RIP – Rest In Pieces

Prezados leitores, é com profundo pesar prazer que comunico a todos o passamento daquele pernilongo duzinfernu, que vinha literalmente me tirando o sono e, no embalo, litros do meu sangue. Folgo em informar a todos que esse pernilongo, nas sábias palavras de John Cleese naquele sketch do papagaio morto, “is no more”. Faleceu e juntou-se ao Coro Invisível. Deixou de existir e agora descansa em paz. Expirou e foi de encontro ao Criador. É, finalmente, um ex-pernilongo.

Cruzei com ele outro dia de manhã meio de bobeira, a caminho da cozinha. Passou por mim voando baixo, provavelmente devido ao carregamento de sangue que parecia estar sendo contrabandeado e negociado no mercado negro. Não foi páreo para as mãos mais ágeis deste lado das montanhas. Eu sabia que anos e anos de treinamento intensivo na casa dos meus pais, noites perdidas tentando exterminar verdadeiras esquadrilhas de insetos chupívaros, nada disso teria sido em vão e um dia todo esse trabalho exaustivo teria sua compensação. Não me decepcionei.

Para falar a verdade, não era bem um pernilongo. Estava mais para um Airbus A320 com autonomia para voos transatlânticos, carregado de glóbulos brancos, vermelhos e aquela que pode ter sido a minha grande arma secreta de alcance destruidor: uma dosagem alcoólica acima do permitido pelo Ministério da Saúde para insetos dessas dimensões. Provavelmente ainda estava chapado quando veio de encontro às palmas das minhas mãos e nem deve ter sentido direito a explosão, não teve a menor chance. Quem diria que alguns copos de chopp teriam todo esse efeito demolidor! Nem o Clint Eastwood, em seus melhores momentos, teria sido tão rápido e certeiro. Foram pedacinhos de pernilongo voando por todos os lados.

Mas então é isso aí. Noites de sono tranquilo se avizinham no horizonte. Esse pernilongo já não poderá mais perturbar o sagrado descanso das mulheres e homens de bem deste país. Amém.

18 respostas em “RIP – Rest In Pieces

  1. Sinto dizer que pernilongo é igual terrorista do Al-Qaeda: você mata um e outros trinta tomam o seu lugar. Que os deuses tenham piedade de nós neste próximo verão que já começa a mostrar os dentes e que, temo, será de lascar. Amém também.

    • É, quem já morou perto de lagoa sabe bem como é isso! Geração expontânea é com eles mesmo. Parecem Gremlins… Se aqui em cima, com a ventania de praxe, um ou outro resolveu aparecer por agora (se bem que este inverno está um fracasso no quesito temperatura), imagina no verãozão!!! 🙂
      Acho que vou renovar meu estoque de sangue, só pra garantir.
      bjk

    • Vamos ver se ele não vai enviar reforços… 🙂
      Cruzes, a ponte continua lá? Que tristeza. O Murilo (primeirão lá no alto dos comentários) já morou em Lux por uns tempos, tem ótimas historinhas…
      bjk

  2. Não esqueça de enriquecer o estoque de sangue com boas doses de álcool. Sono garantido para você e uma morte sem dor para os pernilongos. Generosidade é tudo. Aqui em Cabo Frio, na falta de companhia, compartilho meu Château Mouton Rothschild com núvens de pernilongos chatos, mas de crescente bom gosto.

    • Também acho que classe é tudo, Patrícia!
      Acho quase um dever a gente mostrar pra eles que existem sangues e sangues. Por exemplo, Nova Schin, nem pensar! É de Stella Artois pra frente! 🙂
      A gente pode até viver no meio do mato com esses bichinhos inconvenientes, mas cair do salto, jamais!!!
      bjk

  3. O pernilongo, ainda meio zonzo, tenta explicar para o pernispírito que o recebe do outro lado:
    – Eu voava calmamente perto da cozinha quando, de repente… PLÁ!!…
    E o pernispírito:
    – Estava escrito… Ali se faz, ali se paga! Quem mandou ficar rindo dela?!…

    Grande abraço

  4. Esse negócio de descendência é fogo… deixou um parente na minha casa. Tem duas noites que o disinfiliz vem atrapalhar meu sono!!! Ontem eu quase consegui pegá-lo, mas entre meu abajur inteiro e o pernilongo morto, dei preferência pro abajur…

    • No que você fez muito bem, abajures têm preferência!
      Qualquer hora dessas você pega o coisinha.
      Precisando de mãos ágeis, estou às ordens! Foram anos de treinamento intensivo na casa de pápi e mâmi… 🙂

  5. Mônica,

    K, k, k, k, k, k!!!! me lembrou meus áureos tempos de Cabo Frio!!!!!! Quentes e “ensaguentados” verões!!!

    Besitos!!!!
    Vanessa.

    • Histórias de horror em déjà vu, né?
      Ainda bem que a gente ainda consegue rir disso!!!
      Mas aguarde que eu vou dar uma receita infalível pra acabar com eles.
      besitos!

  6. sempre achei que pernilongo fosse uma coisinha atoa case nada, muriçoca sim fosse bicho de matar a sapatadas.
    Agora já não passo vergonha!!!
    Beijo

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