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Contratempos geográficos
Uma vez alguém me disse que estava pensando em passar a lua-de-mel nas Ilhas Malvinas. Achei aquela uma escolha no mínimo muito esquisita mas, né, tem gosto pra tudo nesse mundo de modêus, vai que a pessoa em questão tinha algum passado familiar que a levasse de volta àquele monte de nada na esquina da Antártida? Vai saber. Pedi mais detalhes, e a pessoa foi falando entusiasmada da incrível beleza do lugar, as praias maravilhosas, o mar muito azul, o clima perfeito, tudo assim, tão romântico… E aí ficou óbvio que o destino paradisíaco eram as Ilhas Maldivas. Eu avisei pra pessoa e tal, mas fiquei pensando quanto tempo duraria essa lua-de-mel (ou um casamento inteiro) quando o casal de pombinhos desembarcasse no meio daquele frio.
Daí que, se dois errando a geografia já é uma coisa, imagina uma turma inteira! Outro dia 400 (sim, 400!) valorosos torcedores do Atlético de Bilbao deixaram sua Espanha para prestigiar seu time na final de não sei qual campeonato. Embarcaram felizes, ingressos na mão e tudo o mais, e desembarcaram no maior entusiasmo em Budapeste, na Hungria. Ops. O jogo era em Bucareste, capital da Romênia. E o time deles ainda perdeu, fiquei sabendo depois. Como é que nenhum dos 400 percebeu o erro de 800km a tempo? Que coisa prodigiosa o poder do grupo.
Primavera no outono
Dizem as más línguas que aqui no Brasil só existem duas estações: a do ‘calordapôrra’ e a do ‘friopracaralho’. Do lado de lá do equador tem todo aquele ritual de inverno virar primavera, verão virar outono e tudo o mais, mas aqui a gente tem que prestar a maior atenção pra saber quando entra o novo tempo. E nem adianta espiar o calendário, porque o clima anda doido de pedra e faz frio quando deveria esquentar e esquenta quando é hora de esfriar, não dá pra confiar. Mas, prestando um cadinho de atenção, a gente descobre aqui e ali os primeiros sinais do outono na cidade. Por exemplo, nas quaresmeiras que enfeitam muitas ruas e jardins. Enquanto lá em Washington DC as cerejeiras explodem em flores pra avisar que o inverno já deu o que tinha que dar, em Belo Horizonte é tempo de primavera em pleno outono.
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cerejeiras em Washington DC (Bonnie B. Sutton – copyright) e quaresmeira em BH
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Uma foto: Kilkenny, Irlanda
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Para um autêntico dia de St. Patrick, um pub super simpático em Kilkenny (ou Cill Chainnigh, em irlandês), no sudeste da Irlanda. Parada obrigatória para uma pint da cerveja local, que é fabricada na região desde o século 14. E para ouvir boa música, complemento indispensável em qualquer pub irlandês que se preze.
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Manhã de Carnaval
Porto Seguro, BA - foto: Andréa Mello (copyright)
Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer…
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(Preta Pretinha – Os Novos Baianos)
BH, quase irreconhecível
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Belo Horizonte completa 114 anos amanhã. Como toda senhora de certa idade, a capital está repleta de ziguiziras e problemas crônicos: trânsito caótico, verticalização das construções, deficiências sérias na saúde, educação, transporte, lazer e tudo o mais, uma classe política do mesmo ‘nível’ do resto do país – o que não é elogio nenhum. Mas está soprando velinhas e tals, então a gente faz exatamente o que faz com os aniversariantes numa ocasião dessas: enfeita, dá um upgrade no visual e escolhe os melhores ângulos na hora de bater a foto. Assistindo ao vídeo, fica até difícil reconhecer alguns desses lugares. Mas talvez seja assim que as pessoas de fora a vejam, bem mais bonita e agradável do que para quem tem que encará-la no dia-a-dia. Mesmo com todos os seus ‘poréns’, esta ainda é uma cidade bacana para viver. Tudo bem que éramos para ser coisa de duzentos e poucos mil por aqui, e já somos 2 milhões e meio, e tá ficando cada vez mais difícil chegar pro lado pra caber mais um, mas é só olhar pra beleza da Serra do Curral (não tentem fazer isso pelo lado de Nova Lima, ali tem mais serra não) ou sentar num botequim com os amigos pra tomar uma, que a gente se esquece dos problemas rapidinho e simplesmente curte a cidade e acha tudo bom demais da conta.
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And the winners are…
Vinte e oito é pouco. Sete é muito pouco. Não tem número suficiente pra gente listar o que ainda existe de lindo e imperdível pra se conhecer nesse mundo. Mas o pessoal tem que inventar moda de tempos em tempos, modosque resolveram escolher as Sete Maravilhas da Natureza, democraticamente eleitas através do voto direto da galera na internet. E eis que a brasilândia contribui agora com duas dessas maravilhas: a floresta amazônica e as Cataratas do Iguaçu. As outras 5 maravilhas são Table Mountain (na Cidade do Cabo, África do Sul), a baía de Halong (Vietnã), a ilha de Jeju (Coreia do Sul), o Parque Nacional de Komodo (Indonésia) e o rio Puerto Princesa (Filipinas). Tudo muito lindo, claro, mas eu não deixaria o Grand Canyon de fora de jeito nenhum…
PS- a lista oficial, depois de todos os votos contados, sai no começo de 2012.
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