marc Prensky chama a minha sobrinha e as amiguinhas dela de ‘digital natives‘, ou ‘nativos digitais’. Nasceram depois do boom da internet, quando os computadores não eram mais aquelas carroças jurássicas com monitor preto e branco, HD ridículo e impressora matricial fazendo o maior barulhão na hora de imprimir um arquivo. Têm uma vaga lembrança do que seja uma fita VHS mas não fazem a menor idéia do que seja um disco de vinil ou um floppy disk de 5 1/4. Mas usam essas novas ferramentas digitais – câmeras, celulares, computadores, iPod, pen drives, blogs – como se elas sempre tivessem existido. Para elas, pelo menos, isso é verdadeiríssimo. Parece mesmo que não nasceram, foram baixadas, provavelmente em velocidade de banda larga.
Eu e a minha turma, não. Nós somos os ‘imigrantes digitais’, os ‘digital immigrants’. Estamos tentando, alguns a mais duras penas do que outros, transitar nesse ciberespaço. O que é isso que eu cliquei? Como é que eu salvo essa imagem no meu celular? Cadê o manual para eu poder entender esse joguinho? Ih, meu Deus, apaguei alguma coisa – e agora, tem jeito de recuperar? Insistimos em ser racionais quando essas ferramentas são, na sua maioria, puramente intuitivas. Perdemos feio.
Fico imaginando como o mundo vai estar daqui a uns dez anos. É um exercício divertido, mas provavelmente o tiro vai passar muito longe. Se antes as coisas demoravam décadas para mudar, hoje tudo fica diferente em poucos anos ou até mesmo em questão de meses.
É, a minha geração ainda vai comer muita poeira.
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