
camarão também é gente!
A história é mais ou menos assim: um bando de alienígenas com jeitão de camarão pitu vem parar na Terra. Pra sorte deles, não desceram na Bahia, onde seguramente teriam sido transformados em ingrediente de vatapá. Mais sorte ainda, também não caíram na gloriosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, onde a moçada fromhell anda atirando em tudo e todos, inclusive no que estiver circulando pelos céus. E, pra azar dos extraterrestres, a nave-mãe dá pau justamente em cima de Johannesburgo; não fica muito claro se foi problema de combustível, correia dentada ou se foi a mola do carro do Barrichello que acertou o piloto. Enfim, sem oficina autorizada pra consertar o veículo num raio de dois sistemas solares, eles são obrigados a ficar por ali mesmo, subnutridos, coitadinhos, até que a puliça sulafricana resolve invadir, prender todo mundo e isolá-los numa mega favela chamada District 9. Pra saber no que deu a ideia besta das autoridades, assista ao filme num cinema mais perto de você.
Nunca fiz muita questão desses filmes de ficção científica, então é muito difícil eu me decepcionar com o gênero. Normalmente me divirto, aproveito a pipoca e a inevitável overdose de efeitos especiais e nem passa pela minha cabeça arriscar uma leitura mais psicanalítica da trama, tipos a relação entre opressores e oprimidos, direitos humanos dos camarões ou a eterna incompetência dos governantes em administrar meros alienígenas que, no final das contas, só queriam se empanturrar de Whiskas antes de voltar pra casa.
Distrito 9 tem um pouquinho de tudo: o mocinho funcionário público bem
intencionado, mas basicamente sem-noção; o sujeito com músculos de aço e cérebro de minhoca pra comandar a eventual operação-matança; aquele sogrão super fura-olho; o pessoal do mal, que só quer se dar bem; o ET que, no fundo, é boa gente; e o primeiro camarãozinho-nerd do cinema mundial. Irresistível combinação.
O filme de estreia do diretor sulafricano Neill Blomkamp não decepciona e, pra quem gosta, ainda vem com as cenas de praxe em que alguém perde um braço ou uma cabeça explode na lente da câmera (Tarantino faz escola…). O início é bem interessante, com pinta de documentário para a TV, mas depois cai no esquemão adrenalina-na-veia-pra-agradar-a-meninada e aí a história fica meio ‘já vi esse filme antes’.
Diverte, como convém a um filme desse gênero, fala da incapacidade do cerumano de compreender e aceitar o que é diferente, traz um elenco desconhecido (o que nos faz concentrar a atenção na história) e, é claro, deixa o gancho para District 10: a Missão e talvez até District 11 Reloaded. Resta saber se eles receberão reforços das lagostas.
Mais ETs? Estão aqui…
Klaatu Barada Nikto
O ET de Araraquara
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Suas cronicas de cinema estao no mesmo nivel das de Lolinha!
Me fez rir muito. Adorei. To esperando esse filme sair em dvd pra baixar ele. O cine daqui fica na periferia… tem base? No centro da cidade tem cinema nao…. Nunca fui la.. ta louco? Tem que ter carro….. e com a invencao da internet vc acha q vou usar meu (dinheiro dos meus pais) dinheirinho com algo que pode sair de “graça”?
bjos!
Asnalfa,
thanks!
compreendo perfeitamente a situação. No meu caso, até que foi cinema de shopping, mas o esquema foi perfeito: segunda é mais barato e a promoção da TIM faz duas entradas pelo preço de uma! Pechincha!!!
bjk
Excelente o seu ponto de vista, Mônica! Falou tudo usando palavras divertidas! Gostei do “camarãozinho-nerd”. Hahaha. Resta saber se o cérebro dele fede de fato… Mas mesmo se feder, não lhe tira a capacidade. Sinal de que jamais devemos ter nojo da cabeça do camarão…
No mais, parabéns pela “hilarianálise”.
Vou re-enviá-la aos colegas da Revista UFO.
MA
Hehehe, aquele camarãozinho é tudo de bom, né? Só faltou um limão pra arrematar!!!
Obrigada e claro, pode repassar pra sua tchurma. Só espero que não haja nenhum camarão entre eles…
bjk
Só a introdução já valeu o texto.
Sensacional! heheh
Como o amigo lá em cima, vou esperar o DVD. Mas para alugar, vale a pena gastar cinco reais e assistir algo com qualidade.
Parabéns, ficou ótimo!
abraços
Carlos,
pois na promoção de meia do cineminha nas segundas (o problema é o baldão de pipoca…) a entrada custa ’seisrreal’. Vale a pena, né? Eu acho melhor do que ver na tela da TV – já que não sou feliz possuidora de um telão doméstico…
Obrigada, o filme vale a pena, diversão garantida.
abraço
Mônica,
Se as casas do Distrito 9 estivessem pintadas de alaranjado brilhante nada daquilo teria acontecido!
Sds,
Paulo
Verdade verdadeiríssima, Paulo. Precisamos de mais Adélias por aqui. Você por acaso sabe de qual planeta elas vieram???
abraço
Mônica,
Vieram de DivinopolixYZ, que fica na oitava dimensão, logo à direita de quem entra.
Paulo
O Romacof me sugeriu esse filme esses dias. Agora tu comentas o filme. Estão me deixando curioso. Desse jeito não vou esperar para assistir no Super-Cine. (Sei lá eu se com hífen ou sem hífen. Somos todos novamente analfabetos desde o início do ano.)
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Ahn… eu tentei enviar este comentário, deu um pobreminha aqui e eu abri outra página para testar a conexão – a página sobre o hífen na Wikipédia. E sabe o que eu descobri? Que eu sempre fui analfabeto!
Descobri que existe uma pontuação em português que eu desconhecia totalmente até hoje: a meia-risca.
E o que é a meia-risca? Bem, é um tracinho horizontal, como o hífen, mas um pouquinho mais comprido que o hífen, embora não tão comprido como o travessão, que é ainda um pouco maior.
Raios.
Meia-risca?
Um tracinho de comprimento médio entre o hífen e o travessão?
Como é que nos últimos quarenta e um anos ninguém me avisou que isso existia?
Por essas e outras coisas é que eu pego nojo das convenções lingüísticas arbitrárias enfiadas goela abaixo dos povos como este famigerado acordo tortográfico. (sic)
Será que os camarões alienígenas tem problemas semelhantes? Sei lá, uma letra n com duas perninhas, uma letra m com três perninhas, uma letra nn com quatro perninhas, uma letra nm com cinco perninhas?
O ridículo oficial é cansativo, né?
Arthur,
nem te conto língua que aqueles alienígenas/camarões falam! Ali deve te meia-risca, risca dupla, risca e3/4… Vai ver nós pegamos alguma coisa deles.
Moniquinha,
pra te ser muito sincera, não gostei do filme. Aliás, achei um desperdicio de dinheiro e de tempo. Em compensação adorei as suas observações e morri de tanto rir. Pq é tudo isso q vc falou mesmo. E olha, q até fiquei com peninha dos pobrezinhos dos camarões, principalmente do filhotinho. Agora, se eles voltarem realmente em 2012, peça por favor, pra eles levarem o Arthur (aí de cima…) pq acho q ele tá no lugar errado…(brincadeirinha, viu gente).
Beijo grande.
Valery
Valery,
eu e o Jay ficamos foi com uma baita fome depois do filme!!!
Só não fomos comer camarão porque o cachorro quente do Eddie’s estava logo ali do lado, e bicho por bicho, né, ficou mais prático…
Se eles voltarem em 2012, espero que desçam em Londres, lá vai estar animado por conta dos Jogos Olímpicos. Ou então eles podiam vir pros lados de cá em 2015, vai estar todo mundo à toa mesmo, saindo de uma Copa do Mundo e aguardando os jogos do Rio em 2016, pelo menos a gente tem com o que distrair!
bjk
kkkkk!!
Mônica, to louca pra ver esse filme! Adorei o post.
Agora, olha só, tu vai ter que me fazer um favor de blogueira… assistir AntiCristo! please… te juro que quando fui ver o filme eu lembrei numa fração de segundos o que tu iria escrever sobre aquilo tudo!
O filme não é nada de demônios e etc… mas é uma coisa que eu não entendi até AGORA!!!!!!!!!!!! Se alguém souber me explicar o que houve naquele filme, de preferência tu, eu agradeço!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bjos!!!
Vixe, Rê, será que eu dou conta de mais um Lars von Trier? Sei não, sei não… Olha, prometo ‘dar o melhor de si’ e, num momento de inspiração, até tentar me arrastar a um cinema pra conferir (mas nem sei se ele ainda está passando por aqui). Já imagino o samba do crioulo doido que deve ser!
bjk
Uia!
Já me mandaram a tudo quanto é lugar na internet, mas pra fora do planeta via abdução é a primeira vez.
Valéria, não faz assim, querida. Jesus te ama e eu nem te conheço. Não achas que estás no lucro?
(Posso saber por que eu estaria no lugar errado? Eu considero toda crítica um presente: as construtivas eu avalio, as destrutivas eu ignoro, mas só dá pra saber qual é qual depois de ler…)
Abraços.
chegando tarde pra comentar mas ainda em tempo.
Num primeiro momento eu tive impressões muito próximas as tuas (e tenho até uma aversão antiga ao Tarantino, principalmente ao fato de acharem que tudo qu ele faz é bom)… mas logo que saí do cinema com meu filho de 21 anos, questinonando o filme sobre as “não respostas, tantas coisas sem explicação, ele me respondeu (depois de uma breve reflexão):
a geração de vocês procura explicação pra tudo. Tudo tem que ter um motivo, uma razão. Se uma raça alienígena chegar ao nosso planeta, quantos podem ser os motivos para eles terem vindos? Será que todo o universo tem a mesma lógica que a nossa? Além do mais, esse é um gênero novo do cinema, que mostra um fato sem se preocupar com causas e consequências…
ainda bem que ele concordou comigo sobre o excesso de tiros e o suspense do filme ser ditado pela trilha sonora exagerada, senão eu ia ficar constrangido por ver que, como é natural na evolução, a “minha geração” tá passando… será que logo eu vou começar a dizer: os filmes do meu tempo é que eram bons?
Camargo,
nunca é tarde para comentar!
Eu gosto muito do Tarantino e sua overdose histérica de tiros e sangue, me sinto como se estivesse assistindo a um Tom e Jerry hardcore. Eu nunca fui muito chegada em ficção científica como gênero não, nem em livro nem em filme. Questão de preferência mesmo. Mas, quando leio ou assisto, me divirto pelo que ela é, sem me preocupar muito com lógica e verossimilhança, desde que o autor/diretor em questão não seja arrogante pra se achar o último biscoito do pacote. Alguns são até muito legais, até hoje um dos meus livros favoritos é o Enigma de Andrômeda, do Michael Crichton (daí pra frente fiquei fãzona dele).
E te prepara: você ainda vai se pegar muitas vezes falando ‘no meu tempo…’ pro seu filho. A vingança é que ele vai fazer a mesmíssima coisa com o filho dele, hehehe. O fato da gente perceber isso já é um grande passo. Eu sou fã dessa nova geração, gente bonita, antenada, esperta. Não é como a minha, para o bem e para o mal. E olha que a minha é de outro dia mesmo…