Meia noite em Paris
Este era um post para falar sobre Meia Noite em Paris, o novo filme do Woody Allen. E eu bem que tentei escrever um texto bem legal, viu gente, tentei mesmo. Vi o filme há uns dez dias e estou com ele aqui na minha cabeça desde então, todas aquelas imagens lindas de Paris, a trilha sonora fantástica, a história deliciosamente maluca – que me fez lembrar A Rosa Púrpura do Cairo - as piadas sutis, os personagens estereotipados e tão incrivelmente divertidos, tudo. Deveria ser até muito tranquilo dar a minha opinião, esse é um daqueles filmes fáceis de assistir uma vez, duas, três, ter em DVD e assistir de novo sempre que estiver à cata de uma historinha leve e inteligente.
Só que tudo que eu tentei escrever ficou aquém, muito aquém mesmo. Desmanchei o post nem sei quantas vezes, porque achava que tinha revelado demais ou que não tinha contado o suficiente. Eu gosto muito do Woody Allen, mas gosto mais ainda quando ele não tenta ser tão Woody Allen e simplesmente escolhe contar uma história sem me dar a impressão de que está fazendo terapia com o dinheiro do meu ingresso. E Meia Noite em Paris é assim, tem todas aquelas várias camadas de assuntos sobrepostos que a gente sempre encontra nos filmes dele, mas acho que ele se cansou um pouco de discutir, racionalizar e tentar entender as doideiras das pessoas e passou simplesmente a mostrá-las pra nós - e cada um que pegue para si a parte que quiser.
É um filme pra quem gosta de Woody Allen e pra quem não gosta também. Mesmo que você não ache Paris lá essas coisas (existe gente que acha isso?), mesmo que você não conheça todos os personagens que cruzam o caminho de Gil Pendler na Paris dos anos 20 – Zelda e F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Gertrude Stein, Picasso, Man Ray, Cole Porter e tantos outros – ainda que algumas piadinhas não sejam tão engraçadas pra você (como Gil dando a Buñuel a ideia pro roteiro de seu O Anjo Exterminador e o diretor achando que a história não fazia o menor sentido), Meia Noite em Paris vale a pena demais. É daqueles filmes que a gente assiste sem o menor esforço, mas que a toda hora faz cosquinhas nos neurônios. Pra mim, pelo menos, esse é o Woody Allen ideal.
Publicado em 30 junho, 2011, em cinema, opinião e marcado como cinema, Meia Noite em Paris, opinião, Woody Allen. Adicione o link aos favoritos. 10 Comentários.
Mônica, vi esse filme na segunda e, como fã incorrigível, também gostei muito. Não faz parte das jóias da coroa do Woody Allen (que começa com e Annie Hall e Manhattan), mas faz bonito e é gostoso. Ao menos, ele retoma um tom mais otimista, depois do soturno “Tudo pode dar certo”.
Uma coisa me impressiona no cara, as cidades são para ele, personagens do filme. Ele ama Paris, assim como já amou NY e Barcelona.
Para quem não assistiu, vale a pena dar uma lida em algo sobre as figuras famosas que aparecem no filme, para não ficar perdido. Eu quase abri a Wikipedia no cinema….
P.S.: Ontem assisti “Blue Valentine”. Não ‘perda’. É aquele tipo de filme que, no final, você se sente tipo “de onde veio o caminhão que me atropelou?”
É sim, as cidades são personagens nos filmes do Allen. Tem como não se apaixonar por Nova York ao assistir Manhattan? No fim das contas, foi até legal ele ter tido problemas para produzir seus filmes nos EUA, porque assim ele pode explorar outras cidades também, e nós é que saímos no lucro.
Não saber quem é não é o problema, continuar não querendo saber é que é dureza – e, infelizmente, um bocado de gente é assim. Eu sabia muito pouco sobre o Man Ray, mas fui pro computador e fiz o para casa depois (tudista é fogo…)!
Vi o trailer do Blue Valentine no cinema e fiquei na dúvida se gostaria de assistir. Gosto muito da Michelle Williams e do Ryan Gosling, só não tenho certeza de que estou no clima para um filme desses. Acho que vou encarar então, thanks pela dica!
Monica
Estava aguardando sua crônica, para me situar,
pretendo assistir, sempre assisto!
Compreendo seu receio em falar menos, ou demais…
Confirmo o que você e o Alexandre comentaram,
agora… esperar para ver!
Algo me chamou atenção: ‘o cartaz’ assinou seu post em grande estilo e, claro me remeteu ao Vincent van Gogh, a bela adaptação realizada com seu quadro ‘Noite Estrelada’.
De fato, um, é extensão de outro, no sentido de que ambos usam o realismo de imagens, com recursos diferentes, e em ‘ver’ e ‘viver’ a vida profunda e intensamente.
Não me recordo quem disse: ‘lucidez demais é loucura’, ambos são lúcidos e transmitem para nós a vida em faces que antes poderíamos não alcançar.
É o que acho puro e verídico em Woody Allen: não importa a idéia que tenham dele, importa sim, a idéia que ‘ele’… tem do mundo, da humanidade!
O complexo, é exposto, para crítica ou aprovação, nisto ele é muito seguro!
Ilustrando seu belo post, deixo-lhe a música de Don McLean e imagens de Vincent van Gogh: ‘Vincent (Starry Starry Night)’, não sei se faz parte do filme… de todo modo…
(existe uma versão com legendas em inglês e espanhol)
BRAVO!!!
Vanilda,
a trilha do filme é uma delícia, muito jazz, muito Cole Porter, não tem Don McLean não (a música é meio melancólica demais para o clima, eu acho). Mas Vincent é mesmo uma beleza, né? Eu também adorei o poster do filme – eles fizeram outros, mas esse é o meu favorito!
Mônica,
Eu também amei a noite em Paris!
Pardon,
Paulo.
PS.: Não perca mesmo o Blue Valentine. É muito bom. Na sessão que eu assisti aconteceu uma coisa que eu nunca havia visto antes: o filme acabou, as luzes se acenderam e ninguém se levantou, ninguém se mexeu. Levou um certo tempo para que todos (inclusive eu) voltassemos ao mundo real.
Sério? Vixe, então tenho que assistir mesmo! Filme bom a gente não deve deixar passar de jeito nenhum… Depois eu conto.
Aaaah! Monica,
muito jazz, bem Woody Allen mesmo, tenho que conferir!!! ‘Mois, voilà… très, très, vite!!!’
De fato, Don McLean, homenageou van Gogh, como não vi o filme e o cartaz, belo como está, mostrando o céu de Paris, me lembrou o pintor…
Abração
a trilha é imperdível. Além do jazz tradicional que ele adora, também tem um bocado de Cole Porter, um show…
bjk
“e o cartaz, belo como está, mostrando o céu de Paris, me lembrou o pintor…”
Devo frisar que foi de bom gosto a escolha do poster, e nele, a utilização da pintura de ‘van Gogh’.
Texto e ilustração perfeitos! na crônica.
Talvez eu não tenha me expressado de forma completa, anteriormente.
Grande abraço!
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