Mary e Max – tentando entender o mundo

Max Jerry Horowitz, 44 anos, criou uma palavra para tentar expressar como se sente neste mundo louco: confuzzled (confused + puzzled). Sozinho e confuso numa cidade caótica como Nova York, Max não tem amigos e vive num pequeno apartamento com seu peixinho, um gato caolho e um papagaio. Entender as pessoas e as sutilezas dos relacionamentos sociais é algo quase impossível para ele, portador da Síndrome de Asperger. Max é obeso, viciado em chocolate, tem frequentes ataques de pânico, leva tudo o que dizem ao pé da letra, adora assistir Os Noblets  e tenta desesperadamente encontrar um pouco de ordem no caos à sua volta.

Do outro lado do mundo, Mary Daisy Dinkle, uma garotinha de oito anos, também tem sua cota de problemas. Ela vive em um subúrbio de Melbourne com o pai, um operário cujo hobby é empalhar passarinhos, e a mãe, que passa os dias revezando entre o cigarro e a bebida. Mary não tem amigos e sua única companhia é um galo. Não perde Os Noblets, adora chocolate, sua cor favorita é o marrom e seu maior desejo é conseguir remover uma marca de nascença que tem na testa.

Um feliz acaso coloca Mary em contato com Max, e começa aí uma amizade que duraria mais de 20 anos. Duas criaturinhas confusas e sozinhas em dois pontos do globo descobrindo o outro e aprendendo mais sobre o mundo e sobre si mesmas. Não dá nem pra começar a te explicar o tanto que esse filme é lindo e delicado, tristinho sem ser dramático, engraçado sem ser bobo. Assista ao trailer e me conta se você também não se apaixonou pela dupla.

Adam Elliot usou o marrom como cor dominante para rodar essa animação em stop-motion (a única outra cor, em pequenos detalhes, é o vermelho) e cada objeto parece ser também um personagem da história. Philip Seymour Hoffman, que empresta sua voz a Max, nunca esteve tão bem, e achei divertido ouvir o veterano Barry Humphries, mais conhecido na TV inglesa e australiana por sua tresloucada Dame Edna Everage, fazendo a narração em off. E o texto, gente, que texto mais bacana, inteligente, sério e engraçado ao mesmo tempo, de uma delicadeza pra falar das coisas como há muito tempo eu não via.

Peninha é que esse tipo de filme acaba ficando reduzido a sessões alternativas em horários alternativos em salas pequenas e de menor qualidade. Olha aí no jornal se Mary e Max está passando na sua cidade. Se não estiver, dê um jeito de alugar o DVD. Ou baixe o filme da internet, a ‘pirataria para fins pacíficos’ serve pra essas horas. Mas não deixe de assistir.

Anúncios

17 respostas em “Mary e Max – tentando entender o mundo

  1. Mônica,
    Belíssima, sua crônica. Me deixou cheio de vontade de ver o filme. Pena que não esteja em cartaz, por aqui…
    O jeito é ter paciência, e esperar o DVD.
    Bjs

    • Obrigada, Pedro!
      Ou então você pode baixar… 🙂
      Assista sim, é lindo.
      Deve sair em DVD loguinho, atualmente tem demorado bem menos.
      Principalmente para um filme desse tipo.
      bjk

  2. Não passou aqui (mentira, em mais de 100 cinemas, é claro que passou. só que não ia adiantar eu assistir pq nao iria entender), então, como eu li ótimas críticas sobre o filme, baixei e assisti (mesmo sabendo que é coisa feia de se fazer, principalmente em país que se rastreia IP). O filme é lindo, lindo. Assisti assim que lançou, acho que já tem um mês.
    As minhas cenas preferidas: quando ela pergunta o que é o amor (foi isso mesmo?), e ele entra em parafuso, a carta do marido e a cena final, quando ela olha pro teto. São tão intensas e sutis. Aliás, o filme todo é assim, até quando mostra a coleção que ela mesma fez dos Noblets.

    Recomendo.
    Bjs

    • É, rastreamento de IP é barra… 😛
      Eu nem sei te dizer o que é mais lindo no filme: imagens, o texto, a ideia toda. Amei.
      Adorei a definição de frisbee…
      Ah, preocupa não, acho que o que você comentou não chega a se caracterizar como spoilers, né? Se fosse assim, até trailer era spoiler! 🙂
      bjk

  3. Haha. Vi esse filme tem duas semanas. Lembrei de recomendar pra todo mundo, menos pra você. Perdão. 😦

    Você chegou a ver o filme anterior desse diretor? Dizem que também é muito bom.

    • Eu vi no domingo, depois de ficar adiando por umas duas semanas. Tinha visto o trailer por acaso e fiquei apaixonada. Adoro animações, quando descobrir alguma coisa legal, pode me avisar!

      Acho que li em algum lugar que Mary and Max é o primeiro longa do Elliot. Eu até hoje só tinha visto Harvie Krumpet, o curta de animação que ganhou o Oscar há uns seis ou sete anos. Passou no festival Anima Mundi e é muito bacana também. Se clicar no link, você pode assistir lá no Iutúbi…

    • Teles, eu adoro absolutamente tudo do Nick Park e o pessoal da Aardman, acho eles sensacionais. Wallace e Gromit são d+!

      O filme que eu vi é Harvie Krumpet sim. Um barato, narrado pelo Geoffrey Rush. Adoro o finalzinho, quando aparece a frase “Life is like a cigarette, you should smoke it to the butt”, ou ‘A vida é como um cigarro, você deve fumá-la até a bituca’. Vale a pena ver, é curtinho (acho que menos de meia hora).

  4. A Monica mandou, entao vou baixar sim!!! Adorei sua sinopse.
    Por falar em Asperger, eu tb vi “Adam” e adorei. Recomendo pra you tb.
    Preocupa nao, que tb sou contra a pirataria: jamais roubaria um navio!

    • Úia que eu não mando nada, hein! 😀
      Que bom que gostou, você anda sumidinho…
      Não vi Adam, thanks pela sugestão.
      Também sou contra a pirataria, a não ser que esteja falando de Johnny Depp fazendo cap. Jack Sparrow… 😛
      bjk

  5. Ei Mônica…

    tá vendo? Agora fiquei doidinha pra assistir esse filme. Vou dar um jeitinho de “dar um tempo” nessas leituras e escrituras doidas e ir ao cinema. Será que ainda dá tempo?
    É que prefiro cinema…na TV tenho dormido….(será por que?…hehehe)

    Beijim

    • Ei Cris,

      ah, deixa esse negócio de mestrado pra lá (kkk, até parece, logo eu dando essa sugestão, parece que eu nem me lembro como é!) e vai ver sim, você e o Paulo vão gostar, tenho certeza. Eu vi lá no Belas Artes, mas tem uma sessão (umazinha só!) no BH. É filme pra ver no cinema mesmo; pra mim, TV é só em último caso.
      bjk

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s