Garota de rosa-choque

É o tal efeito bumerangue ou, como diriam os súditos de Sua Majestade, ‘what goes around, comes around’ – o que vai, volta. Lembra daquela turminha sem-noção que resolveu dar uma de patrulha ideológica e sair aos berros por aí, dizendo que a garota da Uniban era isso e aquilo por desfilar pela faculdade (?) naquele micro-vestido rosa-choque de gosto altamente duvidoso? Lembra também da direção da faculdade, que disse que ia expulsar a garota de lá, depois voltou atrás, e tal e coisa? E lembra ainda daquela turma enorme que saiu em defesa incondicional da loura sem-noção, argumentando que cada um devia poder vestir o que bem quiser (aahhhnn, sei…) e que a moça nada mais era do que uma pobre vítima inocente do preconceito machista que povoa o patropi, yadda yadda yadda? E da imprensa sem assunto, lembra, fascinada pelo mundinho das sub-celebridades, que convidou Geisy Arruda para programas ao vivo, fotografou, photoshopou e entrevistou à exaustão, como se ela tivesse acabado de receber o Prêmio Nobel e merecesse a sua, a minha, a nossa atenção?

Eu pergunto pra essas pessoas: estão satisfeitos agora? Acharam que tudo ia se acabar na quarta-feira, depois do desfile na Sapucaí, no máximo numa capa de revista sobre plástica, com horas e horas de maquiagem digital? Nada disso. Vocês criaram um monstro, vocês alimentaram o mogwai depois da meia-noite e deixaram cair água nele, agora ele virou um gremlin e periga sair pelaí, multiplicando-se. Vejam só no que deu.

Pois a Geisy Arruda está entrando no mundo fashion. Tal e qual aqueles vilões que querem conquistar o mundo huahuahua, a moça enfiou na cabeça que deve existir um exército de outras Geisys genéricas, mas igualmente sem-noção, afinzonas e prontas para badalar pelas festas, faculdades e quiçá ambientes de trabalho trajando seus vestidinhos. Sintam o drama: “Meu sonho é que cada menina que for à rua José Paulino possa comprar um vestido provocante como o meu”.

Então, ó, fica a dica. Da próxima vez que aparecer um caso semelhante, envolvendo dois lados de gente potencialmente sem-noção, lembrem-se: façam cara de paisagem, finjam que não é com vocês e saiam de fininho, pronto. Com sorte, a história começa e termina por ali mesmo.

Publicado em 24 março, 2010, em comportamento, opinião e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 13 Comentários.

  1. PQP!
    O pior é que tem gente que vai comprar, ela já deve ter fã-clube e “a porra toda”.
    Tipos assim virarem ícone me assustam.
    Pior, pra mim, foi descobrir que do lado de cá tem tipos iguais ou pior.
    Minhanossasenhoradabicicletinha que me guarde!

    bjs!

    • Eve,
      infelizmente, ou felizmente (é quase um consolo, né…), sem-noção não é privilégio de alguns lugares não, tem é no mundo inteiro. Claro que tem gente que vai achar lindo e vai comprar. Afinal, como diria meu avô, ‘gente é que nem sorvete, tem de diversas qualidades’… :-P
      bjk

  2. “Two things are infinite: the universe and human stupidity; and I’m not sure about the the universe.”
    Só para colocar a Geisy e o Einstein na mesma discussão…
    rs…

  3. “vocês alimentaram o mogwai depois da meia-noite ”
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Ô Muié! vc me fez dar uma gargalhada enorme aqui no meu quarto.
    Mas como é que se mata um gremlin agora?

    • olha, pelo que eu me lembro no filme, a gente até consegue explodir um ou outro no microondas, mas acabar mesmo com os gremlins não é muito fácil não… :-D

  4. Podia ser pior: Arruda por Arruda a menina poderia estar presa e o ex-governador, de vestidinho rosa, fazendo “prástica” pra poder esconder as propinas.

  5. rsrsrs… Achei que foi legal a discussão na época sobre o quão fácil é uma mulher ser julgada, humilhada por essa sociedade machista e que finge que é modernex… Acho que foi válida a repercussão, a discussão.
    Mas agora tem o efeito colateral, né? A menina já gostava de aparecer (mas obviamente não merecia ser humilhada por isso) e de repente o gremlim vai sendo alimentado por essa mídia que sobrevive à base dessas “celebridades alternativas”, rsrsrs…

    • Concordo com você, Laura, e longe de mim sair defendendo aquele bando ridículo que extrapolou todos os limites do bom senso. Não tem justificativa pra uma coisa dessas, né? Não é assim que se discorda da atitude ou opinião de outra pessoa, e achei bom mesmo o pessoal parar pra pensar nisso. Mas também achei o fim a defesa incondicional de uma garota que, a gente podia ver na época e tá vendo agora, estava mesmo era atrás de seus 15 minutos de celebridade. Enfim, agora o perigo é ter um batalhão de geisys genéricas desfilando por aí. ‘Brace yourselves’, como diriam os ingleses (ou ‘se segurem!)

  6. Na época eu cheguei a perguntar se o pessoal queria ler outra análise sobre o caso, mas alguém comentou “pra quê? Já fizeste a crítica ao fazer a pergunta” e eu achei a sacada genial.

    Hoje eu me divirto seguindo os links toda vez que tropeço em algum comentário do gênero. Uma busca no Google por “Geisy Arruda” retorna cerca de 2.340.000 resultados.

    Eu até faço cara de paisagem, mas confesso que estou gargalhando por dentro. :)

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