O (novo) monólogo de Hamlet

Quando, há 2 anos, assisti a The Merry Wives of Windsor (As Alegres Comadres de Windsor) no Globe Theatre em Londres, os únicos ingressos disponíveis no dia eram do tipo ‘standing’. Isso mesmo: em pé, tomando uma chuvinha fina durante parte do primeiro ato (bendito impermeável!) e aguentando o ventinho frio até no final. Mas a peça é um Shakespeare light, comédia com final feliz, e eu consegui entrar logo e me instalar na famosa ‘turma do gargarejo’, com visão perfeita de todo o palco. Pela bagatela de 5 libras esterlinas, senti-me como um autêntico súdito de Sua Majestade na virada do século XVI/XVII. Foi muito divertido.

Se fosse Hamlet, sei não. Aí já estamos falando de 5 horas, aquele sofrimento e tragédia sem fim, todo mundo morrendo no final – menos o Horácio, que ficou pra contar a história. Se já foi barra encarar a versão integral no conforto dos assentos do Barbican em 1992, com Kenneth Branagh e a Royal Shakespeare Company e tudo o mais, imagino que as coisas não tenham sido nem um pouco fáceis pra galera há 400 anos.

E parece que era pra ter sido pior, se William não tivesse contado com a ajuda providencial de seu editor, um homem muito mais atento às necessidades e ao gosto do público elizabetano. A História finalmente reconhece a importância desse cavalheiro até agora relegado ao esquecimento, através de um sketch com Hugh ‘Dr House’ Laurie e Rowan ‘Mr Bean’ Atkinson. Finalmente a verdade vem à tona. Já não era sem tempo…
***

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13 respostas em “O (novo) monólogo de Hamlet

  1. Hugh e Rowan são tudo de bom mesmo, né? Tô precisando desencavar meus dvds do “Blackadder” para assistir de novo. Quem diria que o sisudo Dr House fosse um dia capaz de incorporar um aristocrata de um só neurônio (preguiçoso).

    Ah, e o nome dos ingressos de “5 quid” no Globe é “groundling”. Super idade média, pois não?

    • Eu tenho um videozinho do Blackadder aqui pronto pra postar, mas ainda vai ser mais pra frente… Eu adoro os dois.

      Grounding? Bem Middle Ages mesmo! Eu tentei achar o nome no site do Globe, mas lá só constava ‘Yard’, e eu sabia que tinha visto outro nome…
      bjk

    • The Merry Wives of Windsor e Hamlet foram os dois ‘Shakeys’ que vi em Londres, em épocas diferentes (2008 e 1992, respectivamente). Sou obrigada a concordar com o editor, 5 horas-bunda, mesmo na primeira fila do Barbican e olhando zóio nos zóio do Kenneth Branagh, foi uma experiência e tanto! 🙂
      bjk

  2. Quando passámos, este ano, bem na porta do “Globe”, o cansaço acumulado de NY e Montreal, desaconselhava a entrada…
    O sketch é genial. Também, com Laurie e Atkinson só podia…

    • Bom, pelo menos vocês estão mais perto de uma nova visitinha, não têm que literalmente atravessar um oceano… Eu visitei o Globe pela primeira vez um pouquinho antes do teatro abrir para as temporadas, ainda estavam terminando o calçamento externo, mas o tour foi muito legal. Quando entramos, tinha um pessoal ensaiando uma luta de espadas de alguma peça, já não me lembro qual. Vale muito a pena conhecer e aproveitar pra ver alguma peça.
      bjk

      • Lembrei-me agora, ao lado do Globe há uma arena, tipo teatro romano, e estavam a apresentar uma peça lá. É claro que os meninos não deixaram a gente ficar ali por muito tempo, nem sei que peça era, mas o vestuário eram umas túnicas brancas e andavam com velas a recitar o texto, dava um ambiente sinistro e interessante…O Southbank está cada dia mais maravilhoso!
        A propósito, ontem por acaso li esta frase: ‘Quem está cansado de Londres, está cansado da vida.’
        Bjs,
        Ana

  3. E é mesmo, Ana…
    Essa frase estava num poster na minha sala de aula, quando eu lecionava na Cultura Inglesa. Ela é do escritor do século 18, Samuel Johnson. No original, diz: “When a man is tired of London, he is tired of life; for there is in London all that life can afford.”
    Fico imaginando que peça terá sido essa sendo encenada no teatro de arena… Acho muito legal em Londres como algumas áreas, que antes eram largadas, foram aos poucos sendo recuperadas. Foi assim com a região das docas e agora com toda a parte ao sul do rio.
    bjk

  4. Na estréia de “O Retorno de Jedi” em Porto Alegre, o extinto cinema ABC passou uma sessão tripla sem intervalos. Lotou e deixaram entrar muita gente para assistir a trilogia em pé nos corredores. Foram mais de seis horas sem sequer poder levantar para ir ao banheiro para não perder o lugar.

    Cinco horas de Shakespeare são fichinha. 🙂

    • Vixe, cê vem perguntar pra mim, com essa memória de minhoca que eu ando ultimamente? Peralá que eu vou pesquisar com os meus botões!!! 🙂

      Monty Python está sempre na ordem do dia. Eu não me canso de assistir.

      PS- hahaha, era esse vídeo do Shakespeare mesmo!!! Ôôô cabeça, viu…

  5. Pingback: Domingueiras « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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