O ET de Araraquara

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As instruções vindas da Nave-Mãe tinham sido claras, a ordem pelo rádio era inequívoca: favor redirecionar o disco para Araraquara.  O ET-piloto já estava ficando cansado daquela história de mudança de planos. Toda vez que falavam que ‘desta vez vamos pousar no Central Park’, ‘agora nós vamos sobrevoar a Torre Eiffel’, ‘o Ano Novo vai ser com direito a espetáculo pirotécnico em Copacabana’, ele já sabia: no final das contas o chefe mudaria tudo e eles acabariam em lugares como Roswell e Varginha, totalmente fora do mapa, ninguém nunca tinha ouvido falar. Agora a bola da vez era Araraquara.

Essa mania de escolher destinos de viagem na base do sorteio só podia dar nisso mesmo. Na viagem de 1969 falaram que era pra descer numa fazenda perto de Nova York, mas foi tudo cancelado na última hora porque estava tendo um festival de música por lá. E do jeito que estava a carga de sexo, drogas e rock’n’roll, ver disco voador por ali não causaria o menor impacto. A missão foi abortada, não deu nem tempo para umas comprinhas na Bloomingdale’s na volta.

O ET-piloto sacudiu lentamente a cabeça (muito maior do que o corpo e sustentada por um pescoço fininho, tinha que ter cuidado): quem era o responsável pelo marketing daquilo? Onde é que esse idiota estava com a enorme cabeça para escolher uma cidade que o pessoal da CNN e da BBC – sem contar a turma da TV5 francesa e da Deutsche Welle –  não conseguiria pronunciar direito? Podiam pelo menos ter escolhido Itu, que é facinho de falar. Araraquara ía dar problema, ele tinha certeza; alguém já tinha sugerido uma ida a Itaquaquecetuba, mas ninguém do projeto conseguiu soletrar e o nome foi tirado do saquinho do sorteio a tempo .

Essa avacalhação ainda ía comprometer a credibilidade deles. O pessoal da genética já estava reclamando que só pés-rapados eram abduzidos, ninguém se lembrava de levar uns exemplares mais caprichados. Era pra melhorar a espécie, não era? Então que levassem o Brad Pitt e a Angelina Jolie de uma vez, estamos conversados. Com sorte, ela até adotava um ET órfão, ía dar o maior ibope. Ele até já podia ver seu nome estampado nas manchetes, os flashes dos papparazzi, o Schumacher pedindo pra dar uma volta na nave, entrevista no Larry King, lançamento de  livro na Oprah, fotos na Caras, quem sabe até um contrato pra posar na Playboy ou na GMagazine (é, esse negócio de não saber se pertencia ao gênero masculino ou feminino era um problema…).

Mas não; alguém do Departamento de Novos Projetos, um daqueles burocratas que não sabiam coisa nenhuma, tinha cismado que agora era a vez de Araraquara. Paciência. Desanimado, o ET-piloto ligou o monitor na frequência do YouTube. Ali, na maior cara de pau, dois rapazes diziam ter feito um vídeo que mostrava um suposto disco voador sobrevoando justamente a cidade de Araraquara, no estado de São Paulo. Mas era brincadeira, diziam, tudo trote, era só um desses ‘virais’. O ET-piloto suspirou. Agora danou de vez…

6 respostas em “O ET de Araraquara

  1. Gostei do texto. Coitado desse ET!! Vai ver os burocratas da galáxia dele resolveram espionar os burocratas daqui e copiar algumas coisas. Pode um negócio desses? Bjos.

    PS. Vou copiar este, ok? Obrigado desde já.

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