O primeiro Rock in Rio a gente nunca esquece

Eu me lembro como se fosse hoje. Aliás, me lembro como se fosse ontem, porque foi num 11 de janeiro de 1985 que eu e  Átila despencamos para Jacarepaguá pra ver o primeiro dos dez dias do festival de roquenrôu. Nossa missão principal era ver o Queen, naturalmente, que era paixão confessa desde a infância, mas até chegar lá teríamos que encarar outros artistas, inclusive um inexplicável Ney Matogrosso e o ‘tremendão’ Erasmo Carlos – uma brasa, mora!  (aqui, a programação completa).

Talvez tenha sido o clima festivo pós-diretas-já e a eleição do Tancredo Neves para presidente, ou quem sabe a moçada tenha visto ali a grande chance de criar seu próprio Woodstock tupiniquim e tudo correu na base da paz e amor, ou talvez até tenha sido meus olhos recém-saídos da adolescência, mas a verdade é que eu acho que por aqui não houve festival como aquele. A mistureba de repertório foi até compreensível – naqueles tempos a maioria das hiper bandas ainda via o mercado do lado de baixo do equador como terra de ‘nem-morto-eu-toco-ali’ – e convencer o pessoal a se apresentar num país que, até então, não tinha a menor infra para mega eventos como aquele não deve ter sido pouca coisa.

Em 1985, os Paralamas ainda eram Do Sucesso, Blitz e Barão Vermelho arrasavam, Paula Toller ainda desafinava horrores no Kid Abelha (ainda com Abóboras Selvagens, quem se lembra?), todo mundo ficou pedindo um Ultraje a Rigor que não tocou, muitos de nós ficamos nos perguntando o que raios Alceu Valença e Elba Ramalho faziam num show de rock (mas pulamos e dançamos mesmo assim), todos vimos o Ivan Lins terminar o show sem um pingo de voz.

Naquele janeiro eu tive a impressão de que o Iron Maiden tocou a mesma música do princípio ao fim do show, mas fiquei pasma com a potência da voz do Bruce Dickinson e com a mega produção toda, cantei absolutamente todas as músicas do Queen duas vezes (porque é claro que eu vi os dois shows!), babei com a harmonia do Yes, me perguntei o que Al Jarreau e George Benson estavam fazendo ali (mas adorei que estivessem), morri de rir de um cara muito louco do meu lado, que achava que Fortuna, Imperatrix Mundi (de Carmina Burana) era uma música do Ozzy Osbourne.

Foi um festival que começou na grama e terminou na lama, a única cerveja disponível era a patrocinadora Malt 90 (não, você não calcula o tanto que ela era ruim!), no final da primeira noite (porque eu fui em 9 das 10) não tinha ônibus suficientes e eu e o Átila andamos mais de 15km de volta pra casa, depois de passar o dia inteiro em pé e meus pés me matavam e minhas pernas já não me obedeciam. Mas olha, aquilo foi bom demais. Porque hoje, serião mesmo, pra me colocar em pé em um estádio com militrocentas pessoas, tem que ser no mínimo U2. Por dez dias corridos, então, eu nem imagino. Certas coisas a gente faz mesmo na hora certa!

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10 respostas em “O primeiro Rock in Rio a gente nunca esquece

  1. Oh, eu mesma, Mônica!
    Não sei se você já sabia, mas eu adoro, adooro ler seu blog!
    Ô eu que queria escrever pelo menos 10% do que cê escreve…

    Morri de invejinha ao saber aqui, nesse instante, que você já foi nos dois shows do Queen. Deve ter sido bááárbaro! Publique fotos, se tiver.

    Fica minha sugestão de você escrever um livro, enh? Faria mó sucesso!

    Besos e vê se aparece! Anda muito sumida (ou seria eu?)

    • Luuuuuud! Tô crendo que você lê meu bloguinho!!! Fiquei até vermelha, kkk…
      Pois é, já vi Queen 2 vezes (no primeiro show eu fiquei bem perto do palco), Yes mais 2 (aliás, só perdi o repeteco da noite de heavy metal, achei que ia ser demais pros meus ouvidos!), já vi Eric Clapton de pertinho, Jethro Tull, o primeiro do Paul McCartney aqui no Brasil, tanta gente boa! Hoje eu tenho meio preguicinha desses mega shows, mas ainda vou conseguir ver Bono e seus amigos!

      Tenho fotos não, infelizmente. Era complicado levar câmera, a gente ia sem bolsa, sem nada, só mesmo com os documentos (celular não existia, então…)

      Mas ainda tenho o ‘pin’ original do evento! 🙂

      Livro, eu? Mal dou conta de manter um blog, kkk… Mas fico super feliz quando fico sabendo que pessoas de alta classe e competência como você me acompanham!!!

      Besitos pra ti também. Acho que estamos ambas sumidas, mas quem esteve às voltas com México e vestibular não fui eu, né… 😛

  2. Sei lá, nunca fui a mega-eventos. Preço de ingresso absurdo, dificuldade de acesso, transporte público insuficiente, estacionamento lotado e com alta chance de arrombamento do veículo, ausência de banheiros minimamente salubres, risco de assalto, filas intermináveis, horas em pé, uma barulheira infernal, calor insuportável no meio da multidão, gente fedorenta em volta, bebum vomitando, gritaria, empurra-empurra, brigas, chuva, lama, rango porcaria ou inexistente, quarenta minutos de luta pra comprar uma água mineral pelo preço do abastecimento de uma piscina olímpica… essas coisas não me parecem atraentes. Só lamento ter perdido os shows do Kiss e do Jethro Tull em Porto Alegre, ambos porque eu estava sem companhia e sem paciência de ir sozinho.

    Prefiro mesmo um barzinho com uma musiquinha ao vivo, daqueles que no intervalo a gente oferece uma cervejinha pro músico e ele senta junto com a gente e fica batendo papo até recomeçar o show. Se a atmosfera é respirável, a bebida é gelada, o banheiro é limpo e o espaço é suficiente para todos sem acotovelamentos, aí eu sou parceiro.

    • Hahaha, é tudo isso mesmo! Mas há 25 anos, nada disso tinha a mínima importância. Por isso é que eu acho que determinados programas só devem ser feitos numa ‘janela de oportunidades cronológica’ – acho que hoje eu não faria essa maratona não (but never say never…).

      Vi tanto o Kiss como o Jethro Tull. Kiss eu dispenso, não me pega mais. O Jethro Tull é bem mais o meu estilo, o show foi muito bom. Barzinho com música ao vivo? Aí quem tá fora sou eu, com honrosíssimas exceções. Não aguento aquele som de violãozinho desafinado com um carinha cantando Djavan e Caetano, crente que tá abafando! E o que é pior, achando que a gente está REALMENTE querendo ouvi-lo cantar!!! 😀

  3. Pois então, Mônica. Também acho que certas coisas a gente só faz na hora certa na vida, depois não dá mais. Já encarei um Festival de Música em Brasília, há não muitos anos atrás, e a roupa que eu usei foi praticamente desenganada pela máquina de lavar roupa, tamanho o poeirão que ela pegou (e eu respirei). Outro eu não encaro, mas nem a pau, e olha que eu assisti Pretenders desta feita. No primeiro show do U2 no Brasil nem dei pela falta de banheiros, limpos ou sujos, porque o que eu bebi eu transpirei por causa do calorão. E olha que fiquei dentro do estádio por umas 12 horas. Agora, de vez em quando a tal “janela de oportunidades cronológica” se abre, como quando não consegui comprar ingresso para o último show do U2 em SP e acabei ganhando um ao comprar um celular (ok, ele foi roubado na saida do show, vai!). Então, Rock in Rio, agora só pela TV. A menos que tenha U2…

    • E já estão falando em Rock in Rio em 2011!!! Boralá??? 😀
      Poucas bandas me tirariam de casa hoje em dia. O U2, definitivamente, é uma delas. Com ingresso ganho, então, nem se fala!

      Nossa, o show foi desses de jogar as roupas fora depois? Com aquela poeira vermelha de Brasília, deve ter sido uó. Nessas ocasiões eu só consigo pensar nas minhas lentes de contato!!! 😛
      bjk

  4. Mônica, o KISS eu QUIS ver mais por causa da pirotecnia do que pela música, então não lamentei muito. Já o Jethro Tull eu lamento ter perdido, mas não sou muito chegado a ir sozinho nem a cinema, que dirá a um showzão.

    Barzinho com música ao vivo pode ser legal ou não, eu reconheço. Quando a gente conhece o músico, caso dos barzinhos que eu costumo freqüentar, costuma ser legal. Às vezes eu chego e o cara me cumprimenta pelo microfone, no meio da música, e o bar inteiro se vira pra olhar. 😛

    • Concordo, Arthur, barzinho com música, só quando a gente conhece o músico! Eu também prefiro show, filme, etc com companhia, mas não deixo de ir se estiver muito a fim. Só não saio mesmo pra jantar sozinha (a não ser que esteja viajando), isso eu acho esquisitão demais…

  5. Ahhhh não acredito! Tu foi??? kkkkk

    Ano retrasado eu fui ver o Iron junto com namorado… confesso que não gostei mucho… exceto por aquele boneco gigante que entrou no palco e eu nem vi de onde saiu…

    E os Paralamas ainda eram do Sucesso, HAHAHAHAHAH, essa foi boa demais!!!

    Meus idolos de infancia é o Kiss, pois escutava bilhões de vezes aquele LP Unplegged (é assim q se escreve?) de 1989… paixão de menina, hahaha!

    bjos

    • Bom, o Iron Maiden de 1985 devia ser beeeem diferente, se bem que, pelo pouco que vi da última vez, a voz do Dickinson ainda continua poderosa. Mas na época era de cair o queixo, o moço berrou e pulou e gritou durante 2 horas e saiu inteiraço. Ah é, tinha aquele boneco, qual era o nome mesmo? Já esqueci…

      Olha, vi o Kiss e achei meio nhé. Bom, nunca fui fã deles, era mais a farra de ir a um megashow. Quem diria que o Gene Simmons ia terminar fazendo uma temporada de O Aprendiz e um reality show chinfrim nos moldes do que o Ozzy Osbourne fez na MTV!!! 😀

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