Onde?

É assim, né, a gente aprende a língua materna, vai usando, usando, mas raramente pára para (viu, nova ortografia, como o acento diferencial é necessário?) pensar nas dificuldades dos coitados dos estrangeiros pelejando com o português. Aconteceu, por exemplo, com um dinamarquês que fazia um programa de intercâmbio aqui. Todo estudioso e compenetrado, estava sempre fazendo perguntas e querendo saber as coisas, tentando entender as sutilezas do idioma, os mínimos detalhes, as pequenas armadilhas.

Daí que um dia ele chega todo preocupado e pergunta:
– Eu aprendi que quando a gente quer saber sobre o lugar, a gente pergunta ‘onde’, né? Mas tem alguma coisa errada aí, porque eu nunca ouvi ninguém dizer isso. As pessoas estão sempre perguntando ‘cadê o meu livro?’ ou ‘ondé que cês colocaram os copos?’, e até mesmo ‘kédi o seu irmão?’. Esse tal de ‘onde’ eu nunca vi ninguém usar…

É a tal diferença entre o que o livro ensina e o que a vida te dá. Mas fizemos por ali mesmo uma pequena pesquisa para efeito de estatística e sim, constatamos que ‘onde’ realmente não dá muito ibope, pelo menos cá nas montanhas…

6 respostas em “Onde?

  1. Poizé, Teles,
    eu sempre trabalhei com inglês, e por lá o pessoal costuma ser bem menos prescritivo do que em português (e acho que nas línguas latinas de um modo geral). A tendência é pensar muito mais na adequação da língua ao ambiente onde ela está sendo falada, e analisá-la a partir daí, e não ficar teimando com ‘isso é certo, isso é errado’, como se só a norma culta valesse. Portanto, viv’ele! 🙂

  2. Seu próprio blog é exemplo, Mônica. Onqotô… Onqitão… Onqitá… Onqitava…

    Não é uma crítica, mas uma constatação. Porque né? Nada como manter o bom humor e seu blog sempre me faz rir muito!

    Um abraço!

    • É isso mesmo, Thaís! O mineirês eu não perco de jeito nenhum! 🙂
      E concordo em gênero, número e grau ‘concê’: manter o bom humor é fundamental, né? Por isso fico feliz quando alguém me diz que o blog faz rir – afinal, eu me divirto muito escrevendo e lendo o que as pessoas comentam…
      bjk

  3. Estrangeiro?…
    A minha primeira vez no Brasil foi sofrida. Falando com sotaque Português dificilmente alguém me entendia. Fui confundido até com Argentino… Mas aí foi só mudar um pouco o vocabulário, passar a falar cê, cadê, polvilhar com uai, usar camiseta do Galo e virei Mineiro, sô!

    • Ah, a gente sempre dá um jeitinho nessas horas, né? O negócio é ter jogo de cintura! Um professor escocês que eu conheci, casado com brasileira, contou que ficava doidinho quando vinha ao Brasil, aquele tanto de gente falando ao mesmo tempo, ele desorientava. Aí percebeu que a solução era super simples: de tempos em tempos, quando alguém parava de falar um pouquinho pra respirar, ele olhava pra pessoa e comentava: “É meeeeesmo?” O outro ficava satisfeito com a interatividade e continuava a falar – e ele continuava não entendendo nada, mas pelo menos não estressava mais! 😀
      bjk

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