Pretérito perfeito

Há algum tempo cheguei a uma constatação absolutamente estarrecedora: eu sou uma mulher do presente, eu tenho mil planos para o futuro, mas o meu passado… bem, esse estava ainda lá na casa dos meus pais. Pelo menos, fotograficamente falando. Meu pai tinha uma câmera supermegablaster e ele estava sempre tirando fotos da gente em todo lugar, não apenas nas ocasiões especiais de praxe. Lá em casa ainda existem toneladas de fotos coloridas e em preto-e-branco de todos os tamanhos, slides, filmagens em 8mm, gravações em fita de rolo e cassette (céus, alguém ainda se lembra dessas coisas?), um verdadeiro acervo arqueológico de deixar o Indiana Jones morto de inveja. Isso está sendo recuperado aos poucos, porque é coisa que não acaba mais, mas eu estava aflita que minha vida começava aqui na minha casa com as fotos que eu tinha tirado com a minha câmera. Tudo da primeira infância estava do outro lado da cidade. E tem gente que ainda torce o nariz pras maquininhas… Meu irmão escaneou várias dessas fotos, deu uma limpada legal no visual (nada que se compare aos retoques da Playboy, foram só mesmo aquelas manchinhas, arranhados e dobras de fotos antigas) e me enviou por email. Gente, ‘chôse de lóc’, como diriam os franceses. Fiquei um tempão me divertindo e me lembrando das coisas (nossa, esse colar da mamãe! meu Deus, é a nossa Vemaguete! credo, quem foi que colocou essa fita no meu cabelo? uau, a casa em Ispra! olha só, a vovó tão diferente…). Não, não vou sair postando essas coisas, né? Sem chance. Mas, só pra vocês sentirem o drama (e não vai ter outra dessas não): mâmi e eu em mil novecentos e avião à lenha. O Junior disse que eu já tinha aí a minha cara de brava. Nada disso. É só pra mostrar para os nossos telespectadores que, desde a mais tenra idade, eu sou uma pessoa séria…

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6 respostas em “Pretérito perfeito

    • Sabe que eu não sei? Acho que já foi aqui… Por incrível que pareça, não tem data no verso (papai sempre colocava, mas a lei de Murphy não falha…), então não tenho certeza absoluta. Não consigo reconhecer o lugar, definitivamente não é lá no prédio onde morávamos. Mas não me lembro da casa… Vixe! O sotaque tá italiano? 😛

    • hahaha, eu sempre fui moça muito séria, Wagner, não saía por aí rindo pra todo mundo, ainda mais que o senhor que tirou a foto era meu pai há pouco tempo! 🙂
      Mamãe era uma gata mesmo, e continuou linda a vida toda, porque era uma beleza que vinha de dentro. E era uma pessoa muito, muito especial.

    • kkk…
      é exatamente isso que eu estou dizendo na foto: olha esse cenho!!! 😀
      Naquela época a gente ainda não tinha preocupação com o botox, hehehe…

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