Robin antes do Hood – o filme

 

Olha, alguém aí precisa avisar urgentemente pro Russell Crowe que ele já não carece mais de ficar posando de Maximus. Porque parece que o gladiador grudou nele com Superbonder depois que o moço ganhou o Oscar. Saudades de quando ele mostrava pra todo mundo que era um ator de sustança, lembra de ‘Los Angeles, Cidade Proibida’? Lembra de ‘O Informante’? E de ‘Uma Mente Brilhante’, lembra? Pois então, bons tempos. Agora, tudo o que mr. Crowe faz é cara de mau e aquela pose de ‘não mexe comigo que eu te dou porrada’. Precisava desse mau humor todo? Precisava? Mas, meus sais, que voz! Só perde pra do James Earl Jones, mr. ‘This is CNN’.

Mas essa nova versão de Robin Hood diverte. A crítica caiu de pau, o público tá achando meio assim-assim, mas vamulá, gente, é filme Coca-Cola-e-baldão-de-pipoca, ou não é? Quer fidelidade histórica, o History Channel deve ter algum documentário bacana sobre o assunto. Não, o pai de Robin Longstride não fez o primeiro esboço da Magna Carta. Não, os quartos dos castelos do século XII não possuíam lareiras. Não, o Robin Hood de antes da lenda certamente não tinha a cara de quarentão do Russell Crowe e nem falava com um sotaque levemente Australia-meets-England. E não, os soldados jamais enfiariam seus melhores cavalos de batalha pelos caminhos tortuosos das florestas, seria mais ou menos como dirigir seu Rolls Royce numa estrada de terra. Mas nada disso tem muita importância quando a ideia é se divertir.

Visualmente o filme é belíssimo, porque disso o Ridley Scott entende horrores. As cenas de batalha são fantásticas, eu sempre penso na trabalheira que deve dar pra preparar e ensaiar e rodar essas coisas. Muito, muito trabalho mesmo, eu tiro o chapéu. Só fiquei pensando naqueles arqueiros no alto do penhasco com seus longbows, como será que eles fizeram pra treinar suas flechas pra acertarem só o inimigo? Porque, até onde eu vi, elas só matavam franceses. E eram milhares de flechas por minuto, um arqueiro em Warwick contou que os da época disparavam uma flecha a cada três segundos. Imagina só o estrago.

Também fico felizinha que Hollywood tenha resolvido deixar de lado aqueles castelos limpinhos e bem arejados da Idade Média do Errol Flynn e assumido de vez um look medieval um pouco mais pra Pasolini, com lama na barra dos vestidos e gente com dentes podres. Eram tempos difíceis, né, ainda não existia Omo nem Colgate, e afinal de contas o fake também tem seus limites.

Esse Robin do Russell e a Lady Marion da Cate Blanchet têm a química que a gente aprende naquelas aulas de laboratório do colégio: água e óleo nunca se misturam. Me desculpe, Cate, mas vocês não me convenceram de jeito nenhum como Casal 20 do século XIII. A ideia de dar um upgrade na Marion, mais velha e mais assertiva, tem lá seu apelo, mas teve gente que achou que colocá-la de armadura e espada em punho foi forçar a amizade. Eu, inclusive.

Mas o bom é que agora vai ter Robin Hood para todos os gostos, desde o mais tradicional com o Errol Flynn, passando pela comédia do Mel Brooks e a animação da Disney, chegando ao do Kevin Costner, que pela primeira vez me fez torcer desesperadamente pelo Xerife de Nottingham. Agora temos também Robin em embalagem macho-man, com uma leve cobertura de politicamente engajado no final, mas mal dá pra se notar. É perda de tempo querer comparar um com os demais; peguem a pipoca e o refri, desliguem seus celulares e aproveitem a diversão. Cinema também é pra isso.

 

 

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16 respostas em “Robin antes do Hood – o filme

  1. Olha tenho que confessar que amo suas crônicas. Você tem umas sacadas bem legais.

    E outra coisa, não resisto a um homem com pose do tipo “não mexem comigo não”. Você não tem idéia de como me derreto vendo Vin Diesel em qualquer filme até Operação Babá srsrsrsrsrsrs

    Fazer o quê? As mocinhas vivem com os principes mas sonham com os lobos.

    Bjs

    • Uau, até Vin Diesel de babá?
      Hahaha, é aquela história que dizem da Chapeuzinho Vermelho preferir o lobo: te vê melhor, ouve melhor… e todo o resto!!! 😀
      Que bom que você se diverte aqui, e viu que fofo é o seu monstrinho-avatar?
      bjk

  2. ótimo comentário. Ficou a impressão que o Ridley Scott perdeu a mão. Os arqueiros do Cornwell são muito mais cativantes. Mas esse Robin Begins, ainda assim, vale ser visto, mesmo pensando que quando ele virar ladrão de verdade estará próximo da aposentadoria.

    • Acho que ele vai ter problemas até pra segurar o arco e flecha… Pelo menos o que eu tentei usar uma vez era pesado pra caramba! Visualmente a mão do Scott foi muito boa, a história mesmo é que ficou meio esquisita. Adorei essa de ‘Robin Begins’ – afinal, já não tivemos o Batman? 🙂

  3. vc não ficou com a impressão de que o filme é uma “prequel” para um filme sobre o … Robin Hood?
    Eles apresentam os personagens, mas o filme acaba exatamente quando a história vai começar…

    • Foi mesmo, Max, a gente fica sem saber se ainda vem mais Robin por aí (sinceramente, acho melhor que não…) ou se vai ser só isso mesmo.

    • Deusmelivreeguarde, espero de coração que isso não seja uma trilogia! Até chegar na parte 3, o Russell Crowe vai estar andando de bengala e errando a pontaria porque não consegue mais mirar no alvo – sabe como é, tá muito longe, mexendo, a mão treme… 😀

      O filme diverte, né, mas nada do outro mundo. Muuuuito dinheiro gasto pra pouco resultado. É verdade que tecnologia pode custar caro, eles recriaram a Torre de Londres digitalmente (não dava pra fechar pros turistas), tem muita coisa de pós-produção, mas história que é bom mesmo, ficou devendo.

      Se vier Robin Hood – A Missão por aí, espero que seja melhorzinho…

  4. não falei da Torre de Londres!!

    a melhor coisa do filme!!

    me lembrei daquele livro London, do Edward Rutherfurd. Quero ler de novo, mas tem pelo menos outros 1.353 livro na frente dele, na lista…

    • Nem me fale em pilha de livros, Max!!! Atualmente tenho passado léguas de qualquer livraria, com receio de sair de lá com mais aquisições antes de dar conta das minhas pendências. A recriação da Torre de Londres realmente ficou ótima, embora, claro, nada substitua ‘the real thing’… É das minhas visitinhas prediletas na cidade.

  5. Oi, Mônica, minha linda. Ainda não assisti ao novo filme, mas, como sou apenas um bom espectador, não quero dar uma daqueles críticos chatos de cinema que só veem defeito em tudo. Isso não quer dizer que eu terei uma opinião acerca do longa. Por outro lado, prefiro curtir o filme como filme, não como um trabalho acadêmico feito para que eu possa dar o meu parecer. Acho que você e entende, né? Como você mesma falou “Quer fidelidade histórica, o History Channel deve ter algum documentário bacana sobre o assunto.”

    Bjos de montão.

    PS. Saudade também de montão.

    • Concordo, Cláudio, tem filme de todo jeito pra todo tipo de gente, né? Esse é pra sentar e divertir, sem muita análise ou comparação com o que já foi feito sobre o assunto. Vale a pena ver sim, despretensiosamente. Pra mim sempre diverte, eu adoro essas histórias da Idade Média…

      bjk, bom te ver por aqui!

    • Ah, obrigada, mas vai ver o filme sim, é divertido! A gente já tem tanta coisa séria na vida… 🙂
      Estou preparando outra, de um filme muito bacana que eu vi, mas ainda não consegui terminar de escrever. Uma hora sai!

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