Quatro mãos e um violão

10 11 2009

 

Quando eu era pequena, a casa do meu tio era o ponto de encontro da família toda, fosse para o café de sábado à tarde com broa de milho e biscoito frito feitos pela Conceição, as emocionantes partidas de pingue-pongue e campeonatos de futebol de botão dos primos, as festas de final de ano ou para os frequentes saraus musicais. Quando o repertório era Zequinha de Abreu, meu avô, pé-de-valsa e seresteiro de mão cheia, puxava Branca no violão, enquanto dona Amita, professora de piano das primas, encerrava a rodada com Tico Tico no Fubá. Ela dizia que o chorinho devia ser tocado de maneira ‘brejeira e saltitante’, como se fosse uma brincadeira, mas que ninguém se iludisse, aquela era uma peça que de simples não tinha nada.

Pois parece que a Cecília Siqueira e o Fernando Lima, do duo Siqueira Lima, também tiveram uma dona Amita na vida deles, porque nessa versão a quatro mãos o que mais impressiona, além da técnica fantástica dos dois, é o tanto que eles parecem estar se divertindo tocando juntos.

(muitos beijos de obrigado pro Murilo, Flávio e Gabrio que, no maior ‘transmimento de pensação’, me enviaram o vídeo quase ao mesmo tempo!)

 

Outro duo:
Chico e Harpo Marx


Ações

Informações

4 respostas

10 11 2009
Arthur Golgo Lucas

Ge-ni-al!

Nada que eu pudesse dizer descreveria adequadamente um espetáculo assim.

E é a atitude dos dois – frize-se – que dá o tom mágico à apresentação.

Queria poder chegar nesse nível um dia.

10 11 2009
Monica

Ô, ainda dá tempo!!!
Como diz um primo, ‘nunca é tarde quando se diz bom dia…’ :-)
Mas, brincadeiras de lado, o duo é realmente sensacional. Faz a gente ficar na maior ilusão de que tocar assim é facinho, facinho…

E tem umas coisas geniais que às vezes as pessoas não veem logo de cara. Por exemplo, na segunda parte, cada um está fazendo um dedilhado com a mão direita, mas a mão esquerda está tocando as notas do dedilhado do outro. Tem que dividir o cérebro em dois, né? E ainda fazer cara de feliz!!!

13 11 2009
Arthur Golgo Lucas

MInhasantaaquerupita, aí já é demais!

Eu me contento em aprender a tocar teclado direitinho, no nível de saber consertar com um floreio quando cometer um errinho besta, e já está de bom tamanho. Esse nível monstruoso de habilidade, cada um fazendo as notas para o outro dedilhar, eu deixo para a próxima encarnação.

Ao contrário de Salieri, eu considero uma dádiva a capacidade de reconhecer o gênio sem no entanto atingir seu nível de desempenho. Pobre daquele que, perante as maravilhas do mundo, ao invés do prazer da admiração, só consegue sentir inveja.

13 11 2009
Monica

Arthur,
se o seu negócio é teclado, aqui estão Chico e Harpo Marx num quatro-mãos de tirar o chapeu (o acento caiu?). A leveza das mãos do Chico é quase irritante! :-)

Deixe um comentário