Onqofui: subindo o vulcão

Uma coisa muito importante que a gente precisa ter em mente quando resolve subir um vulcão: timing é tudo. Por exemplo, esta não é uma boa hora pra dar um pulinho pra conhecer os da Indonésia. Claro que sempre dá pra visitar um vulcão extinto e tals mas, pensando bem, a total ausência de uma fumacinha e cheiro de enxofre tira um cadinho da emoção.

Eu já tinha chegado bem pertinho de outros vulcões antes (o Mt. Hood, nos EUA, o Osorno, no sul do Chile) mas pra chegar lá no alto seria necessário uma escalada, o que estava totalmente fora de cogitação. Então, no verãozaço de 1997, lá fui eu toda lépida e fagueira conhecer o vulcão de Santorini, na Grécia. Primeiro detalhe: os gregos jantam tarde, muito tarde. E no calor de quase 30 graus às onze da noite, mais uma panelona de cordeiro com legumes e várias taças de vinho, pegar no sono é uma tarefa árdua. Isso significa que qualquer passeio no dia seguinte não vai começar antes de umas nove e meia, dez horas da manhã. Se o seu destino final for o vulcão, prepare-se: a última erupção, em 1950 (esse é o vulcão mais ativo no mar Egeu), parece ter acabado com toda e qualquer esperança de verdinho e sombra entre o mar e o cume. Sol de quase 40 graus na moleira, gente, sem dó nem piedade. Há que se caprichar no protetor solar e no modelito chapéu de abas largas, porque a caminhada começa mesmo lá pelas 11, com o astro-rei rachando.

morro acima... (minha foto)

Então desembarquei na ilha de Nea Kameni, eu, minha mochila e uma garrafa enorme de água mineral (vide parágrafo anterior, essa combinação vinho+calor não podia prestar), animadíssima para a subida. E a gente subiu, e subiu e subiu mais ainda, e a paisagem era surreal: o terreno de pedras negras, praticamente zero de vegetação, o azul profundo do Egeu ficando lá embaixo. Se turista não fosse um bicho tão falador, o silêncio seria completo. Alguns acabaram ficando pelo caminho, os mais afoitos que começaram a subida no maior gás foram aos poucos diminuindo os passos por causa do sol e do calor, cada um foi achando seu ritmo.

Tá, chegar ao topo da cratera Georgious (sim, com fumacinha e cheiro de enxofre incluídos) não é como alcançar o cume do Everest, mas poder admirar a beleza da vista (de um lado, Fira, do outro a ilha de Palea Kameni e o marzão) vale todo o sacrifício. Depois é pegar o caminho de volta, entrar no barco e fazer uma paradinha em uma outra parte da ilha, onde a temperatura da água é de mais ou menos 33 graus. Considerando que do lado de fora o termômetro bate fácil na casa dos 40 em  julho, o refresco é pouco, mas é pra isso que a gente é turista, né?

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4 respostas em “Onqofui: subindo o vulcão

    • Olha só que curioso, Pedro, eu achei Mykonos tão pra turista ver… Talvez tenha sido porque o pessoal ali era mais barulhento, bares mais cheios, essas coisas. Mas ambas são maravilhosas e volto lá com prazer. Aliás, tenho é vontade de sair à cata das ilhas menos badaladas, mas esse é um passeio que vai ter que entrar na fila de prioridades!!!
      E sim, como diria um tio meu, “Rhodes é um colosso!” 🙂
      bjk

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