Isto vai até soar de certa forma cruel, mas pode ser que dona Morte tenha sido extremamente generosa com Michael Jackson. Talvez ela o tenha tirado de cena na hora certa, antes que os fãs, a mídia, os críticos e gente como eu, que simplesmente gostava de umas tantas músicas dele, pudéssemos constatar sua inevitável decadência – e isso provavelmente teria sido muito pior. Ou alguém realmente acredita que MJ tinha saúde, pique e voz para dar conta de todos os 50 shows programados para este ano? Ele possivelmente teria feito a primeira apresentação num fiapo de voz (ou cantando com playback), as roupas penduradas em seu corpo frágil de pouco mais de 50kg, aqui e ali lampejos da genialidade que fez dele o grande nome da cultura pop dos anos 80. Aí viriam as críticas ferrenhas, muito desapontamento, os fãs dizendo que nada disso, ele ainda era ‘o cara’ (porque fã só enxerga o ídolo, né), um possível cancelamento da turnê por absoluta falta de condições físicas, mais dívidas, mais depressão, muito mais esquisitices para alimentar os tabloides. Um Michael como este aqui ou este outro teria sido bem pouco provável.
Não, eu nunca fiz parte da legião de fãs ardorosos de Michael Jackson. Era grande admiradora sim, desde a época dele com seus 10 ou 11 anos, maior gracinha cantando ‘ABC‘ com os irmãos, passando pelo ritmo incrivelmente dançante de ‘Rock With You’, os mega clipes do álbum Thriller, a reinvenção do clássico moonwalk (que, embora já fizesse parte do repertório dos tap dancers negros desde muito tempo, realmente foi ‘descoberto’ pelos pés de Michael), depois… bem, depois foi muito pouco. Um ‘Black or White’ aqui, um ‘You Are Not Alone‘ ali (onde sua voz está particularmente bonita) mas, pro meu gosto – e eu enfatizo o pro meu gosto – não muito mais, apenas inúmeras cirurgias plásticas, casamentos estranhos, filhos idem, processos judiciais, comportamento cada vez mais bizarro. O MJ que eu gostava de verdade, aquele dançarino como nenhum outro, dono de uma voz versátil e capaz de harmonias belíssimas, já tinha deixado de existir há bastante tempo.
Mas se dona Morte acertou no quando, errou feio no como. Tudo bem que os mitos sobrevivem a sua decadência – Elvis estava gordo, ofegante e fazendo shows em cassinos em Las Vegas, mas ao morrer ainda era o rei do rock’n'roll – mas uma parada cardiorrespiratória, mesmo devido a possível abuso de remédios, nos parece mundano demais para alguém da estatura de Michael Jackson. Ídolos arrebentam seus Porsches em corridas como James Dean, melhor ainda se for ao vivo e via satélite, como Ayrton Senna. Eles são assassinados na porta de casa como Lennon, se entopem de drogas como Cobain, Hendrix e Joplin (mas não vale ficar só ameaçando, como Amy Winehouse, senão perde a ‘credibilidade’), suas mortes são cercadas de boatos de possíveis conspirações mirabolantes, como Kennedy e a princesa Diana.
Ao contrário de Cazuza, que foi definhando diante dos nossos olhos, Jackson se escondeu de tudo e todos usando chapeus, luvas, óculos escuros, lenços no rosto, roupas de mangas compridas. Vivia recluso e, a cada rara aparição gerava tantos comentários que voltava rapidinho para seu casulo. Talvez tenha sido melhor mesmo sair de cena assim, logo no primeiro fechar de cortinas, antes de ter que voltar ao palco para um último e desastroso bis.
PS- e hoje recebi o link para este video muito bacana, unindo Michael Jackson e Carmina Burana. Vale a pena ver.
Não, Mônica, não soou cruel de forma alguma… concordo em gênero, número e grau com você.
Bijin.
Ou, como disse o candidato na prova do vestibular, ‘concordo em gênero, número, igual’…
bjk
“Perde a credibilidade” – foi “óteeeeeemo”, hahahah!
Tadinho…, mas Mônica… ele não fez nenhuma cirurgia plástica!!! Nenhuma mesmo… como ele mesmo disse “isso é ridiculo, as pessoas mudam”
Aham… Eu também queria mudar… quem sabe daqui a alguns anos eu mudo e fico igual “a la Bundchen”
Outra coisa, tu viu o que a falecida das Panteras fez??? Tipo um documentário caseiro sobre o tratamento, a vida que estava levando… bah… me deu uma dor no coração… apareceu até quando ela estava nos ultimos dias de vida, isolada em cima de uma cama, e o filho foi pra se despedir… muito triste. Pena que ela morreu na hora errada, porque isso apareceu em menos de 5 minutos no Fantástico, enquanto que a morte do MJ aparecia a cada 5 minutos.
:O
Eu fiquei sabendo desse documentário, mas não vi não. Aliás, acho que nem quero ver, pelo menos nessa minha fase ‘linear’, de assistir só bobagem.
Quanto ao MJ, eu me lembro de ver um poster ótimo no museu de cera Madame Tussaud em Londres. Era um pedestal vazio, só com um microfone no chão e os holofotes sobre ele, com os dizeres: ‘Please, Michael, no more nose jobs!’ (algo como, ‘por favor, Michael, chega de plásticas no nariz!’). Cada vez que ele fazia uma, o pessoal tinha que tirar sua figura de cera pra retocar. E isso foi em 1988, se não me engano. De lá pra cá, foi muito mais do que o nariz, né?
Hahahaha, eu queria ver esse Museu de Cera, deve ser lindíssimo!!!!!
Imagina… que engraçado!!!!! “Por favor, não faça mais plásticas, stop”, hahahaha!
Pois é Mônica, pois eu fiquei chateado demais. Me lembro de Chico Buarque no seu “Choro Bandido” quando diz: “Mesmo que os cantores sejam falsos, não importa, sao bonitas as canções”. Tenho cá as minhas razões para acreditar no soft que significa a pregnância horrível às esquisitices de Michael Jackson. É obvio demais até pra cegar. Acho que o que sinto é que a trilha sonora de minha vida ficou mais pobre e a Música perdeu alguém que soube dignificá-la.
Flávio, eu também fiquei, primeiro, surpresa e depois triste com a morte do MJ. Seria legal imaginar que ele ainda pudesse fazer uma grande reviravolta na vida e na carreira e ser pelo menos um pouco do artista que a gente conheceu, mas sinceramente eu acho que isso não teria acontecido. Ficam, como disse o Chico, as canções. E, para minha alegria, também os clipes, porque o que eu mais gostava mesmo era de vê-lo dançar…
bjk
EU CONFESSO Q FICO MUITO TRISTE CADA VEZ Q ME LEMBRO Q ELE FOI EMBORA MAS POR UM LADO CONCORDO COM VC MONICA POIS NAO EXISTIA MAIS A REMOTA POSSIBILIDADE DELE VOLTAR A SER O Q ELE FOI UM DIA FICO PENSANDO NO Q O LEVOU A SE AUTO DESTRUIR ELE PERDEU TOTALMENTE A NOCAO DO QUANTO ELE ERA QUERIDO EU FUI DESCOBRIR O TALENTO INCOMPARAVEL DE MICHAEL DEPOIS Q ELE MORREU INFELIZMENTE PENSO E LAMENTO ELE NAO TER CONSEGUIDO ALCANCAR TUDO Q DEUS HAVIA PLANEJANO PRA ELE EU SO LAMENTO ELE ERA MARAVILHOSO!!!!!!!
Pois é, Eliene, algumas coisas a gente não consegue entender mesmo. Acho que ‘gente’ é muito mais complicado do que imaginamos, né? Sucesso, dinheiro, fãs no mundo todo, um talento descomunal, nada disso adiantou. Realmente uma pena…