Filosofia de Twitter

8 11 2009

Eu não sigo muita gente no Twitter, nem muita gente me segue. Esse negócio de ficar atrás dos outros me dá uma sensação de ser uma stalker, me esquivando atrás de árvores, escondendo em soleiras de portas  por becos mal iluminados ou fingindo que estou lendo um jornal em um café enquanto vigio discretamente o outro lado da rua. Overdose de Roliúde, certamente, mas certos hábitos não são fáceis de abandonar. Sigo alguns amigos e parentes pra saber o que estão aprontando (suas vidas são tão excitantes quanto a minha, pelo visto…), uns poucos blogueiros, colegas de trabalho que costumam postar links interessantes pra quem faz pesquisas exploratórias no ciberespaço, e um punhado de gente que usa o Twitter para, entre outras coisas, filosofar coisas como estas:

- Ficar pelada na Playboy é fácil. Quero ver andar de biquini na Uniban. (@samara7days)
- Blasé é uma categoria de vinho produzido em Nonchalance, sudoeste da França, e que é muito servido em coquetéis literários. (@aomirante)
- Twitter me lembra a universidade. Começamos discutindo o futuro da humanidade, terminamos querendo saber quem comeu quem. (@apyus)
- Cuidado ao mandar roupas para lavar. Confira se não há dinheiro nos bolsos, pois lavagem de dinheiro é crime e você pode ser preso. (@marcorelho)
- Não me preocupo com a Inteligência Artificial. O que me apavora de verdade é a burrice natural.
- Como disse o filósofo carnavalesco Platãosinho Trinta, o povo gosta de Wittgenstein. Quem gosta de Lair Ribeiro é intelectual. (@aomirante)
- Um chato nunca perde o seu tempo. Perde o dos outros. (@carol_calheiros)
- Aí eu peguei, virei e falei assim, sonho de consumo mesmo é uma fila de caixa rápido de supermercado onde pessoas sabem contar seus volumes. (@claaudio)
- A preguiça é a mãe de todos uns lances aí que eu esqueci e nem vou pesquisar agora porque estou bebendo, fumando e jogando. (@aomirante)
- Novo Orkut. Nova Schin. De onde tiraram que, pra salvar o que é uma merda, basta colocar um ‘novo’ na frente? (@marcurelio)


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8 respostas

9 11 2009
Arthur Golgo Lucas

Oi, Mônica!

Filosofia de Twitter é filosofia de pára-choque de caminhão sem o risco de bater por trás quando se chega perto para ler. :)

Mas, sabe… neste final de semana eu quase entrei em crise existencial por causa do Twitter e da blogosfera. Estive lendo os comentários sobre o caso da estudante da Uniban e descobri que sou um mentiroso, porque pensar dói muito.

A quantidade de bobagens metidas a espirituosas que eu encontrei e a enxurrada de disparates – chegaram a comparar a Uniban à Auschwitz – foram chocantes. Desde a rasteira pataquada de que o episódio foi “mais uma terrível manifestação machista do patriarcado falocêntrico com o objetivo manifesto de relembrar às mulheres que não são donas do próprio corpo” até acusações de que “os manifestantes não gostam de mulher”, só encontrei clichês e uma disposição de promover linchamento idêntica àquela que eles criticam, nunca uma análise minimamente racional e ponderada dos acontecimentos.

Meu único consolo é que tem gente me pedindo para escrever sobre o assunto porque, independentemente de concordar ou discordar de meus posicionamentos, sabe que eu não sou dado ao comportamento de manada. Mas eu não sei se quero entrar nesse tiroteio.

Sugestões?

9 11 2009
Monica

MInha sugestão? Só posso te sugerir o que eu tenho feito ultimamente: correr dos sites com essas notícias. Chega novembro e meus neurônios ameaçam entrar em colapso, só quero coisas leves pra ler e ver. :-P

10 11 2009
Arthur Golgo Lucas

Pois eu tinha escrito uma resposta aqui… tão pequenininha que vai virar artigo no Pensar Não Dói, daqui a um dia ou dois eu volto para colar o link. :)

Resumindo ao máximo: acontece que eu adoro resolver problemas e não dou a mínima bola se o assunto é “pesado” ou não, o desafio intelectual me diverte. Como os melhores (piores?) problemas são os mais pesados, eu acabo falando de uns assuntinhos ótimos como tráfico de drogas, segurança pública, colapso climático, essas coisinhas agradáveis e delicadas.

Preciso arranjar uns “problemas” do tipo “como escolher as flores mais belas e adequadas a seu jardim”. :)

9 11 2009
Arthur Golgo Lucas

“Não me preocupo com a Inteligência Artificial. O que me apavora de verdade é a burrice natural.”

HAAAAAAAAAAA!!!

Eu já dizia isso em 1988, quando comecei o curso de Ciências da Computação! Era o meu bordão predileto quando um colega dizia alguma besteira muito grande em sala de aula! :)

10 11 2009
asnalfa

Menino!!! Tenho graduação em Ciencias da computacao. Quase fui reprovado nessa disiplina. kkkkkkkkkk

9 11 2009
Claudio

Ótimas!!!, ainda existe vida inteligente por aí, e usadas para o mal, hehehehe!!!

9 11 2009
Monica

A internet usada ‘para fins pacíficos’ ainda é das melhores coisas disponíveis na praça, né? A criatividade do pessoal é impressionante! :-)

9 11 2009

lavagem de dinheiro! HAHAHAHAHAHAHAH!

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