Morrisey e eu

27 10 2009

Li aqui que o Morrisey teve que cancelar um show que faria em Bournemouth depois do desmaio ao vivo e a cores no final de semana, mas a boa notícia é que ele já está se sentindo melhor. E eu achando que a boa notícia era que o show tinha sido cancelado, hehehe…

Tá, ô piada besta, diriam os fãs do cantor de voz deprê. Eu não ligava pro The Smiths nos áureos milnovecentoseoitentaepoucos, hoje também nem tchuns pro Morrisey, mas me solidarizo com ele. É que eu já tive o meu momento ‘quem foi que apagou a luz’ e, olha, não teve a menor graça. Só não me estabaquei no chão porque o lugar estava tão cheio que eu praticamente desmaiei em pé.

Mas é que comigo é assim: a pressão vai lá embaixo quando a circulação de kissigênio no ambiente fica prejudicada, e daí pra eu começar a ter um zumbido nos ouvidos e enxergar bolas pretas na minha frente é um pulinho só. Então que estávamos eu e Jay naquela linda manhã de domingo em São Paulo dentro do mosteiro de São Bento. Do lado de fora, um calor de rachar. Do lado de dentro, eu tentando me concentrar na missa tão linda com canto gregoriano, mas antecipando que aquele mundareu de gente numa igreja com porta pro ar entrar e nenhum buraquinho pro ar sair não iria dar em boa coisa.

Eu ali, fazendo força do pensamento positivo, prestando a maior atenção no coro dos monges, lá pelo meio do evangelho eu me sinto como Gonzaguinha: não dá mais pra segurar, explode coração. Avisei pro Jay que estava dando uma saidinha só pra tomar um arzinho, virei no calcanhar e puf! não vi mais nada. Literalmente me senti como o Stevie Wonder. Não sabia pra que lado deveria ir, nem que aquilo em que eu tinha acabado de dar uma cabeçada era uma pilastra, ou que havia umas trocentas pessoas me separando da única saída. Era tanta gente que eu não consegui cair, eu só ouvi lá no fundo, vindo de um universo paralelo, uma voz me perguntando se eu estava bem e uma mão segurando meu braço e me colocando sentada no confessionário. Depois disso, só tenho uns flashes de memória, o que pode até ser bom sinal. Meu cérebro deve ter feito questão de deletar os melhores momentos do mico. Quando ‘dei por si’, já estava do lado de fora da capela. Como não me lembro de gente xingando e não fiquei com hematomas pelo corpo, acho que não cheguei a derrubar ou pisar em ninguém no trajeto. Terminamos de ouvir a missa do lado de fora mesmo.

Então eu fiquei com pena do Morrisey. Pelo que li nos jornais, ele ‘arriou com os quatro pneus e o sobressalente’, como dizia meu pai. Imagina, numa dessas a gente pode se machucar pra valer, né? Isso sem falar no ego, que nessas horas costuma ficar meio comprometido.


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