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primavera

Habemus primavera!
(com direito a chuvinha e cheiro de terra molhada, depois de 117 dias sem uma gota…)
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(Lapinha da Serra / MG  -  foto do Jay – copyright)

Onqofui: cachoeira do Bicame

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É uma das cachoeiras mais lindas que eu já vi na vida (e olha que, mineira que sou, já vi um bocado delas por aí). E perfeita: o lugar é simplesmente de tirar o fôlego (de beleza e porque, pra se chegar até o poço, são mais ou menos 10km de ida e outros 10 de volta), a queda é um espetáculo - algo em torno de 30m, mas eu sou uma negação pra calcular espaços – a cachoeira fica no sol durante boa parte do dia (e você vai agradecer muitíssimo depois de sair da água gelada), e só o caminho já valeria o passeio, com uma trilha bem demarcada e sinalizada, vales belíssimos, jardins rupestres e uma vista do ‘mar de montanhas’ que é uma coisa de louco.

Pra gente chegar até lá, saímos de Lapinha da Serra de carro, passamos pela primeira porteira da fazenda, e na segunda encontramos o sêo Raimundo, que passa o dia na entrada controlando o número de visitantes. É que a cachoeira do Bicame fica dentro de uma RPPN (Reserva Particular de Patrimônio Natural) e, embora o acesso seja gratuito, apenas trinta pessoas podem entrar a cada dia. Não me perguntem sobre o que falou o sêo Raimundo, com seu sotaque mineiro fortíssimo, uma avalanche de frases e causos e nomes um atrás do outro, se a gente não colocasse um ponto final na prosa, estaríamos lá até agora. Ali na segunda porteira deixamos o carro, porque o resto do caminho só dá pra ser motorizado se você tiver um jipe dos bão. Dá uma hora e meia de caminhada até a terceira porteira, onde fica a casa da fazenda, e onde é possível encher a garrafinha (ou ‘as’) de água direto na bica - porque, galera, ainda tem mais uma hora e meia de pé no chão até chegar na cachoeira.

Mas é tudo muito tranquilo, as subidas de morro (que grazadeus viram descidas na volta, quando a gente já está bem mais cansada) não são difíceis e, claro, é sempre hora de dar uma paradinha para admirar a beleza da região, fotografar as zilhares de espécies diferentes de flores nos jardins rupestres e fazer um lanchinho providencial. E o silêncio, gente, que maravilha poder andar um pouco ouvindo só o barulho do vento e um ou outro passarinho nas árvores (difícil é manter o pessoal calado com tanta coisa bonita pra comentar, mas o truque é ficar um pouco pra trás no grupo). Aí você contorna uma montanha e chega na parte mais alta, e lá do alto você vê a cachoeira lá embaixo (sim, um último trechinho morro abaixo e provavelmente os metros mais difíceis na volta), no silêncio a gente só ouve o som gostoso da água caindo, coisa mais linda.

Como essa é a cachoeira mais distante de Lapinha, pouca gente se aventura na caminhada, e isso quer dizer que tivemos o lugar só pra nós por um bocado de tempo, até aparecer uma meia dúzia de gatos pingados. E como o poço é muito grande, tinha espaço pra todo mundo com sobra (porque, gente, cachoeira com muvuca é o fim da dinastia, né?). O caminho de volta, apesar de ser rigorosamente o mesmo, parece diferente na luz da tarde (o ideal é sair o mais cedo possível na ida, pra fugir do calorão do meio do dia), o sol amarelo do outono batendo no paredão da montanha, flores que a gente não tinha visto antes, mais um outro lanchinho e a parada estratégica pra reabastecer as garrafinhas de água. Olha, não tem explicação o tanto que o lugar é bonito, o tanto que a caminhada é boa, o tanto que vale a pena encarar os muitos quilômetros (botas e boné são muito recomendáveis) para ter uma visão como essa. E, pros mais animadinhos (eu não ‘se’ dou com água gelada de jeito nenhum), cair no poço e nadar até à queda e tomar uma ducha radical. Olha, a gente volta pra doidolândia depois de um feriado desses com as baterias recarregadas.

fotos da Lapinha

O bacana da câmera digital é que você pode tirar militrocentas fotos sem dó nem piedade (lembra quando a gente ficava na maior sovinice com os rolos de filmes?). Depois, em casa e com calma, é só selecionar o que ficou bom, ajustar tamanho e resolução e tudo o mais. O problema da câmera digital é que você pode tirar militrocentas fotos sem dó nem piedade, mas depois tem que sair selecionando e ajustando tudo. Tudo bem quando é uma câmera só e você resolve ser econômico nos cliques, mas quando são pelo menos três fotógrafos desesperados, o processo de seleção da montanha de material pode levar uma vida. Então eu resolvi escolher mais ou menos um tantinho das fotos de Lapinha da Serra, só pra vocês verem como o lugar é bonito (o caminho é tortuoso, mas a vista vale a pena!). As fotos estão aqui.

Jiboiando

 

Literalmente. Esta simpática jiboia estava, aparentemente, fazendo a siesta bem no meio da estrada de terra para Lapinha da Serra e ocupava o caminho quase todo. Não se incomodou nem um pouquinho com o jipe manobrando com cuidado pra não passar por cima dela, nem com os inevitáveis cliques das câmeras. Ali estava, ali ficou. Deve ter pensado: “turistas de cidade grande… humpf!”

Voltando de-va-ga-ri-nho

Pois é. Como vocês podem ter percebido – ou não – eu não estava aqui. Quer dizer, estava graças ao sistema de postagens agendadas do WordPress, mas eu, ‘enquanto uma pessoa a nível de ser humano’, estava colocando os meus neurônios de molho em Lapinha da Serra – MG, no meio do nada, quilômetros e quilômetros de estrada de terra, léguas distante de qualquer antena de celular, internet então, totalmente fora de cogitação. Só ontem de noite foi que fiquei sabendo que não voltei de lá trilhardária, então Bora Bora vai mesmo ficar pra uma próxima. Problema nenhum, Lapinha tem beleza de sobra, São Pedro foi camarada mas olha, descobri músculos no meu corpo cuja existência desconhecia completamente (gostaria de deixar aqui meus mais sinceros agradecimentos ao Dorflex, sem o qual provavelmente ainda estaria me arrastando pela casa), eram trilhas e mais trilhas.

Enquanto tento me reorganizar e parar de rodar pela casa que nem enceradeira solta, sem saber por onde começar a cortar pendências, vai aí uma amostra gratis do lugar. As fotos são do Jay, porque eu ainda nem consegui achar o cabo de conexão da minha câmera, mas prometo que depois eu posto também.

E um feliz 2010 pra todo mundo!

 

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