Numa palavra: Bravo!

Comece assim: assista a este vídeo aqui embaixo. A orquestra toca dois números: o primeiro deles  é o segundo  movimento da Sinfonia no. 10 de Shostakovich e dura uns quatro minutos. E se ‘Shosta’ não for muito a sua praia, vá para mais ou menos 6.30 min.  Aí você terá o empolgante Danzón no. 2, peça do mexicano Arturo Márquez. Você pode prestar atenção em um monte de coisas no vídeo (as violas, lindas, entrando em 8’09”; o solo da spalla em 11’18”; o final vibrante com os metais a partir de 13’57”), mas eu vou sugerir uma: a seriedade e a compenetração dos músicos, contrastando com o sorriso largo e o entusiasmo do maestro, ninguém menos do que Gustavo Dudamel, hoje regente e diretor artístico da Filarmônica de Los Angeles, com apenas 28 anos.

 

 

Agora pasme: os músicos têm entre 15 e 17 anos e vêm, em sua maioria, das classes média-baixa e baixa de toda a Venezuela. Eles integram a Orquestra Jovem Teresa Carreño, um dos muitos grupos formados a partir do El Sistema, um projeto visionário de José Antonio Abreu, que há 35 anos leva a música a jovens de todas as idades e classes sociais do país, muitos deles (como o próprio Dudamel, ex-aluno do projeto) vivendo em periferias extremamente pobres e violentas.

Ao receber mais uma premiação internacional, Abreu fala da relevância de um projeto como esse para jovens que se encontram, em muitos casos, em situação de risco social. No nível pessoal, há a constante busca do aprimoramento através da disciplina, do empenho, da colaboração com o grupo, consequências naturais de se trabalhar com uma orquestra. Na esfera familiar e comunitária, o aumento da auto-estima por ter seu valor reconhecido pelo grupo e por ser um modelo para sua comunidade. Sem contar a capacidade que a música, mais do que qualquer outra arte, tem de tocar, emocionar e empolgar as pessoas nas mais diferentes partes do mundo.

A partir dos dezoito anos, vários desses meninos e meninas passam a integrar a Orquestra Jovem Simón Bolívar, considerada hoje uma das mais importantes do mundo.

Tenho alguns amigos venezuelanos que afirmam que, dada a situação atual,  eles têm pouco do que se orgulhar no país. Eu diria que quem tem uma figura como a de José Antonio Abreu e orquestras como essas não tem com o que se preocupar.

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14 respostas em “Numa palavra: Bravo!

  1. “Que qui é isso sô??” As vezes dizem que um palavrão é bem colocado em uma frase ou diálogo; aqui é o caso: P. Q. P !!!!! A gente fica sem palavras para expressar o que sentimos ao ver este vídeo. E o seu último parágrafo é perfeito:
    “Tenho alguns amigos venezuelanos que afirmam que, dada a situação atual, eles têm pouco do que se orgulhar no país. Eu diria que quem tem uma figura como a de José Antonio Abreu e orquestras como essas não tem com o que se preocupar.”
    Valeu Mônica.

  2. Jô,
    meu avô materno também achava um desperdício usar palavrão só nos momentos de raiva. Ele tinha um repertório para as mais diversas ocasiões, e seguramente teria um para essa apresentação!
    Apareça! 🙂
    bisous

  3. Meninos Jô e Mônica,
    um dos lados bons d’O Pasquim foi a forma de dizer as coisas em plena censura prévia da ditadura e do AI-5.
    Em homenagem aos pasquineiros como eu fui e ao povo venezuelano, farei uso duma expressão que eles criaram: DUCA ! ! !
    Não precisa dizer que é uma expressão do caralho, né?
    Esta é a exata medida da Orquestra Jovem Teresa Carreño.
    DUCA ! DUCA ! DUCA ! DUCA ! DUCA !
    Tenho dito

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