Do Aurélio: Armar (o maior) barraco. Bras. Gír. Pej. 1. Criar confusão, rolo, quizumba. 2. Partir para briga.
De longe, parecia que aqueles dois senhores – bem vestidos e de cabeças brancas – estavam engatados numa conversa animada em frente a um prédio em construção. Foi só quando eu reduzi por causa do quebra-molas bem na frente deles que eu ouvi as simpáticas palavras em altos brados: seu vagabundo, sanavabítch, canalha! A rua era sem saída, tive que fazer o retorno e na volta a turma do deixa-disso já estava rodeando, tentando contemporizar. Eu fiquei morrendo de vergonha pros dois, nossa, que mico.
Pois é, tenho pavor de barraco. Aliás, nem é medo não, eu morro é de vergonha pro ‘barraqueiro’. Nem devia, né? Não é comigo, não é da minha conta, se é comigo é só sair de perto. Mas eu realmente acho o fim da dinastia. E olha que eu até já tinha meio caminho andado para uma sólida carreira de pitis, porque sempre tive o gênio forte, era teimosa, bravinha e ‘cheia de vous e faços’. Mas com minha mãe, que era uma criatura finíssima, a história sempre foi ’pode falar o que quiser, mas olha o tom’. Nunca a vi levantar a voz, fazer uma grosseria com quem quer que fosse ou perder a linha, e olha que motivos não faltaram; se ela tivesse rodado a baiana em certas ocasiões, provavelmente muita gente teria saído em sua defesa. Uma hora eu acabei aprendendo.
O barraqueiro experiente diz que não leva desaforo pra casa. Eu também não, oras, eu deixo o desaforo ali mesmo onde ele está; se o barraqueiro não o quer, eu muito menos. E me recuso a compartilhar da irritação dele (ou dela, nisso o cerumano é bem igual). Porque é isso que ele quer, né, por que só ele é que tem que perder a classe? Constatar que você permance calma enquanto ele solta fumaça pelas ventas o deixa mil vezes mais enfurecido.
Isso, lógico, não quer dizer que eu tenho sangue de barata. Assertividade é tudo, baixaria não. Já aguentei gente barraqueira até via satélite. O fato da pessoa em questão ser alguém aparentemente bem nascido e bem criado só reforçou a minha crença de que esse tipo de comportamento é mesmo o fim. Deixei-a soltar os cachorros, dei tchau e desliguei o telefone. A irritação durou um tempo, principalmente porque tudo aquilo envolvia outras pessoas, mas depois passou e eu fiquei feliz por não ter entrado no jogo dela.
Talvez eu esteja caminhando em passadas largas rumo a uma úlcera ou coisa parecida. Não importa, nesse time eu não entro. A menos, claro, que algum estudo científico prove de maneira inquestionável que barraco ajuda a queimar calorias. Aí, gente, me aguardem. Porque aqueles três quilos cabalísticos precisam ir embora por bem ou por mal.
Mônica,
pode-se saber por que a senhora está nos dirigindo este assunto?
Vai encarar?
Abração,
Stélio
Rá, num provoca não, miniiiino…
Mas te chamo para um duelo Expressivo de cafezinho com pão-de-queijo hoje de tarde. O Flávio já topou.
Uêêêba ! Expresso da Sexta-feira rides again !
No more coments.
Já pra Quixote!
Stélio
Mônica,
atenção:
avite
a tensão!
zenzissimamente,
Paulo
Paulo,
avitarei, podexá!
HUAHUAHUA!!!
Mônica, em linhas gerais eu concordo contigo, mas tenho sangue italiano, então…
Uma vez eu estava passando por um daqueles dias complicados em que a gente acorda com o pé esquerdo, pisa no rabo do cachorro, leva uma mordida, cai com o susto, bate com o cotovelo na quina da cama, com a dor dá um safanão na mesa de cabeceira, o abajur cai, quebra a lâmpada, ao se levantar a gente corta a mão num caco de vidro e sai pingando sangue no tapete até o banheiro, onde verificamos que o papel higiênico acabou e o chuveiro queima ao abrirmos a água pra limpar o sangue, isso tudo nos primeiros dois minutos de uma segunda-feira fria e chuvosa…
Enfim. (Quadro mental esclarecido?)
Lá pelas nove da noite desse dia maravilhoso, sem comer nada desde o meio-dia, eu estou rodando num estacionamento lotadíssimo de supermercado, tentando encontrar uma vaga para comprar algo para jantar com uma amiga. Um cara está terminando de colocar as compras no porta-malas, então eu decido parar atrás dele, desligo o motor e ligo a seta para indicar que estou aguardando que ele libere a vaga para eu entrar. Aí rola o abuso.
No mínimo intervalo de tempo entre ele sair da vaga e eu ligar o motor do carro, um sujeito corta a minha frente e enfia o automóvel atravessado na vaga em que eu estava sinalizando que ia entrar.
Abri o vidro, reclamei: “ei, o senhor não viu que eu estava sinalizando que ia entrar na vaga?”
Ele deu de ombros, deu uma risadinha debochada e virou as costas, já indo em direção ao supermercado.
Logicamente, eu peguei o extintor de incêndio de baixo do banco do motorista e demoli o carro dele, não sobrou paçoca nem para o ferro-velho.
Hmmm… será que foi assim mesmo?
Não, eu estou brincando.
Na real eu fiquei furioso com o abuso, mas o que me fez ferver o sangue foi a risadinha debochada na frente de diversas pessoas. Abri a porta do carro e gritei: “ô seu filho-da-p*t*, se tu és surdo eu vou deixar meu recado por escrito!” – e quando ele olhou para trás eu levantei a mão mostrando as chaves do meu carro.
Santo remédio. Vaga liberada em vinte segundos.
Enquanto ele entrava no carro zerinho fiz questão de ler a placa dele em voz alta para prevenir e evitar que o feitiço virasse contra o feiticeiro e ele riscasse a minha lata velha enquanto eu fazia compras.
A janta foi ótima.
Aliás, a história ficou tão bem contada que vai virar artigo no meu blog.
Arthur,
eu não tenho sangue italiano, embora tenha nascido naquela terra. Mas sou leonina e não nego a raça! E fui também a única mulher no meio de um bando de meninos (irmãos, primos e amigos); então, ou eu falava grosso, ou estava frita. Mas a gente vai aprendendo a domar o gênio aos poucos, né?
Eu fico brava, claro, só não deixo que isso estrague meu humor. No caso do simpático aí da história, sua solução funcionou. Outra ideia seria deixar o espertinho estacionar na vaga sem encher o saco. Daí era só esperar ele sair de perto, ir lá no pneu traseiro direito (que fica menos visível pro motorista) e esvaziar um pouco, nem precisava furar ou deixar no chão. O suficiente pra ele rodar um pouco e ter que procurar um posto de gasolina desesperadamente. Ou até melhor, achar que o pneu estava furado e trocar sem necessidade… É bom ser má de vez em quando, kkk…
Brasileiro gosta de barraco sim! Não deve negar a raça só pq vc tem sangue italiano nao…
Pode reparar que quando tem barraco em novela, a audiencia sobe! Ivone diga o que é o que há!
Alem disso tem que ser muito phino (com ph, que é mais chic) pra fazer barrraco.
Ih, Asnalfa, então eu sou pouco phynna (com Y e dois N fica ainda mais chic, né?), porque não sou chegada em barraco não. Aliás, nem em novela. Pra você ter uma ideia, a última que eu segui direitinho foi aquela que tinha a Odete Roitman de vilã. Ivone é aprendiz de malvada comparada com ela…
E eu não tenho sangue italiano não, sou 100% brasileira. Aliás, sou até meio raridade ‘a nível’ de brasileiro: tenho que voltar muitas e muitas gerações pra achar meus ancestrais imigrantes. Muitas mesmo. Já fui até a quarta ou quinta e todo mundo era totalmente tupiniquim!
HAUHAUAHA passadas largas rumo a úlcera HAUHAUHAUAHA
muito boa!