Que o Kevin Costner tem a expressividade de um porta-lápis, não é novidade nenhuma. O sujeito trabalha mal até de costas, mas aparentemente não há nada que possamos fazer quanto a isso, a não ser torcer para que um dia o grande mágico de Oz lhe conceda um pouco de talento. Costner conseguiu, entre outras coisas, a proeza de fazer todo mundo ficar torcendo pro xerife de Nottingham descer o cacete no chato do Robin Hood e ficar com a mocinha insossa naquela versão meia-boca da história do ladrão bacaninha.
Mas isso era pouco para o Kevin. Não satisfeito com sua verve chuchu-com-abóbora-d’água para as telas, agora ele cismou que também sabe cantar. E, sem medo de ser feliz e pagar um mico de proporções hecatômbicas, enfiou-se com sua banda num estúdio pra gravar um CD. Já que sua carreira cinematográfica despencou mais rápido do que o Dow Jones depois do ‘não’ do Congresso aos 700 bi, parece que o jeito foi apelar pros ouvidos mais incautos e lascar um cáuntrimiúsic de segunda.
E eis que Kevin me surpreendeu pela consistência. Ficou claro que, além de um ator chinfrim, ele também é um cantor sofrível. Não acredita? Então ouça e veja ele assassinando ‘Mr. Tambourine Man’, do Bob Dylan. Eu sei, eu sei, mr. Dylan também não fez muita coisa em prol da sua própria música, mas tem sempre a versão do The Byrds pra salvar a pátria. Quer saber? Fique com ela. Meu medo agora é que Kevin dê na veneta de explorar outras facetas de sua veia artística e saia por aí dançando com lobos. Chamem a WWF!
