Drummond e um poema de mãe

9 05 2008

 Para sempre

 
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
 

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
 
poema: Carlos Drummond de Andrade
tela: Gustav Klimt (c.1905) – detalhe de ‘ As três fases da mulher’ 
   

 

E um pouquinho de Cecília Meireles:
Cecília sabe das coisas

Mais mães:
Sábios ensinamentos das mães


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3 respostas

8 06 2009
edna galvão

Neste ultimo dia das mães, quando vi a minha nora chorar na nossa festa do dia das mães, lembrei de alguns pedaços desta poesia que eu tinha lido quando ainda era criança e que nunca saiu da minha memoria, e eu queria ler ela de novo mas não sabia nem quem era o autor.
Mas que surpresa agrádavel ao fuçar no computador a encontrei , copiei e vou guarda-lá para sempre comigo, essa história tem mais ou menos 40 anos.
Muito obrigada
Edna

8 06 2009
Monica

Edna,

fico feliz que você tenha reencontrado esse texto depois de tanto tempo! Drummond sabe como ninguém falar com simplicidade sobre as coisas mais profundas do universo… É dos meus poemas favoritos e traduz maravilhosamente o que a gente sente (ou pelo menos eu) com relação às mães…

Esta cópia veio assim, até com a pintura do Klimt, num cartão super delicado que recebi de uma amiga quando perdi minha mãe. Guardo até hoje com o maior carinho.

Grande abraço

21 12 2009
Vanderlei Framil Melo

Há muito tempo deixei de ler algo tão lindo como esse poema de Carlos Drummond no entanto são dessas palavras que nos da conforto de saber que cada sol cada dia somos mais sensíveis ao amor por nossas mães….

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