Mistérios insondáveis

Existem muitas coisas que eu gostaria de fazer muito bem. Ou pelo menos melhor do que faço agora. Já dá pra contabilizar algumas habilidades muito bem desenvolvidas, mas como viver é um processo de aprendizagem (por vezes longo e tortuoso), algumas coisas ainda são um completo mistério para mim:

nado borboleta

– o nado borboleta: eu consigo entender o crawl, que é o mais eficiente; o peito, que é relaxante e eu posso nadar durante horas; o costas, para aqueles momentos em que enfiar o nariz dentro d’água está fora de cogitação. Mas e o borboleta, quem entende? Só consigo imaginar que tenha sido criado para apaziguar a ira dos fotógrafos, cansados de fotografar piscinas, e só. Meu nado borboleta está mais para uma jubarte saindo do mar.

quebra cabeças

– quebra-cabeças de 5 mil peças. Aqueles pra gente montar o skyline de Manhattan à noite ou o Everest no inverno então, sem chance. Coloco exatamente 4 peças – as dos cantos. As outras 4.996 me parecem rigorosamente idênticas e minha paciência pra elas atinge o zero absoluto em tempo recorde.

lápis de cor

– desenhar. Meus alunos se encantam com o gigantesco acervo de fotos e gravuras que tenho, mas na verdade isso é consequência de uma verdade nua e crua: meu desenho é mais infantil do que o de uma criança de 5 anos. Até que eu consigo copiar, se eu tiver tempo e concentração para isso, mas da minha cabeça uma nuvem, um carneirinho e um cérebro saem no papel absolutamente idênticos. Tenho um vizinho que é pintor e cria telas enormes, coloridas, lindíssimas. Mó inveja. Eu estou mais pra Miró, sem que isso signifique a simplificação consciente do traço.

trena

– dimensões. Se você me disser que daqui até ali tem 10 metros ou 20, eu vou acreditar na sua palavra. Não consigo olhar para uma sala e dizer com aquela cara de expert: ‘hmmm, este cômodo tem 7×5, então o sofá de 2m cabe aqui e eu posso colocar essa mesinha de 45cm ali’. Se você me ouvir falar assim, pode acreditar – eu não faço a mínima ideia do que estou dizendo.

chef and onions

– receitas. Não, eu não passo aperto na cozinha, e até tenho feito grandes progressos. Mas pra se dar bem nessa seara, é preciso ver culinária como uma forma de arte, e pra mim cozinhar está mais para uma ciência. Daí que quantidades tais como ‘meia  xícara’ (quando não sei se sua xícara é igual a minha), ‘uma pitada’ ou ‘uma colher bem cheia’, e instruções intrigantes do tipo ‘mexa até adquirir consistência’ (consistência de quê?) e ‘mexa até ver o fundo da panela’ (se eu vir o fundo da primeira vez, já posso parar de mexer?) fazem tanto sentido pra mim quanto uma explicação técnica sobre o mercado de ações.

tricô

– trabalhos manuais. Minhas avós bem que tentaram, com aquela paciência que só as avós têm, mas sabiamente desistiram antes que começassem a ter ímpetos de me espetar com a agulha de crochê. Conheço gente que olha para peças de cerâmica, bijuterias e paninhos em ponto de cruz e acha tudo a maior bobagem, de tão fáceis de fazer, tudo super terapêutico e relaxante. Pas moi. Eu esgoto os meus neurônios e o resultado costuma ser bom pra jogar fora.

Mas enfim. Se aquela história de física quântica e universos paralelos for verdade mesmo, deve ter uma eu por aí se esbaldando. Enquanto isso, eu fico do lado de cá mesmo, com todas essas lacunas no currículo…

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12 respostas em “Mistérios insondáveis

  1. Poxaaaa fiz natação a vida toda e nunca consegui fazer o tal nado borboleta… meu instrutor ficava pasmo… mas cheguei a conclusão que eu nao tenho toda essa coordenação motora e muito menos força e fôlego pra levantar os braços daquema maneira audaciosa enquanto minhas pernas ficam juntinhas esperando dar um chute na água. 😦

    Quebra-cabeças??? Que isso??? Só de pensar num de 5 mil peças minha cabeça ja quebrou e a paciência foi na estaca zero…. nervosinha… hahahah!

    A unica coisa que sei desenhar bem é dois morros e entre eles um sol. Na frente uma casinha e do outro um laguinho. Acabou. Over.

    Realmente… eu não tenho a minima noção sobre dimensões… acho que no dia que eu construir minha casa, vou ter que gudar uma fita métrica em mim pra poder sair a comprar os móveis por ai… medindo tudo. Hahahah.

    Aiiiiiiiiii COZINHA, como eu amo cozinhar… minha vó e minha tia dizem que tricotar é terapêutico, mas discordo… já que pra fazer mantas, cachecois e ponto-cruz em toalhas e coisas meigas eu não tenho a mínima, mas a mínima habilidade… agora pra cozinhar… hummmmmmm…. adoro misturar temperos, criar uma comida diferente… pegar receitar e mudar ingredientes… mas uma coisa que concordo é quando falam em “pitada”, “meia xícara”, “3/4 de xicara”… nunca sei nada disso… deve ser por esse motivo que amo cozinhar, nunca sigo 100% as receitas. Hahahaha.

    Falei demais!

    Bjooooooooooo

    • Você descreveu a sua ‘pintura’ e ela é exatamente o que eu consigo desenhar, hehehe… Talvez seja um novo conceito de art naïf!!! 😛

      Pois é, as medidas de culinária me deixam louca. Hoje já sobrevivo muito bem na cozinha, por muita necessidade e um pouco de curiosidade, e é claro que ir pra beirada do fogão vez ou outra é muito divertido (o dia-a-dia é que é dureza!).

      O engraçado com as dimensões é que isso não acontece quando estou manobrando meu carrinho. Enfio ele em cada vaga que você precisa ver! O pessoal fala ‘não cabe’, eu falo ‘cabe sim’, e não é que no final cabe, e sem destruir o da frente e o de trás??? 😛

      bisous

  2. Moniquinha, liga prisso não.
    Quem cria um blog tão gostoso como este tem variados perdões, dentre eles o de passar sem provas em Trabalhos Manuais.
    Beijim,

    Stélio

    PS: há muitas luas, cara-pálida, quando eu estava no ginasial, havia um cadeira de Trabalhos Manuais. Pode?

    • Stélio,

      que bom, vou fazer de conta que meu trabalho manual é manter o blog então! Mas bem que eu queria dar conta de algumas dessas coisinhas… 🙂

      Eu também tive trabalhos manuais na escola, na cadeira de Artes. Era uma daquelas matérias que ninguém sabia o que fazer com ela, tipo Educação Física, Moral e Cívica (credo, lembra disso? coisa de ‘curso primário’ nos anos 70, e curso primário nem existe mais, hoje é ensino fundamental) e Cultura Religiosa, então era o maior samba do crioulo doido, cada hora inventavam uma coisa e nunca era coisa nenhuma!!!

      bisous

  3. Cozinha eu passo longe, mas crochê e tricô já fiz ‘monte de coisa! Agora, meu fraco, fraco mesmo, são os puzzles. Mônica, eu me lembro, quando na faculdade, fui à sua casa e tinha um quebra-cabeça (ainda tem hífen?) meio montado no cantinho do andar de cima….?!?

    • Lá na casa de mâmi? Nossa, deve ter sido coisa do meu irmãozinho, ele era viciado nesses quebra-cabeças ou quebracabeças (tou quebrando a cabeça pra lembrar se o hífen continua…). Crochê e tricô acho que eu não consigo nem passar a linha/lã pelo buraco da agulha!!! 🙂
      bisous

  4. dei boas risadas com tuas “lacunas curriculares”. tenho várias também. qualquer dia escrevo um post sobre isso também. bjs.

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