Curtinhas

* A garrafa de água mineral que eu comprei continha 502ml. Isso mesmo, ‘e dois’. De onde será que tiraram esse número? Parece coisa de inglês: “A caixa pesa 8,4 libras menos 3/4”.

* Fiquei dias tentando lembrar o nome daquele ator. Via a cara dele na minha frente, lembrava que filmes tinha feito (Homens de Preto; Em Busca da Felicidade; Hitch; Eu,Robot), mas necas do nome. Não fui ao Google, o que é isso, fassfavô de funcionar, cérebro! Aí fui falar pra aluna que o colega estaria ausente porque tinha viajado pra… pra… pra… na hora de lembrar a palavra Macaé, saltou da minha memória, em letras garrafais: WILL SMITH! Ô canseira…

* Meu primo queria assistir a algum noticiário na TV, não tinha nada. Parou no canal de notícias português. Depois de uns minutinhos, o filho, na época com uns 5 anos no máximo, protestou: “Ah neeeem, pai, tira desse canal com esse pessoal falando estragado!”  Aí a gente teve que explicar que eles chegaram primeiro, né, quem fez a bagunça na língua depois fomos nós…

* Olhei pro lado no sinal fechado, não acreditei. Ali estava, toda garbosa, uma possante Vemaguete, lindinha e brilhante, verde-clara com a capota branca, com aquelas portas que abrem ao contrário, sabe, pra catar pedestre na calçada. Igual a que a gente tinha em casa quando eu ainda era bem pequena.  #bonstempos…

* Todo mundo fala ‘visite o Brasil no verão’. Pois eu digo: venha ao Brasil no verão, mas visite BH no outono. As montanhas ainda estão verdinhas depois das chuvas de janeiro, o céu é muito azul e sem nuvens e o sol é aquele amarelinho tímido que lá em casa a gente chamava de ‘bolachinha quente’. Ontem o termômetro marcava 13 graus às sete da manhã. Bom dia, civilização!

* Um amigo do meu pai voltou de uma temporada de quatro anos estudando em Paris. Perguntaram o que ele tinha achado da cidade. Mineiramente, respondeu: “Ah, Paris é assim, plana, com um rio cortando a cidade, com uma ponte no meio. Que nem Ponte Nova”. Claro que é. Igualzinha.

* Adorei essa história de festa silenciosa. É aquela ideia do cone do silêncio do Agente 86, adaptada para a era da portabilidade. E, pelo jeito, funciona mil vezes melhor.

* Eu tinha favoritado este mapa que encontrei no site da BBC, mas depois me esqueci completamente dele. Mostra o crescimento da internet pelo mundo afora entre 1998 e 2008, é só você arrastar a setinha na parte de baixo do mapa pra ver como as coisas mudaram. Muito bacana. A brasilândia, por exemplo, saiu do rosa-bebê e hoje está lá, firmona, vermelho-escuro. Mas isso tudo é relativo ao número de pessoas conectadas, né? Se estivéssemos falando de velocidade, preço e qualidade da conexão, ó, a gente ainda estaria bem lá atrás, decididamente em tons pasteis.

* Falando em pasteis, update importantíssimo: começa hoje a 11a edição do Comida di Buteco em BH. Como nos últimos anos, um ingrediente foi escolhido para constar em todos os pratos concorrentes – já teve ora-pro-nobis, taioba, o deste ano é o jiló. Já tem passarinho por aí ficando preocupado com uma possível escassez do produto no futuro.

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24 respostas em “Curtinhas

  1. Meu Deus, até assusta, é tudo mesmo assim, igualzinho.
    Ainda ontem queria lembrar o nome do cara no filme ‘Expiação’…nada. Tive mesmo de ir ao Google. James McAvoy.
    Se o menino acha que português de Portugal parece língua estragada devia ouvir ‘cabo verdiano’… é demais.
    Vemaguete, oh meu Deus, é demais para mim. A minha infância ficou mesmo marcada por uma Rural também verde, e pelo nosso fusquinha bege de 69, onde todas nós aprendemos a dirigir lá em casa..
    BH no verão? A última vez foi em 97 e eu jurei que nunca mais. Agora só em Agosto, em pleno Inverno. Para nós é Verão na mesma, só que civilizado…
    Paris é mesmo isso uai, descrição perfeita. Aliás tô indo pra lá no início do próximo mês, quer carona?
    Cone do silêncio, oh meu Deus, uma das minhas séries favoritas! ‘Se ao menos ele tivesse utilizado a sua inteligência para o bem, e não para o mal…’
    Maxwell Smart é um filósofo pra vida, e dos bons.
    Bjs,
    Ana

    • Uma das coisas que mais me divertem é ver como os tradutores se viram com os títulos dos filmes. Por aqui, Attonement ganhou o ridículo nome de ‘Desejo e Reparação’. Se tivessem deixado só o Reparação, teria sido bem melhorzinho, né?

      Não tivemos Rural, mas sim um possante Simca Jangada (o Evando deve se lembrar bem dele) chamado Marly. Todos os carros lá em casa tinham nome…

      Tive um colega de Cabo Verde, adorava ouvir ele falar. Gente boa demais da conta, e ainda com o bônus de ser conterrâneo da Cesária Évora…

      Paris? Moça feliz! Já tem bem tempo que não apareço por lá, o caboclo viajador já está baixando de novo. Por aqui, no máximo, visitei uma amiga que mora ali no bairro Vila Paris… 🙂

      Maxwell Smart rules!!!
      bjk
      Ana

  2. Pois é, Mônica,

    Deixa eu completar o que Ana comenta da série das curtinhas, tomando o último episódio, o do mapa. Não sem antes lembrar da minha satisfação com todos eles, sem esconder o suspiro nostálgico por aquela Vemaguete de vocês, de cujos bons e leais serviços eu fui um usuário contumaz.

    Mas, o mapa. É que estou aqui em Ottawa, aumentando a já notável densidade da sua clientela internacional, e por isso usufruindo de delícias inéditas das Crônicas Urbanas, tais como clicar no tango e vê-lo inteirinho, sem paradinhas e retomadas espasmódicas, como de resto em qualquer acesso ao youtube e equivalentes.

    Mas não me queixo das dificuldades de acesso em nosso solo tupiniquim, de jeito nenhum, e fico mesmo impando de satisfação com o deslizamento do cursor, em direção ao vermelho vivo da alta densidade de acesso. Principalmente porque, naqueles remotos anos dos inicios da década de 1990, quando o CNPq heroicamente tentava introduzir a internet no Brasil, participei de momentos memoráveis. Minha equipe era encarregada de trazer a boa nova para os empresários e, por isso, nosso roteiro era o das federações das indústrias. Onde éramos recebidos com indisfarçável desconfiança. Quando então a gente acionava nosso demonstrativo acessando a bolsa em NY, aí faltava pouco para sermos expulsos, acusados de charlatanice. Mas a glória suprema era discutir com a própria, a Glória Pires, quando negociamos com a Globo a introdução das comunicações por email em uma novela. Edson Celulari era o correspondente da moça, em Olaria, no Rio. E a gente lembrava incansavelmente à Globo que as ligações deveriam ser bastante lentas, para não despertar falsas expectativas…

    Ichi, com todos os atropelos, a gente até que avançou bastante… Beijo do
    Evando

    • Evando,
      realmente, em termos de internet, a gente progrediu by leaps and bounds… Eu sou dou tempo da internet a lenha, ainda tendo que ligar interurbano pra São Paulo (nosso servidor era Mandic, aqui em BH ainda nào havia quase nada), dava pra ligar, sair pra um café, tomar banho, e na volta a conexão estava quase lá. Quando eu vejo que posso acessar a internet em quase qq lugar com o meu laptop, ou com o celular, que uso os comunicadores todos (email, Skype, MSN) com as meninas e elas estão suuuuper à vontade, que a tal onipresença hoje é uma realidade (estou aqui em BH mas poderia estar em qq lugar, assim como você está em Ottawa hoje, Brasília amanhã), eu fico, como disse um aluno há muitos anos, ‘absolutely embasbacated!’. E essas coisas mudam mesmo numa velocidade absurda. Papai, por exemplo, certamente seria um entusiasmado usuário do YouTube e suas pérolas visuais e musicais, e ele não chegou a conhecer muitos desses programinhas direito, o que foi realmente uma pena.

      Chato é que a gente ainda enfrenta essas ‘paradinhas e retomadas espasmódicas’, como você bem lembrou, com alarmante frequência, e o preço da boa conexão – ou pelo menos razoável – por estas bandas ainda é bem alto. Como sempre diz o meu primo quando perguntam pra ele como vão as coisas: “Bão até que tá bão, mas pode miorá!” 🙂
      bjk

  3. O que mais encontramos por aqui é o R4 da Citroen, sem falar nos famosos Traband, da DDR…
    Mas, já vi coisas mais velhas. rs

    essa da garrafa eu já vi… são os caçadores de ar, uso efetivo das embalagens. =P “tendência”

    não me fale em comida de boteco, faz favor. rs

    bjs!

    • Lá na França eu via muito desse Citröen aqui, velhésimo, mas circulava pela cidade como se fosse Rolls Royce! 🙂

      O probleminha do Comida di Buteco é que são bares demais (41 em cada edição) e eles ficam absurdamente lotados!!! Mas é um festival fantástico, ainda mais numa cidade com mais bares per capita do que qualquer outra no país!

      bjk e bom findi!

  4. Vemaguete é legal, ainda mais as bem conservadas. Costumava chamá-las de Pipoquete por causa do barulho que elas fazem. E a carinha de guarda-louça. E tinha os parentes próximos, o DKW Vemag, o famoso Belcar e o Fissore, um sedã chiquérrimo para a época. Mas daí a achar que foram “#bonstempos”… Bem, tenho ótimas lembranças da Variant 74 que me ensinou a dirigir (até debaixo de um ônibus fui parar com ela). Mas em termos automobilisticos, hoje estamos que nem na internet, muuuuuito melhor. Anos-luz na frente. Graças a Deus.

    Já o ComidadiButeco deve me ver menos neste ano. Detesto jiló. Vou precisar estar com o espírito muito aberto para tal experiência. Mas tem a cerveja, então…

    O outonho chegou, o calorão acabou e parece até qeu o ar está mais limpo. O problema é que desde que o friozin chegou eu não acordei no horário nem um dia desta semana. Ô soninho bom o da manhã, vontade nenhuma de sair da cama. Só espero que chefinho tenha um bom coração para me compreender. Deu vontade de ir a Ouro Preto. Ou a Inhotim, né Mônica?

    bjs.

    • Ah, o #bonstempos não é pela Vemaguete não, é toda aquela lembrança de infância, sân? Os carros hoje estão muito melhores, Deus me livre! Já o trânsito… 🙂

      Você aprendeu a dirigir numa Variant 74???? A gente tinha uma em casa, daquelas azul brilhante, lembra qual? Um horror. Eu aprendi num Chevette 82 e depois saí pilotando um Dodge Polara cor-de-burro-fugido.

      Também não sou fã de jiló, mas tudo pelo social, né? Estou disposta a encarar e ver no que vai dar. Sei lá, já passei a apreciar tanta coisa que eu jurava de pé junto que nunca, jamais, em tempo algum iria comer!

      Nossa, sair da cama hoje foi dureeeeza, nem acreditei quando o despertador me avisou. Mas não importo não, prefiro isso ao calor insuportável. Ah, vontade de ir a Ouro Preto! E Ia nhotim também, ainda mais agora que ganhou o status de Jardim Botânico! Ó, é só a gente combinar!!!
      bjk

    • Na minha casa já teve a Marly, minha mãe tinha um fusquinha chamado Julieta, já teve a Juscelina (uma Brasília), a Fafá (Marajó), meu Uno quase se chamou Átila (o rei dos ‘Unos’), meu irmão teve um Gol (Charles de Gol), e por aí vai. O meu atual já está carecendo de ser trocado e ainda tá sem nome também…

  5. A maior parte das curtinhas já foi sabiamente comentada pelos ilustres visitantes de seu blog. Pouco há a acrescentar.
    Mas a saudade de BH que a referência à Comida di Buteco desperta, essa eu não posso deixar passar…
    Saudade do churrasquinho de gato com fanta uva na Afonso Pena, aos Domingos de manhã. Saudade do pastelzinho com caldo de cana na lanchonete da Tupis com a Rio de Janeiro. Da Picanha da Cervejaria Brasil. Do tropeiro do Mineirão. Do cafezinho do Nice. Ou do pão com linguiça do Independência…
    Eta saudade…
    Bj

    • Nossa, Pedro, você tá mais por dentro da culinária local do que eu!!! 🙂
      Eu tinha um amigo que morava em Paris e, sempre que ele vinha visitar os pais aqui, a primeira coisa que fazia era ir à Praça 7 tomar um caldo de cana e comer pastel de carne. E imagina, tem um restaurante perto da casa do meu irmão que serve rodízio de feijão tropeiro! Você sai de lá rolando…
      bjk

  6. pergunta ao Jota os nomes dos carros dele…

    E não me fale em comida de buteco!! não tenho planos de voltar a Belzonte pelo menos pelos próximos 2 anos…
    Cara, eu cometeria um crime por um franguinho com quiabo e angu…

    • Ah, eu só me lembro do Juca Bala…
      Mas aí em Denver não tem nenhum restaurantezinho mineiro pra disfarçar a vontade? 🙂 Temos que providenciar então uma conexão pão-de-queijo para traficar quitutes pros Istêitis. O sonho da minha irmã americana era montar uma lanchonete que vendesse guaraná Antarctica e coxinha de catupiry. Outro dia ela me escreveu toda feliz, contando que descobriu um restaurante brasileiro em Seattle que prepara qualquer prato brasileiro que você quiser, é só avisar com um dia de antecedência. Olha só o nicho de mercado aí!!! 🙂

  7. Mônica,
    só agora vi sua pertinentíssima evocação da garbosa Marly, que Marina pilotava com, digamos, une conduite sportive. Poderia até haver algum eventual sobressalto por parte do ilustre passageiro, mas quem resistiria ao sorriso luminoso de Marina?
    Hipólito, meu primeiro Gordini (é, houve também um segundo), era discreto e austero. Um dia imolou-se para salvar a amiga a quem o havia cedido: do acidente ela saiu sem sequer um arranhão; ele dele não saiu. Shirley Cachaça era uma Brasília a álcool, e que disso se orgulhava: seu perfume inconfundível a antecedia e anunciava alegremente a sua chegada. Um dia construí um ventilador. Longevo, percorreu vários rincões da família. Era conhecido como Policarpo.
    Mas não resisto ao saborosíssimo capítulo cinematográfico “Os Brutos também Traduzem”. Entre meus prediletos estão “Wanted, o Procurado” e “Missing, o Desaparecido”. Mas quando “Giant” é traduzido por “Assim caminha a humanidade” e “The Wild Bunch” vira “Meu ódio será a tua herança”, o quê mais que a gente vai querer? E acrescentar ao original “Rebecca” o complemento “A mulher Inesquecível” era mesmo um convite ao rebatismo “Rescível, a Mulher Inesquebeca”…
    O tema é meritório e até que merece uma revisita.
    Bjk,
    Evando

    • Nossa, e não é que eu acho que me lembro do Hipólito? Ou era o outro? Tinha também aquele fusquinha azul-clarinho, ele tinha nome, não tinha? Não era Horácio? E eu me lembro que o Simca do papai tinha câmbio na mão, olha que coisa. Hoje em dia, tem que ser McLaren e Ferrari pra uma coisa assim! 😀

      Ah, os títulos! Tenho aluno que até hoje acha que ‘jaws’ é inglês para ‘tubarão’, por causa do filme. E Missing ainda foi pior, porque o título completo era ‘Missing, o Desaparecido – um Grande Mistério’. Como diriam os eleitores do Barack: WTF???

      Acho que vou fazer uma coletânea dessas coisas mesmo. Ainda dá pra virar post… 😉
      bjk

  8. Mônica, que memória!
    Você conheceu foi o Hipólito mesmo, sisudo cinza-chumbo, naquela época você era dos poucos passageiros que passavam com alguma facilidade por aquelas portinholas…
    E o Horácio, hein, esse a gente até que aproveitou mais, propriamente era um fuscão, com seus corajosos arroubos e sua valentia. Depois de muitos anos ele passou às mãos da Lélia e ali envelheceu sereno e feliz.

    • Minha memória tá assim, Evando, boa pra lembrar nome de carro, um horror pra lembrar um monte de outras coisas! Perguntei pro Cláudio se esses ‘brancos’ não poderiam ser os primeiros sinais daquele doutor alemão se avizinhando, mas ele me garantiu que enquanto eu estiver notando que a cabeça tá ruim, tá ótimo! O problema com o Alzheimer é que geralmente o paciente tá se achando uma maravilha, enquanto o resto da família tá vendo que a situação tá feia… 🙂
      bjk

  9. Pingback: Domingueiras « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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