Horário de verão

St. James's Park veste as cores do inverno

St. James’s Park veste as cores do inverno

Amanhã/depois de amanhã é dia de adiantar o relógio uma horinha, dia em que os jornalistas vão receber a pauta para a próxima edição do jornal e suspirar e dizer ‘oh, céus! de novo?’, para depois saírem às ruas para entrevistar os populares e perguntar se eles gostam ou se odeiam o horário de verão, e vai ter gente dizendo que abomina porque sai de casa com o dia ainda escuro e a moçada da praia vai dizer que adora porque sai do trabalho e dá tempo de dar um mergulho ou tomar um chopp com os amigos com o dia ainda claro. E os médicos vão explicar pela milésima vez o que acontece com o nosso relógio biológico quando o relógio de pulso ou de parede é adiantado uma hora, e aí vão te orientar sobre como se ajustar a essa mudança de rotina, e os nutricionistas vão dar dicas sobre o que comer para ter uma boa noite de sono e manter o corpo em equilíbrio. Yadda yadda yadda.

E eu, que durmo em qualquer lugar, com qualquer luz e qualquer barulho, basta ter sono, e não tenho qualquer restrição alimentar e não deixo que meu humor se altere por causa de um levantar ainda no escuro, vou me adaptar rapidinho e me alegrar com a possibilidade de um chopp com os amigos após o trabalho e um voltar para casa ainda com dia claro. E vou me lembrar de manhãs bem mais difíceis em um distante inverno de 1991 do outro lado do equador, quando saía de casa de manhã bem cedo ainda com o céu escuro e talvez estrelas no céu (se fosse possível ver estrelas naquela cidade), os termômetros em 8 graus negativos, quando nevava e chovia ou nevava com o céu muito azul e um vento de gelar os ossos, uma neve e um frio que não apareciam por ali há tempos, e eu e os meus amigos passávamos o dia inteiro trabalhando na escola e depois saíamos às cinco e já era noite de novo, e eu em nenhum momento pensei no meu relógio biológico. E foi assim que aquele inverno absurdamente frio de 1991, numa terra que nem era minha, que nem tinha sol nem praia nem chopp gelado depois do trabalho, me fez ver que nada precisa ser assim esse drama todo, a gente entra e sai do horário de verão e do frio do inverno e pronto, uns mais felizes, outros mais arrastadinhos e com mais preguiça, mas no final a gente faz uma forcinha e põe um ‘cadiquinho de boa vontade na vida e tudo fica muito mais leve.

17 respostas em “Horário de verão

  1. Ai em bh é bar ao inveis de mar! Por isso que o povo nao se importa muito. Mesmo assim muito boa sua colocação sobre o jornalismo.
    mas o que é yadda?

    • Asnalfa, por aqui é bar mesmo, ‘muito de com força’! Segundo as estatísticas, é a maior proporção de bares-por-habitante: são 2,5 milhões de pessoas e 12 mil bares registrados (sem contar aqueles improvisados de fundo de quintal…). Dá até medo de pensar em que time vem pra cá na Copa. Se forem os ingleses ou os alemães, conhecidos beberrões e encrenqueiros, nós vamos ter problemas.

      ‘Yadda yadda yadda’ é como se fosse ‘blá blá blá’… 🙂

  2. Oi Mônica!

    Nossa, já vai mudar o horário? Eu nem estava sabendo!

    Bom, mas tá aí uma coisa que não me importo, ou até gosto.
    Tem gente que faz o maior escândalo com esse horário de verão, como se toda a vida da pessoa mudasse. Quando na verdade, analisando friamente, só muda a luminosidade do dia em horários diferentes.

    É como entrar e sair das estações, como vc disse. É encarar com naturalidade.

    Beijos😀

    • Menino, você andou em universos paralelos??? Sumidíssimo, até mesmo do seu próprio blog…🙂

      Pois é, tem gente que diz que não se adapta de jeito nenhum. Não sei se eles exageram ou se sou eu que me ajusto rapidinho a essas mudanças e não fico fazendo muito drama. Tem tanta coisa mais importante pra tirar a gente do sério, né? Uma horazinha de nada não me afeta. O calor insuportável, sim, me irrita um pouco. Mas mesmo assim é muito mais da boca pra fora, num minuto eu tiro o sapato, boto o cabelo pra cima e vou tomar um sorvete e voilà, acabou-se o problema!

      A gente tem que simplificar as coisas, né não?
      bjk

  3. Pois é, ando por universos paralelos…hahaha.
    Eu não queria comentar, para não entrar em assuntos de física e tal… mas qualquer dia eu conto como é isso.🙂

    Ando sumido mesmo do meu blog, do MSN e do Twitter. Nos universos paralelos que visito, não tem disso, acredita? Que sacanagem!

    Mas eu NUNCA deixo de ler o seu blog, e de vez em quando deixo um recadinho também. EU gostcho mutcho.😀

    Que pena que não vou trab. esse sábado à noite, iria trabalhar uma hora a menos…😀

    Beijo!

  4. A gente podia mandar pra eles a sugestão de reimprimir o mesmo suplemento sobre horário de verão todos os anos, só mudando a data, sairia bem mais barato.🙂

    Olha, eu não gosto é de ter que mudar de ritmo todos os anos, mas o horário de verão só não me afeta porque eu nunca tive horário para nada, mesmo. Perdi dezenas de primeiros períodos da escola no único ano em que estudei de manhã e de tarde, depois nunca mais marquei compromissos para antes das 10h da madrugada. Se tem uma coisa que não me apetece é obedecer o relógio ao invés dos ritmos do meu organismo.

    Para mim o dia tinha que ter 28 horas. Duas horas a mais de sono e duas horas a mais de vigília me fariam muito bem. Dizem que o Krakatoa alterou tanto o eixo de rotação da Terra quanto a duração do dia, que teria ficado alguns milésimos de segundo maior. Será que não rola de um vulcãozinho maneiro aumentar em quatro horas por dia o tempo de rotação da Terra, faz favor?😛

    • Imagino o tamanho do estrago que precisaria ser, né Arthur? Se o Krakatoa foi aquilo tudo e só fez cócegas no relógio, 4 horas por dia teria que ser über hecatômbico!🙂

      Pois é, e eu sou definitivamente uma ‘morning person’. Acordo às seis da manhã no maior bom humor e só preciso de umas seis horinhas de sono de beleza (hhmmm… pensando bem, isso pode explicar algumas coisas na minha vida, tenho que consultar a Gisele Bündchen!). Eu me adapto rapidinho e entro no esquema num piscar de olhos. Às vezes demora um pouquinho mais, mas nada muito dramático.

      Mas eu TENHO que dormir, eu PRECISO dormir, fome não me transtorna em nada, mas querer dormir e não poder realmente me tira do sério…

      • Adorei o “über hecatômbico”.🙂

        Eu tive uma namorada “morning person”. No início foi meio complicado, ela caía de sono no meio dos programas e me acordava de madrugada no dia seguinte, sendo que eu não funciono a pleno vapor antes das 14h nem que a vaca tussa.

        Com o tempo fomos aperfeiçoando o convívio. Ela parou de implicar com a internet (ela ia dormir e eu ficava teclando) e eu de vez em quando fazia um café da manhã pra ela, servia na cama e quando ela levantava é que eu ia dormir. E quando eu acordava já havia almoço engatilhado ou pronto. Mas das 14h às 24h a sincronia era boa.🙂

        Sono é fundamental para minha qualidade de vida. Durmo entre 8h e 9h e acordo bem, mas se bobear durmo 10h, 11h sem o menor problema.

        Conheço Gente que dorme 6h / dia e está bem. Isso funciona comigo *um* dia. No segundo dia tem que rolar 9h de sono ou começo a bater pino. No terceiro dia viro urso.

        Ah, devia ter um jeito menos über hecatômbico de fazer o dia ter 28 horas…

  5. Bão, horário de verão aqui no Nordeste ‘tem não. Segundo um exgovernadoratualsenadordoPiauímuitoconhecido, Mão Santa, “estamos no horário de Deus!”
    Quanto a acordar cedo, SAI PRÁ LÁ! Qualquer horário antes de meio-dia pra mim é madrugada. Já a madrugada “mêsmo”, “de Deus” como diria Mão Santa, prá mim e dia alto… também, a melhor programação da TV é nesse horário.

    • Hahaha, adorei essa do ‘horário de Deus’!
      O Paulo costuma dizer ‘horário na vida real’, mas a versão do Mão Santa é dez!!! 😀

      Aaahhh! Os irlandeses e os australianos eu quero aqui sim! Esses sabem beber e continuar divertidos! Se a Nova Zelândia vier fazendo a haka, aí a festa vai ser completa!!!

      Uia, você também anda sumidinha…
      bjk

  6. Eu também não vejo nada de mais (apesar de ter que acordar as 5). Eu também gosto de ter a sensação de ter mais tempo a tarde, principalmente quando a gente está com alguma tarefa atrasada para a aula do dia seguinte e pensar que tem mais um tempo pela frente. Mas eu também me lembro (e como!) do hoarário de inverno em Bournemouth, 1981. Achava o maior barato sair da esola as 4 da tarde parecendo que eram 6 horas, já escurecendo. Fora o friinho, e não era inverno ainda, de rachar o nariz. Já em 1995, em Norwich, custava a dormir pois 9 da noite o sol estava acabando de se por. Quantas lembranças!!!!!

    • Pois é, Chris,
      esse negócio de ter quatro estações definidas dá nisso!🙂
      No verão a gente tem que fechar as cortinas pra dormir, porque dez da noite ainda tá claro. No inverno, nem o dia tem claridade suficiente, porque o sol meio que passa só pela linha do horizonte, a gente fica esperando aquele clarão e nada, é só aquela coisinha fraquinha, tipo lámpada de 40w…
      bjk

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