Português prêt-a-porter

A Magna ouviu a empregada dizer algo como “Os minino pegou os brinquedo tudo e colocou nas caixa”. Como a mocinha tinha acabado de voltar a estudar, estava sempre pedindo livros emprestados pra ler e prestava a maior atenção em tudo, a patroa resolveu dar o toque: “Fulana, você está fazendo bonito na escola, sempre tão preocupada com seu português, tão educada, namora o Fulano, que é rapaz tão fino, presta mais atenção em como você tá falando…” No que a moça respondeu na lata: “Ah, dona Magna, preocupa não. O português certo eu só uso quando vou sair. Quando estou em casa, prefiro esse aqui mesmo…”  Achei o máximo essa ideia da gente trocar de português como troca de roupa pra ir pra festa.

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6 respostas em “Português prêt-a-porter

  1. Bela resposta. Saber Português é saber adequar à cada situação. O formal no informal fica no mínimo esquesito.

    Bjos de montão.

    • E o mais legal foi a explicação que ela deu, né? Achei esse ‘uso só pra sair’, como se fosse um sapato ou um casaco, o máximo! 🙂
      bjk

  2. uma amiga minha é filha (e neta) de alemães. Quando pequenininha, ela não conseguia entender o conceito de línguas diferentes. Para ela, o alemão que falava com os avós era apenas uma forma respeitosa de se dirigir aos mais velhos…

    • Foi exatamente isso que disse o Charles Berlitz (neto do ‘método Berlitz’. Ele contou em um livro que aprendeu quatro línguas ao mesmo tempo e, até ir pra escola e ser alfabetizado, ele não fazia a menor ideia de que eram línguas diferentes. Simplesmente, pra ele, eram maneiras diferentes de falar com pessoas diferentes da família…

      A filha da minha amiga é brasileira/inglesa e era a coisa mais bonitinha ver como ela passava de uma língua pra outra com a maior naturalidade. Depois de velho é que as coisas costumam ficar mais complicadas!

  3. As meninas do Baldwin, recém desembarcadas no Brasil, vindas da Florida, reagiram às línguas diferentes criando uma espécie de síntese. Diziam coisas do tipo: “Papai, está chovendoing”.
    Mais parecida com a história do Berlitz, ou da menina dos alemães, era o caso do nosso Procurador Jurídico no IPR (ih, agora só falta caso do Tribunal…). Filho de um professor de Latim e de uma professora de Latim, o Latim foi sua língua materna. Quando, na rua, aprendeu Português, achou que era uma espécie de Latim simplificado para falar com os amigos. Mas para se dirigir aos mais velhos, por exemplo o verdureiro, ele achava que o certo era utilizar o Latim.

    • As crianças são absolutamente o máximo, né? Eu me divirto horrores com essas historinhas sobre aprendizagem de outra língua. A Lu, filha de uma minha amiga inglesa, estava lá em casa um dia (lá se vão mais de dez anos!) e mamãe, soltando seu lado vovó, ficou passeando e brincando com ela no jardim durante um tempão. De repente, a Lu chega no terraço toda feliz com um monte de florzinhas, vira pra mãe e diz no melhor português: “Olha só, mamãe, o que eu ‘pickei’ pra você!”.

      E a amiga de um amigo, casada com um francês, falou pra enteada que eles iam passar as férias em Montpellier. Como o pai já tinha dito a mesma coisa, a menina protestou na hora: “C’est pas TONpellier! C’est Pellier à papa!!!”.

      Adorei a historinha do latim!!! 😀
      bjk

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