Pasmei

Aluna que me contou outro dia, aconteceu com alguém que ela conhece. Jovem engenheira, casada há poucos anos, envia currículo para participar de um projeto em uma universidade. Marcam uma entrevista com ela, estão interessados. Aí é que fica bacana. O sujeito começa:
– Seu currículo é muito bom, nós ficamos bem impressionados, eu só gostaria de fazer umas perguntas.
Claro, ela pensou. Mas estava tudo na ponta da língua. Sua experiência profissional, inclusive no exterior. Seus anos na escola de engenharia. Suas expectativas para os próximos anos. Ela poderia falar sobre tudo isso, e em português, inglês ou espanhol. (…rufar de tambores…)
– Estou vendo que você mora no bairro X. Você é rica?
– ???
– A situação de seus pais é estável?
– ???
– Você trabalha porque precisa ou é só por hobby?
– ???
– Você é casada mas não tem filhos. Está planejando engravidar num futuro próximo?
– ???

Essas foram as perguntas. Oi? Pára tudo, e com acento diferencial mesmo. Eu pergunto a você que está lendo este post e trabalha com Recursos Humanos, entrevistas de emprego, treinamento e tudo o mais. Quequeisso? WTF? Vocês preparam os candidatos pra perguntas desse tipo? Porque, ó, tem gente por aí querendo saber essas coisas, viu… Eu fiquei pensando em algumas respostas possíveis. Tanta criatividade nas questões provavelmente demanda respostas menos esperadas:

– Você trabalha porque precisa ou é só por hobby?
– Meu senhor, hobby é pegar a temporada de ópera em Nova York, é ir ao cinema, alugar um DVD, assistir novela. Hobby é jogar golfe, praticar esportes radicais, jogar uma pelada com os amigos na praia. Hobby é pintura, fotografia, culinária, tricô. Hobby é descobrir o melhor da gastronomia mundial, é fazer uma churrascada na laje, tocar piano, violão, fazer uma roda de samba com a galera. Trabalho definitivamente não se enquadra nessa categoria.
– Você é casada mas não tem filhos. Está planejando engravidar num futuro próximo?
– Bem, se os seus pais já te explicaram os fatos da vida, o senhor deve estar ciente de que não existe método contraceptivo 100% eficaz, a não ser suco de laranja (ao invés de…, tome um copo de suco de laranja). Então é o seguinte: não estou necessariamente pensando em filhos agora, mas estou planejando muitas noites de sexo selvagem com meu marido. Daí que vai que o inesperado faz uma surpresa, né? Mas vamos torcer e apegar com a santa.

Como diria a minha avó, forte coisa! Quer dizer, a gente sabe que ceresumanos sem-noção ainda perambulam entre nós, mas eu sempre pasmo quando me contam histórias assim. E com você, já aconteceu algo parecido? Já te fizeram perguntas estapafúrdias em entrevistas ou foi a moça que deu ‘sorte’?

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17 respostas em “Pasmei

  1. Olha, já aconteceu com uma tia minha, anos atrás.
    Ela estava querendo uma vaga numa creche para trabalhar como secretária. Na época, ela tinha acabado de se divorciar e precisava de renda pq o ex não queria pagar pensão pra ela, só pros filhos. Ela ficou no apto que eles moravam antes, mas com as contas todas pra pagar.
    O emprego foi negado, mesmo se encaixando na vaga, porque alegaram que o bairro onde ela morava era de classe média, ela não estava precisando do emprego (sal. mínimo) e dariam a vaga para alguém que realmente precisasse.

    E, recentemente, uma colega aqui da Alemanha foi demitida por ter casado. Não ficou claro isso, mas em uma conversa com o chefe, ele deixou escapar, semanas antes, o motivo:
    – Você vai querer ter filhos, né?
    Aqui, a licença varia de 6 meses a 3 anos.

    Mundo machista, né? PQP!

    Minhas respostas:
    – Não sou rica, sou ambiciosa. Bairro bom traz coisas boas.
    – Meus pais me proporcionaram o que eu sou hoje, é só olhar meu CV.
    – Pq preciso, para pagar as minhas contas. Apesar de casada e com pais em situação estável, sou uma mulher independente. E pq sou ambiciosa, lembra?
    – Não. E se quiser, nào é de sua conta.
    Aliás, como disse que sou ambiciosa, essa vaga de emprego está muito pequena pra mim, tchau!

    Eu ficaria desempregada por muito tempo… 😉

    Bjs!

    • Esse negócio de onde mora é fogo, né? Quando morávamos numa casa, o bairro estava ainda começando e a maioria dos moradores era de professores da universidade, gente que estava construindo sua primeira casa. Os terrenos eram grandes e o lugar lindo, mas longe de tudo. Com o tempo o lugar ficou ‘in’, apareceram mansões e tudo o mais, e aí quem morava lá há muito tempo ficou com fama de ser trilhardário. A gente tinha que explicar que nós continuávamos os mesmos, era o perfil do bairro que tinha mudado…
      Histórias como a da sua tia e da sua amiga têm mesmo aos montes, né? E não depende da geografia…
      bjk

  2. Mônica,
    acho que fazer esses tipos de perguntas é, além de invasão de privacidade das brabas (brasileiro agora que está começando a entender o que é exatamente isto), apresentar o calhorda que vai, a partir da admissão de alguém no cargo, dar a tônica da imensa insatisfação que se irá desfrutar no tal emprego.

    A Eve está coberta de razão.
    É responder irônica e rispidamente e perder a vaga.

    Meritocracia, num caso desses, não passa nem de avião a 15.000 20.000 pés de altura.
    Uma vergonha!
    Além duma imensa besteira.

    Abraços,

    Stélio

    • Foi exatamente isso que a moça pensou, e tratou de dar tchau pro entrevistador e voltar pra casa bem feliz da vida, sabendo que não iria ter dor de cabeça com um sujeito assim como chefe.
      Do jeito que engenheiro anda em alta no mercado, num minutinho ela vai estar num trabalho muito melhor e, o que é mais importante, que a respeite como profissional.
      bjk

  3. Ei Mônica,
    sabe que existem mesmo umas entrevistas esquisitas?

    Logo que me separei, fiquei maluca procurando mais um emprego (sabe como é, as contas vencendo, eu sozinha pra tudo) e aí uma amiga levou meu curriculo na empresa onde ela trabalhava.
    Rapidinho eles me chamaram, participei de uma seleção rigorosíssima, eu muito a fim de ser contratada, afinal era uma empresa multinacional (aquela administradora de cartões de crédito).
    Na última etapa, três ” entrevistadoras”, perguntaram tudo da minha vida, até chegar no casamento….e no término dele, é claro.
    Aí uma das moças fala:
    – Olha, você não acha que está passando um período muito difícil da sua vida, não? Será que não seria melhor você vivenciar tudo isso antes de começar num novo emprego? Acho que esse período pode atrapalhar sua vida profissional.
    Acho que fiquei tão espantada, que respondi:
    – Não, eu não estou passsando um período difícil. Difícil era o período anterior. Agora eu só quero vivenciar coisas novas, inclusive um emprego e não acho que esse período pode atrapalhar nada. Atrapalharia se eu ainda estivesse casada. Agora é só alegria.
    A moça me olhou querendo rir e a outra ainda perguntou:
    – Por que a empresa deve te contratar?
    Eu pensei: aí meu Deus!!!! esse povo tá de gozação!
    Mas controlei e respondi:
    – Por tudo isso que eu já falei. Só isso.
    Acho que as moças gostaram….e eu também. Lá era ótimo de trabalhar. E só saí porque a empresa mudou para São Paulo.
    Beijim

    Ahh…ri demais do suco de laranja….hehehehehe

    • Tá vendo? Esse pessoal não está preparado para respostas ‘out of the box’ – nem imaginavam que o divórcio era a solução, não o problema!!! 😀
      Pois é. Suco de laranja é garantidíssimo. Com ou sem açúcar!
      bjk

  4. Nossa, mas é cada história aqui, não?! E eu que me considerava anormal por sempre estranhar essas entrevistas, fiquei mais aliviada, agora! 😉

  5. Numa clínica em Porto Alegre (Salux) me perguntaram se eu era usuário de drogas pesadas. Eu respondi que não me lembrava muito bem por causa da amnésia que as leves causam.

    No Hospital de Reumatologia, também em Portin, me perguntaram se eu já havia pego alguma doença venéria. Eu disse que havia tentado mas elas são muito rápidas e escorregadias.

    No Hospital Moinhos de Ventos, em Portin também, a enfermeira me perguntou se eu tirava a pressão regularmente. Eu respondi: NUNCA! Vá que eu tenha pouca! se tirar fico sem nada e caio.

    • hahaha, adorei as respostas!
      Acho que esse pessoal precisa ouvir umas coisas assim de vez em quando, nem que seja pra chacoalhar os neurônios!
      Uma vez uma amiga do meu pai perguntou pra ele: quantos anos você me dá? Ele respondeu: Nenhum, uai, você já tem tantos!!! 😀
      Ainda bem que era amiga…

  6. Ah! Tem a clássica pergunta e as respostas já anotadas no papelzinho:

    “Quais são seus principais defeitos?”
    – Sou perfeccionista, cobro demais de mim mesmo e da equipe, coloco o trabalho acima da família e não sei descansar quando deveria.

    É contratação garantida.

    As citações da sua avó espalhadas aqui e ali são sempre ótimas (até hoje fico repetindo e rindo dos “gatinho que nascem no forno…”)

    • Engraçado, e eu morreria de medo de contratar alguém que não consegue dar o devido valor ao descanso e à família. Acho que gente assim também não deve saber valorizar o trabalho, né?
      Pois é, minha avó tinha umas ótimas. Aliás, as duas davam ótimas respostas…

  7. – Estou vendo que você mora no bairro X. Você é rica?

    Não, eu sou do movimento sem-teto e invadi uma mansão abandonada.

    – A situação de seus pais é estável?

    Estabilíssima. Estão na mesma merda há anos.

    – Você trabalha porque precisa ou é só por hobby?

    Por hobby, claro. A grana boa vem de alugar a mansão invadida para festas de arromba com muito sexo e drogas.

    – Você é casada mas não tem filhos. Está planejando engravidar num futuro próximo?

    Ah, isso depende de encontrar um velhote trouxa bem rico pra pagar pensão pro meu filho. Ouvi dizer que o diretor-presidente da empresa é cardíaco, é verdade?

    • hahaha, ótimas respostas!
      “A situação dos meus pais é super estável. Ambos já são falecidos. Mais estável do que isso não tem jeito, né? Diria mesmo que a situação, pelo visto, é imutável.”

  8. Hahaha!
    Após ter passado por várias situações assim, preciso mesmo é rir. Numa época em que estava desempregada, acontecia isso:

    “Você mora sozinha?”
    “Você tem namorado?”
    “Você é baladeira?”
    “O que seus pais fazem?”
    “Por que seus pais se separaram?”
    “Você tem irmãos? O que eles fazem?”
    “Você tem religião?”
    Enfim, a melhor de todas: “Você come carne?”

    Acreditem ou não, estas são as perguntas que tenho que responder nos processos de seleção. Alguém sugere respostas criativas? Ou melhor: alguém pode me explicar qual é a melhor maneira de respondê-las?

    Escrevi aqui: http://dancaravida.blogspot.com/2008/05/responder-ou-no-responder.html

    Inacreditável!

    • Cruzes!
      Por que será que eles perguntam se a gente come carne? É medo de você ser canibal??? 😀
      Engraçado, né Thaís, perguntar se a gente é baladeira, tem namorado, se segue alguma religião, com certeza é pra saber se você vai se ‘distrair’ com outras coisas que não o trabalho. Mas eu acharia péssimo trabalhar, ou contratar, alguém que só comesse, dormisse e respirasse trabalho.
      De vez em quando um aluno me diz que não o leu o texto tal ou fez o exercício tal porque teve um compromisso social e eu sempre respondo: pois continue assim! Só tome cuidado pra saber dosar as coisas.
      Família, namorado, igreja, clube, amigos, tudo isso tem que ter seu lugar, né? É o cúmulo acharem que o trabalho tem que ser a única coisa da sua vida…
      bjk

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