Noves fora, nada

Essa eu vi lá no Inagaki e resolvi brincar também. Não vou passar pra ninguém diretamente, que eu sei que tem gente apertada de costura, mas quem quiser pode pegar e fazer e colocar o link nos comentários pra gente ir nos blogs ver também… Nove coisinhas que provavelmente você não sabe sobre moi.
***
1. Eu nasci aqui, ó, nessa simpática cidade pré-alpina chamada Varese. É a capital da Lombardia, numa região muito bonita no norte da Itália, cheia de montanhas e lagos. Vim ao mundo pelas mãos competentes do doutor Siassaro e um dos grandes mistérios na família é o que teria acontecido com o médico: até hoje ninguém sabe siassaro, sifritaro ou sicozinharo o moço em fogo brando. Meu pai dizia que eu quase nasci durante uma corrida de bicicletas, mas já chequei a veracidade da informação e concluí que foi um exagero da parte dele. Sim, eles ficaram parados por um bom tempo na estrada enquanto os ciclistas do Giro d’Italia passavam, mas deu tempo de sobra pra chegar ao hospital. Uma das partes mais antigas da cidade, chamada Sacro Monte di Varese, é muito linda e a vista de lá é show. Não tenho direito a cidadania italiana, porque minha ascendência é brasileiríssima até onde a vista alcança e a árvore genealógica volta. Minha avó, em sua infinita sapiência, dizia que isso é muito certo: o que interessa é mesmo o sangue. Afinal de contas, se os gatinhos nascerem dentro do forno, eles por acaso serão pãezinhos só por causa disso?

2. Minha primeira palavra foi… EX. Não o prefixo. Rex era o nome do cachorro mezzo pastor alemão/mezzo viralata que tinha na casa da minha avó.

3. Eu de pequena falava mais do que sogra largada no sol, só que eu também gaguejava. A médica disse pros meus pais que era só ansiedade pra falar tudo de uma vezada só antes dos outros. Mas, para adicionar aquele plus a mais a nível de bônus extra, eu também gaguejava pra cantar. Rá, você já ouviu contar uma coisa dessas? Pois então. Depois que eu pegava o embalo, tudo bem, mas de saída era ♫U-u-upa neguinho na estrada, u-u-upa pra lá e pra cá…♫ Existem algumas gravações reveladoras, mas elas só virão a público junto com o dossiê do assassinato do JFK.

4. Eu já sabia ler e escrever quando fui pra escola aos 5 anos. Acho que eu era meio nerd, mas na época a gente dizia que fulana era caxiona, ou então cdf. Uau, tem é tempo isso. Até que eu nem estudava tanto assim em casa, mas sempre gostei de aprender coisas novas, então prestava atenção nas aulas. Quem sofre de Tudismo sabe bem do que eu estou falando.

5. Meu primeiro – e único – recital de piano foi tocando a Sonata em Dó Maior (K 545) de Mozart, também conhecida como Sonata Facile, por motivos óbvios. Mas facile era o nariz do Wolfgang, levei o ano inteiro pra aprender e memorizar tudo bonitinho, mas agradeço a ele de coração por ter pensado em nós, pobres alunos de piano, na hora de fazer bonito. Eu passei meses achando que estava tudo uma bela merda, até que fui ensaiar no piano da escola. Foi assim que aprendi a diferença entre meu Fritz Dobbert e um Steinway de cauda.

6. O primeiro livrão que eu li na minha vida foi Reinações de Narizinho. Eu devia ter o quê, uns sete, oito anos talvez? Por aí. Hoje a meninada acha muto ler mensagem com 140 caracteres… O último que li foi Correio Feminino, que ganhei de aniversário, uma coletânea de artigos da Clarice Lispector para jornal, escritos na década de 60.

7. Quer me ver boquiaberta e de olhos esbugalhados, como se estivesse hipnotizada? Três coisas: Cirque du Soleil, espetáculo pirotécnico e qualquer truque de mágica. Sério, até aquelas bobagens de festinha infantil, tipo tirar moeda do meu nariz ou adivinhar qual carta eu pensei. Pra mim é tudo mágica, pronto, acabou.

8. Eu sei quando estou tendo um pesadelo e consigo me acordar.

9. Um dos primeiros aniversários de que me lembro foi na casa de uma tia-avó que morava num casarão super bonito na Lagoa Rodrigo de Freitas. A gente viajou pro Rio no trem Vera Cruz, foi a minha primeira grande aventura de viagem e a primeira vez que vi o mar. Hoje eu nem saberia dizer onde ficava a casa da titia, a lagoa era tão linda e tão chique naquele tempo. E eu ganhei uma Susi de presente.

29 respostas em “Noves fora, nada

  1. Soleil? Não pude assistir Quidam quando eles estiveram no Rio, é mole? Agora só falta um show do Michael Flatley, para completar a coleção de “Shows que não pude ir ver porque estava embarcado!

    Muito boa mini-bio, Mônica! Um dia, quando estiver de férias, faço a minha. 🙂

    • Ah, quando fizer a sua, manda o link pra cá!
      O primeiro Cirque que eu vi foi Dralion, eu estava nos EUA e é claro que fui correndo garantir meu ingresso. O pai da minha ‘irmã’ americana me disse que, em certa hora, ele não sabia se olhava pro picadeiro ou se divertia com a minha cara de dãããã… Eu recomendei que ele olhasse pro picadeiro, que o espetáculo tinha custado muitos tostões – a cara de dãããã eu poderia fazer de graça depois… 😛
      Vi o Michael Flatley uma vez e (xêu esconder antes das pedradas!) não achei lá essa Coca Cola toda. Quer dizer, o show é muito legal, mas ainda prefiro o Riverdance, que vi em Dublin há dois anos. Mas quem sou eu, né? Não dá pra perder de jeito nenhum: o mais ou menos desse pessoal está a anos-luz de meus talentos!!! 🙂

    • Ah, ótima ideia, Rê!
      Pois é, eu não sou muito de falar de mim, ainda mais aqui no blog, mas essas coisinhas eu achei divertido contar. Depois libero mais alguns detalhes, mas em doses homeopáticas, pra não dar sono nos meus leitores!
      Afinal, minha vida é essa vidinha assim, coisinha à toa…
      bjk

  2. Que linda Bio! Deu vontade de contar um bocadinho de mim:
    1) Não estive em Varese, mas há 4 anos estive em Ispra, na mesma região. Minha irmã estava a trabalhar por lá. Tenho fotos lindíssimas do Lago di Gardia…
    2) Não sei qual foi a minha primeira palavra e não gaguejei, mas comi uma barata, isso conta?
    3) Eu também já sabia ler e escrever no 1º ano da escola, por isso era eu quem distribuia as folhas, os livros, etc. Era mais auxiliar do que aluno.
    4)A minha primeira audição de piano foi…este ano! Adagio, de Clementi. Todos os dias toco pra não esquecer.
    5) Minha primeira viagem foi aos 2 anos, como boa mineira, para Guarapari…
    6) Às vezes estou no meio de um pesadelo e queria acordar, mas descubro afinal que já estou acordada e não há nada a fazer…
    Bjs,
    Ana

    • Ô Ana, que legal, faz um post lá no seu blog, aposto que você tem coisas super bacanas pra contar! Não precisa ser as mesmas informações, vale qualquer detalhe legal.

      Menina, pois não é que a gente morava em Ispra? Papai trabalhava no Centro de Pesquisa Atômica, ou sei lá qual era o nome daquilo, era num bosque pertinho. Super fofo o lugar. Sim, Lago Maggiore. Voltei nele com mâmi uma vez, com direito a fotinhos na maternidade em Varese e tudo, foi muito divertido.

      Eu aprendi um adagio de uma sonatina do Clementi, mas é claaaaaro que eu já não sei mais tocar (devia ter praticado todos os dias como você!). Foi esta aqui:

      Comeu uma barata? E ela é ‘crunchy’ como parece? 😛
      bjk

      • Acertou! E esse mesmo! Mas muuuuuuito maaaais adaaaagiiiiio….
        Da baratinha já não lembro, virou história de família. Mas devia ter vitaminas ou ser tipo a aranha do spider man pq a menina aqui tá quase com super-poderes…
        Bjs,
        Ana

  3. Mônica, adorei saber mais de vc!
    Concordo com seu amigo aí de cima, que disse que vc tem que escrever sua auto-biografia.
    Tem mesmo!
    Conta mais!
    bjocas

    • Uma auto-biografia de mim mesma???
      Olha, minha vida mal mal dá pra fazer um post! 🙂
      Mas prometo ir colocando mais umas coisinhas de quando em vez. É que minha vida é tão comunzinha, né…
      ‘Brigada pela visita!
      bjk

    • Ah, mas eu tenho circunflexo sim, sou proparoxítona! 🙂
      Eu não costumo colocar no blog e em outros espaços cibernéticos porque de vez em quando os programas resolvem, da cabeça deles, ‘traduzir’ meu chapeuzinho por hieroglifos egípcios e aí eu fico mais ou menos assim:
      M&%*onica.
      Um horror, né? Então às vezes eu deixo o circunflexo de lado!

    • Nossa, Pedro, muito linda a sua foto! Tirei uma mais ou menos desse ângulo, com mâmi de modelo. É uma região muito bonita, né? Daí você consegue entender minha paixão pelas montanhas, de lá e de cá…

      Ah, faz um post sim, você deve ter historinhas muito legais pra dividir com a galera!
      bjk

    • Romacof,
      @monicaveado e @madamemon são mais ou menos como Clark Kent e Super Homem, sacumé? É que minha entrada no Twitter foi em 2007, quando não tinha quase ninguém por lá, meus únicos seguidores eram colegas do grupo de Educação e Tecnologia. Como tinha gente do mundo inteiro, as postagens eram em inglês, geralmente relacionadas com um tema ou o outro. Quando o Twitter virou febre, meu meio de campo embolou, porque algumas dessas postagens não interessam ao grande público, mas as tolices que escrevo em português têm eco limitado na turma do inglês. Daí a ideia de criar meu outro eu. Dois lados da mesma moeda de um centavo, eu diria!🙂

  4. adorei! e eu já tive gatinhos nascidos no forno que nem por isso viraram pãezinhos! hahahah! qualquer hora desses escrevo meus noves fora, nada. bjs, madamemom!

    • Ei, que bom te ver por aqui!!!
      Tá vendo, sabedoria de vó a gente não pode contestar.
      Faz sua listinha sim, você deve ter um monte de coisinhas bacanas pra contar. Aí deixa o link pra gente ir lá xeretar (bom, eu já xereto regularmente, hoho)
      bjk!

  5. Queria ter esse dom de intervir em meus sonhos, mas não consigo ser roteirista das minhas narrativas oníricas.🙂 Em tempo: adoraria acreditar em mágicas. Mas ser jornalista, além das péssimas remunerações, me rendeu outro defeito colateral: tornar-me mais cético do que gostaria.😦 Em tempo: obrigado por ter escrito um texto tão bacana a partir daquele meme. Adorei conhecer seu blog!

    • Inagaki,
      acabo de ter um insight do lado de cá: vai ver foi por isso que eu abandonei o jornalismo mal mal tinha começado a dar meus primeiros passinhos nele. Na dúvida, preferi a mágica! 🙂
      Quanto às intervenções nos sonhos, taí um mistério: não faço a menor ideia de como eu consigo fazer isso. Mas é uma mão e tanto quando o bicho tá (quase) pegando e eu posso dizer: acorda, mulé, isso é só um sonho!
      Obrigada pela visita e pelo comentário!

  6. Deixei um link de presente lá no post do tudismo.

    Sobre essa história de sacar que é um pesadelo e conseguir acordar, eu treinei bastante e hoje consigo não somente acordar mas de vez em quando consigo reorganizar o pesadelo e transformá-lo em um sonho mais agradável.

    A miséria é que deve ter algum mecanismo sacana que identifica “opa! era pra ter um pesadelo aqui e o Arthur está curtindo um sonho legal, vamos acabar com a palhaçada que está fora do script” – e volta e meia eu acordo por causa disso.

    Próximo passo do treinamento: aprender a continuar dormindo depois de redirecionar o sonho.

    Quando terminar essa parte, quero aprender a definir o que sonhar. Hmmm… Angelina Jolie, Sharon Stone, Cameron Diaz… 🙂

    • Bom,
      acho que meus temas de sonho seriam beeem diferentes mas, né? o que seria do vermelho se todos gostassem do amarelo, certo? 🙂

      Ah, dormir e acordar e dormir de novo é comigo mesmo. Faço isso na maior facilidade e às vezes continuo o sonho de onde parei.

      Vou lá no outro post ver o link. Inté.

  7. Hum, Tudismo? Sabia que devia ter alguma denominação pra o que passa aqui em casa, mas nunca procurei…Preguiça…
    Agora que sei, penso, o que dá o resultado (filhos) de dois tudistas em escalas diferentes de Tudismo?
    Melhor não mexer em vespeiro, né?
    Beijinhos

    • Nossa, aí então é por atacado? 🙂
      Melhor deixar quietinho mesmo…
      Mas até que você está bem, né, ficou com preguiça de procurar – um Tudista em último grau não descansaria até descobrir!😀
      bjk

    • Moço, eu sonho de tudo um pouco. De vez em quando até em technicolor e Dolby Stereo, em mais de um idioma, com roteiro do princípio ao fim, uma beleza. Outras vezes é um emaranhado de fotogramas mal colados, desses que fariam a alegria de qualquer psicanalista jungiano tentando encontrar significados. Mas não sou de ter daqueles sonhos recorrentes não, a variedade de assuntos é bem grande! 🙂

  8. Pingback: 9 coisas sobre mim | isaac.adm.br

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