Sem perder a linha

***
Olha, quando eu crescer, quero ser a Evelyn Salt/Angelina Jolie. Que eu me lembre, ela é a única mulher que consegue explodir prédios, saltar de pontes, dar porrada em dezenas de marmanjos e ainda sair com a camisa branca mais branca do que se tivesse sido lavada com Omo Total. A moça vale mais do que um Bruce Willis, três Stallones e 24 territórios à sua escolha juntos. Também é perita na arte de tingir as madeixas, e depois de sair algemada de uma igreja com poeira até na raiz dos cabelos, cinco minutos depois eles já estão impecavelmente limpos, sedosos e desembaraçados. Dá conta de correr pelas avenidas de Washington D.C. com seu tailleurzinho de saia justíssima sem tropeçar ou perder o passo. E, pelo que me consta, não quebrou nem uma unhazinha sequer, mesmo detonando granadas e saltando de caminhões em movimento. Nem Uma Thurman em seu Kill Bill fez tanto. Poderosa.

Dito isso, Salt é mesmo aquela bobagem que Hollywood vez por outra nos empurra pra vender mais pipoca e Coca Cola no cinema. Sem ter muita certeza de quem é o vilão da vez, o roteirista Brian Helgeland (de Sobre Meninos e Lobos) achou por bem diversificar: russos, norte coreanos, quem sabe até uns muçulmanos eventualmente? Se você pensou ‘hhmmm… já vi esse filme antes’, é isso mesmo. Os americanos vêm fazendo filmes desse gênero desde ‘os bons tempos’ da Guerra Fria.

A história é manjada? Manjadíssima. A agente da CIA, casada com um cara legal e com um cachorrinho em casa, que é acusada de ser espiã russa e tem que provar que é (ou não é?) inocente. Tem o agente que acredita nela, o que não acredita, tem o complô pra matar presidente, de preferência numa cidade como Washington ou Nova York, que é pra gente ter as cenas de perseguição com engarrafamentos, viadutos inacabados, muitos carros para destruir e muitas vitrines para explodir em mil pedacinhos.

Tem furos? Aos montes, mas ninguém vai assistir a um filme (cujo protagonista originalmente era pra ser o Tom Cruise) desses pra tentar achar coerência. É adrenalina, soco no nariz, chute no estômago, explosão, perseguição, tiroteio e estamos conversados. Vamos combinar, Hollywood sabe fazer essas coisas como ninguém. E Angelina, com seu lado Lara Croft já mais do que afiado, faz o papel de tough girl sem pestanejar. Aposto como sairia daquela encrenca toda e ainda se enfiaria num modelito Versace só com uma chuveirada rápida pra ir jantar num restaurante chiquérrimo. Absoluta.

Dá pra esperar o DVD? Claro. Quem sabe passar na TV? Com certeza. Mas, né, uma noite de quinta-feira, eu querendo diversão que não perturbe meus dois neurônios, ótima companhia, café com pão-de-queijo no California Café e meia-entrada na promoção da TIM? Gente, é sem contra-indicação.

Agora, Helgeland, me ajuda aê, plíss: tanto trabalho dando falas em russo pros atores memorizarem (com resultados bastante questionáveis) e você deixa passar o detalhe? Que eu me lembre, os sobrenomes russos têm feminino e masculino. Chenkov é masculino. Se é pra dizer que esse é o nome da moça, então é Chenkova. Custava nada ter um tiquinho mais de capricho, humpf.

14 respostas em “Sem perder a linha

  1. Acho que foi uma grande sacada de Hollyood colocar ms. Jolie no lugar dos rambos e outros machões do cinema, pois se esses filmes são todos iguais, pelo menos pra nós, marmanjos, ela é muito melhor de se ver, por isso acho que o público masculino deve aumentar.

    Mudando de assunto, Monica, hoje de madrugada lembrei de você. Infelizmente não foi nenhum sonho paradisíaco nas águas do Mediterrâneo, mas um puto de um pernilongo dando rasante no meu travesseiro, que não me deixou dormir. Quase levantei pra tentar a sua receita de espuma de sabão, mas fiquei com preguiça e tive que aturar o dito cujo um bom tempo, até ele (ou eu) desistir e dormir.

    • Wagner,
      a sacada foi mesmo ótima. Tom Cruise saiu do projeto (uns dizem que foi conflito de agenda, outros que ele achou que o filme tinha a maior pinta de Missão Impossível) e alguém deu a ideia de que era só reescrever o roteiro e colocar uma madame no lugar. Se vocês se divertirem com ela o tanto que eu me divirto vendo um marmanjão como o James Bond batendo e levando, a bilheteria tá garantida!
      Que horror, hein, e não é que apareceu um outro no meu quarto a noite passada também? Um inferno, viu, essa história de aquecimento global + adensamento populacional dá nisso, dizem. Sorte que o meu sono era muito e meu sangue não deve ser lá grande coisa, porque acordei sem marcas de picada…

    • Ei sumido! 🙂
      Mary e Max não é uma graça?
      Pra quem gosta de animação, como eu (e acho que como você também, né?), é um prato cheio!
      Filmes de ação também não estão no topo da minha listinha de preferências, mas eles têm sua hora. Às vezes eu só quero mesmo é que o Bruce Willis cubra o vilão de porrada, já que eu não posso fazer o mesmo com o chefe, o governo, o motorista sem-noção… Uma catarsezinha bem colocada resolve o que seriam horas e horas de terapia!!! 😀
      bjk

  2. Róliudi tá decadente. Ainda não vi nenhuma novidade de roteiro. Inception ainda não vi…
    O melhor de tudo foi a sua puxada de orelha no final. Povo mais sem atenção, hein? E a gente ainda tem que ficar lembrando a esse povo que não custa nada nada pensar um pouco. rsrsrs

    Bjs!

    • Eve,
      Roliúdi tá decadente, mas a gente ainda se ‘adeverte’ com os filminhos que são feitos por lá! O negócio é não se deixar limitar só pelas produções deles, né?
      Pois é, eu prestei atenção nisso do nome porque sempre presto atenção em sotaque, pronúncia, que língua o pessoal está falando, essas coisas. E estudei russo em mil novecentos e guaraná de rolha e, até onde me lembro, os nomes costumam ser assim: o seu nome de registro, o nome do meio feito a partir do nome do seu pai (Nikolaeva, filha do Nicolau; Ivanova, filha do Ivan, e por aí vai) e o sobrenome propriamente dito, flexionado em masculino e feminino…
      bjk

    • Rosa,
      cinema anda caro pra caramba, né? (é a entrada + estacionamento + um lanchinho…) Eu também sou bem seletiva na hora de escolher. Salt é um filme que não precisa realmente ser na telona, embora as cenas de perseguição e tudo o mais fiquem mais ‘dramáticas’ no HD/Dolby. No meu caso, valeu a pena porque durante a semana, com o cartão-fidelidade da TIM, desembolsei seis reaizinhos, olha só que pechincha… 🙂
      Mas veja sim, diverte bastante.
      bjk e ótimo finde pra ti também!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s