Enfrentando o bullying

Meu pai dizia, em tom de brincadeira, que assim que os historiadores saíram de perto, Golias desceu o cacete no Davi, pra ele parar com essa mania besta de ficar jogando pedra nos outros. A história do pequenino que derrubou o gigante com a ajuda de sua funda é possivelmente o primeiro ‘real’ exemplo de uma reação ao bullying de que temos notícia e, desde então, casos semelhantes são sempre lembrados quando queremos provar que tamanho não é documento.

O caso é que bullying é algo bem mais complicado – e muito mais doloroso – do que nos fazem acreditar Davi e Golias. Está começando cada dia mais cedo, com crianças cada vez mais novas. Está bem mais violento e cruel, não só no abuso físico, mas também no emocional. Já saiu dos pátios das escolas e do parquinho na frente de casa e alcançou o mundo virtual, onde o anonimato pode tornar os bullies especialmente perversos. É tema de campanha envolvendo celebridades e presidentes, é assunto recorrente nos painéis de discussão e programas de TV. Está ficando cada vez mais corriqueiro, e todo mundo sabe o perigo que é quando essas coisas viram lugar-comum: as pessoas primeiro deixam de se espantar, depois param de se importar.

Então a gente entende quando um vídeo como o do garoto australiano Casey Heynes vira febre na internet. Casey tem 15 anos e há anos sofria nas mãos dos colegas de escola por ser gordinho e boa-praça – um prato cheio para os metidos a valentões. E Casey até era maior do que eles, mas simplesmente não revidava. Quer dizer, isso até ele resolver um dia dar um basta e partir para a reação. Na frente das câmeras dos colegas que queriam justamente mostrar o garoto sendo atacado mais uma vez. Ouvindo Casey dando entrevista depois, a gente vê que tudo que ele queria era que nada daquilo tivesse acontecido. O pai, como tantas vezes acontece, não sabia que a situação de seu filho era tão dramática. 

Não consigo nem imaginar o que é viver assim durante anos, ainda mais sendo uma criança. Nunca sofri bullying; na escola eu às vezes era considerada meio nerd por ser boa aluna, mas acho que seria pedir demais que os meus colegas conseguissem entender que eu, das menorzinhas da turma e míope, não teria a menor chance se não sentasse logo na primeira carteira. O que muitos jovens sofrem hoje é algo muito, muito mais sério do que os empurrões e tapas que os grandalhões costumavam aplicar nos menores em priscas eras. Existem milhões de Caseys por aí, e o problema é que muitos vivem sob ameaça de bullying sem reagir ou chamar a atenção de pais e professores. Este caso talvez sirva para trazer o assunto à tona mais uma vez. Porque esse é um problema que ainda está longe de acabar.
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12 respostas em “Enfrentando o bullying

  1. Na minha época já tinha uns casos bem pesados, coisas de apelidos, apelidos referentes à raca, ser magra, ser gorda, ser negra ou mulata, ter um cabelo que desse pelo menos um cachinho, era vítima na certa. Acho tudo isso um horror.

    Vi o vídeo, agora vou ver o da entrevista, obrigada pela dica.

    Beijo

  2. Ontem, eu vi esse vídeo num blog muito querido (http://npcnaopenteiocabelo.wordpress.com/) e fiquei arrepiada com as palavras de Casey. Fiquei pensando na agonia de viver sob esse terror, porque criança e adolescente sabem ser maus quando querem!!!
    Claro, meu relato aqui é apenas mais um, porque isso se repete a diário. Nunca fui vítima de bullyng, talvez alguma piadinha sarcástica de algum amiguinho, mas nada levado adiante a ponto de eu me sentir aterrorizada. Mas, lembro-me bem de muitos colegas de escola sofrendo com coisas assim. Inclusive, hoje de manhã na TV espanhola, mostrava um jogador brasileiro do Real Madrid, o Marcelo, tendo que escutar a música asquerosa que os torcedores rivais cantavam: “Marcelo, eres un mono…”, no ritmo de “Guantanamera”. A cara dele ao escutar esse “hino” fez minha tristeza vir à tona. E olha que ele é adulto, homem feito. Fiquei pensando: e se fosse uma criança? Que horror…

    • É, a falta de noção é generalizada, né? Agora imagina as crianças ouvindo e vendo o comportamento de adultos sem-noção como esses – vão achar que é OK elas fazerem o mesmo, sem dúvida. Aí fica mais difícil quebrar a corrente.

    • Miniiiina, eu vi isso hoje, que coisa… Até comecei a rascunhar alguma coisa pra virar post. Vejamos o que sai. Um horror mesmo essa história. Thanks por lembrar de mim e enviar o link! :-)

  3. A verdade é que crianças são cruéis, pessoas são cruéis. Quem não ri qdo vê um gordinho fazendo gordice?
    E, ó, fiquei com uma vontade de abraçar esse menino!

    Bjs!

    • É verdade, as crianças podem ser extremamente ‘más’ umas com as outras, e aí cabe ao adulto ir orientando – e coibindo os excessos e as ideias de jerico – pras coisas entrarem nos eixos mais tarde, né não? Quando o próprio adulto (como no exemplo dado pela Karine) não sabe dar o bom exemplo, tá danado!
      O garoto é muito fofo mesmo.
      bjk

  4. Adorei o post..

    Já havia visto o vídeo..e me deu até um arrepio na espinha..
    Tenho um irmão de 15 anos e me APAVORO só de imaginar que ele possa sofrer esse tipo de reação..procuro ser muito amiga dele e dos amigos dele, tento ser o mais presente e próximo possível.
    Não tenho filhos ainda, mas imagino a dor de um pai/mãe que descobre o filho passando por esse tipo de situação e sentir a impotência de saber que o filho sofria e eles não podiam fazer nada, porque não sabiam.
    Quem sabe esse vídeo ajude outros garotos, que assim como ele sofrem essas torturas físicas e psicológicas.

    Um Bejo

    PS : Concordo c/vcs ele é muito fofo mesmo .! =)

    • Também acho, a gente tem que procurar estar sempre atento ao que acontece com as pessoas à nossa volta, principalmente quando se trata de crianças, conversar com elas, observar mudanças no comportamento, o que elas dizem, etc. Não deve ser fácil também para a família descobrir que um filho/irmão está passando por uma situação dessas em silêncio…
      bjk

  5. Monica
    Em uma de suas respostas acima vc se referiu “OK”,
    vou fazer um comentário meio maluco que parece nada a ver, mas tem… no sentido ilustrativo.
    Existem inúmeras explicações sobre a origem desta expressão, mas a que eu já conhecia, consta em – http://pt.wikipedia.org/wiki/O.K.

    Origem na Guerra
    Uma teoria muito escutada é a de que o O.K. vem de um sinal com a mão utilizado pelos soldados norte-americanos, o qual significa que está tudo bem, ou certo. Este sinal lembra um “O” formado com os dedos Polegar e Indicador se encostando nas pontas em forma de círculo, e supostamente forma um “K” com os demais dedos levantados. A informação na guerra é proveniente da identificação de soldados mortos. Quando era feito o balanço da quantidade de mortos diária eram mostrados em números a quantidade, seguido da palavra Killers. Quando o número de soldados mortos era igual a ZERO “0″ a placa de identificação erguida era 0K (zero killers), e assim foi criada uma
    “simbologia de notícia boa”, com o tempo, o ZERO “0″ acabou virando a letra “O” e daí se deu a origem da palavra OK.
    São esses os meus votos, “0″ humilhados, “0″ mortos. OK??? Bjs

  6. Bom eu tipo como sofro um poco de bullyng e é muito xato fico sem graça na frente de meus colegas quando xega uns meninos me apelidando mi sinto como um grão de arroz qe nao serve pra nada e o pior nao tenho coragem de falar pra ninguem tenho medo e tambm vergonha de rirem ou de pior NAO ME AJUDAREM! algumas vezes tento fazer de conta qi não ligo mais sofro muito com isso me seguro para não xorar mais algumas vezes não aguento e pelos cantos da escola começo a xorar e la ninguem liga nem perguntão o qi foi so passam por mim mi apelidando!
    Não por eu ser gorda nem magra mais ficam me chamando de burra de varias coisas me magou com issu qeriam qi entendessem qi todas as pessoas tem coração e qi o meu não é di pedra e doi muito ouvir esses apelidos das pessoas!
    Meu nome não é Amanda não qero falar o nomi verdadeiro pois não qero qi saibam disso!
    tenho 13 anos e porisso digo qi bullyng nao existe idade certa pra issu todos sofrem nao importa a idade emporta se voce teem coragem de enfrentar essas pessoas eu não tenho tenho MEDO! e algumas vezes ate pergunto a Deus por que nasci se foi so pra sofrer!
    Pensso ate em me matar mais iai eu numka tenhu coragem so pensso mais sei qi nao tenho coragem e pra ajudar xego em casa meus pais brigando comigo e ai fico com medo de contar oqi acontesse comigo! issu me corroi e axo qi vai ser por muito tempo! fasso a 8 serie mais desde a 5 sofro bullyng mais cada vez mais esta ficando forte e pior!

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