40 anos sem Janis


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Os ídolos costumam morrer ainda no auge de suas carreiras, em geral saindo definitivamente de cena de maneira brutal e espetacular – overdose, suicídio, acidente de carro – e assim a gente é poupada de testemunhar o inevitável ladeira-abaixo. Alguns tentaram se segurar, como Elvis, que ainda tinha charme e talento no final, mas nada que se aproximasse do grande furacão que fora nos anos 50 e 60. Aí a gente pensa que talvez até deva ser melhor assim, né, lembrar dos ídolos enquanto ainda estão por cima, no máximo da juventude e beleza, anos e anos antes da temida decadência.

Mas eu gostaria muito de ter visto onde Janis Joplin teria parado, se tudo não tivesse terminado há exatos 40 anos. Eu ainda era pequena mas me lembro das vários músicas que meus pais tinham em casa, ela berrando ‘Cry Baby’, sussurrando uma quase irreconhecível ‘Summertime’ ou simplesmente cantando com sua voz rouca uma de minhas favoritas, ‘A Woman Left Lonely’. Quando morreu, em 4 de outubro de 1970, Janis estava explorando mais seu enorme talento como blueswoman, domando sua voz poderosíssima (não em termos de volume, mas sem dúvida em interpretação) e certamente sua carreira ainda estava muito longe do final. Nesta bela gravação de ‘Little Girl Blue’ (ao vivo, no programa do Tom Jones, em 1969) a gente pode ter uma lasquinha de ideia do que a aguardava – e a nós também. Uma pena, não deu tempo.

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15 respostas em “40 anos sem Janis

  1. É realmente uma pena, eu ainda não ouvi Janis Joplin, somente uns trechos. Preciso ouvir mais, pesquisar um pouco. Sua ótima crônica me deixou com vontade de conhecer melhor o trabalho dela. Meu interesse por música começou nos anos 70, com Pnk Floyd, Triumvirat, Emerson Lake and Palmer, e Rick Wakeman. Ao mesmo tempo que conheci o trabalho de Wakeman, com o inesquecível Viagem ao Centro da Terra, fui pesquisando e ouvindo Beethoven, e outros clássicos. Somente a pouco tempo comecei a entender e prestar mais atenção ao Jazz (Gosto muito de Gershwin.) Ainda tenho muito que ouvir na música.

    • Marcus,
      quanto mais eu descubro músicos e estilos, mais eu descubro que ainda tenho muita coisa pra conhecer nessa área! Tive a sorte de viver num ambiente em que só existiam dois tipos de música: a boa e a ruim! 🙂
      Aprendi a gostar de ópera e música clássica com tios cantores líricos, das ‘modinhas’ com meus avós, jazz, mpb, rock e todo o resto com meus pais. E hoje aprendo horrores com as pequenas, que me apresentaram aos Black Eyed Peas, Justin Biebers e Taylor Swifts da vida…
      Tive minha fase de rock ‘sinfônico’ (muito Yes, EL&P, Triumvirat, os primeiros tempos do Genesis), e gente como Pink Floyd, Queen e Led Zeppelin sempre esteve no meu toca-discos (sou véia…). Da turma do jazz eu sempre fui fã, desde o bom e velho dixieland até os mais ‘moderninhos’. Vixe, e isso é só o começo…

    • Eve, os anos 60 e 70 fizeram isso, a gente via e ouvia o pessoal e não sabia se estava diante de homem ou mulher… 🙂
      Meu tio, quando via os cantores de heavy metal cabeludos e tatuados berrando no palco, costumava comentar: “Aaaah, tá errado isso! Como é que um camarada desses pode querer ser pai de família???” 😀
      Era uma peça rara, esse meu tio. E tinha razão, kkk…
      bjk

  2. Pingback: Tweets that mention 40 anos sem Janis « Crônicas Urbanas -- Topsy.com

  3. Eu lembro de ouvir quando era pequena, meus pais eram fans dela… de vez em quando eles ainda ouvem as músicas dela… eu gosto do estilo de música que ela cantava o rhythm’n’blues. Agora está voltando a moda esse estilo músical, a absolut está trazendo a tona. Eu vi isso esse dias no site deles, até cadastrei meu email lá para receber uma músicas. Da uma olhada no site, vai que você se interessa também http://www.absolut.com/br/berriacai
    beijos

  4. Pode ser romantismo babaca ou coisa parecida, mas dá uma certa nostalgia do tempo em que nossos heróis morriam de overdose em vez de ir comprar criancinhas na áfrica ou fazer megashows beneficentes em fim de carrreira (sem trocadilho).

    • É, a turma hardcore de hoje é fichinha perto daquela dos anos 60/70… Por outro lado, me irrita profundamente ver gente de talento – como a Amy Winehouse, por exemplo – simplesmente atirar tudo pela janela, enquanto tantos cantores chinfrins ganham a maior grana sem um décimo da competência…
      Os bons ‘berradores’ (Plant, Joplin, Gillan) são exceções mesmo. Aliás, tiro o chapéu pro Bruce Dickinson: não gosto do Iron Maiden, mas vi o moço berrar por mais de duas horas num show e depois sair do palco como se nada tivesse acontecido.

  5. Mônica, conheci Janis através da tia Léa. Tenho discos da janis inté hoje. Janis era inigualável. Nosso bom Deus levou ela cedo, pra cantar pros anjinhos.

    • Tadinho dos anjinhos, já pensou?, acostumados com harpas!!! 😀
      Você ainda tem os discos mesmo, vinil e tudo? Acho que já não tenho nenhum não. Tá tudo em CD mesmo ou em mp3. Concordo concê, ela ainda teria dado muito o que falar por aqui – de um jeito ou de outro!!!
      bjk

  6. Mônica,
    vivi estes anos, sofregamente.
    Eu e meus amigos e amigas, ao recebermos novidades em vinil, “furávamos” os discos, de tanto tocá-los nas nossas vitrolinhas Philips…
    Janis foi uma diva de nossas adolescências, acompanhada passo a passo pelo Jimi Hendrix.
    Beatles foram nossos deuses.
    Curioso é que nossos conhecimentos eram sonoros: clips não existiam e performances eram raridades, a maioria no cinema e nem sempre no mais próximo de nós e também no mais barato, que a grana era curtíssima.
    O que mais me intriga e que àquela época me inquietava, era uma associação que eu fazia: sempre que escutava “She’s leaving home”, com os Beatles, lembrava da Janis.
    Imaginava, idealizava na minha cabeça uma Janis Joplin cumprindo a sina da moça que foge de casa: “Quietly turning the backdoor key, stepping outside she is free”…
    Eu nunca consegui enxergar a Janis comportadinha, arrumadinha, produzidinha, porque ela negava tudo isso na aparência. Na arte era absolutamente correta e fantástica.
    Então nossos deuses daqueles dias conseguiram colocar um pouco de luz e razão na minha cabeça.
    Depois veio a escuridão da morte dela e passei a procurar luz em outros astros, sem nunca esquecer as maravilhosas noites de céu claro, quando as estrelas nos lançavam o desafio final: “Descubram qual de nós é Janis”…

    Beijo,
    Stélio

    • Stélio,
      você falou uma coisa muito certa. Só nos últimos 20 e poucos anos é que, com essa história de clipe, o pessoal começou a prestar atenção no visual também. Antes, era só mesmo o disco, um ou outro show (internacional era uma raridade e nunca chegava por aqui), às vezes alguma coisa no cinema ou na TV. Hoje em dia o que se vê é tão (e muitas vezes mais) importante do que o que se ouve.
      Difícil mesmo imaginar Janis Joplin comportadinha. Talvez ficasse como o Ozzy Osbourne (nunca sei se tem esse ‘u’ no sobrenome dele), porralôka e pai de família meio caretão ao mesmo tempo… 🙂
      bjk

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