O perigo de uma única história

Não sei se você conhece a escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Mas mesmo que nunca tenha ouvido falar dela ou lido um de seus livros, vale muito a pena reservar um tempinho para assistir a este belo vídeo, no qual ela fala sobre os perigos de se fazer generalizações sobre um povo, uma cultura ou mesmo uma pessoa, a partir do conhecimento de uma única história e nada mais. Ela fala primeiramente sobre os estereótipos criados para a África e os africanos, mas sua mensagem transcende esses exemplos e toca também em questões como relações de poder e mídia, e nos mostra o que pode acontecer quando -mesmo sem perceber- nos deixamos levar por um único ponto de vista. Numa época em que casos de intolerância, xenofobia e todo tipo de preconceito tornam-se cada vez mais frequentes, falas como a de Adichie são absolutamente essenciais e merecem ser divulgadas.
(para legendas em português, clique em ‘view subtitles’ e escolha)
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12 respostas em “O perigo de uma única história

  1. Eu coloquei no blog semanas atrás (a versão completa pelo TED mesmo, se quiser roubar o link, eu deixo – qualidade e o som são melhores. rsrs).
    Acho esse vídeo fodástico, principalmente para quem está na mesma situação que eu. hehehehe
    É um tapa na cara, literalmente.
    Bjs!

    • Ei Eve,
      eu vi que tá lá no TED (também sou frequentadora assídua do site, hehehe), só preferi colocar esta versão porque a legenda já está embutida… Mas boa ideia, vou colocar o link aqui anyway, com a explicação de como exibir a legenda. A qualidade é indiscutivelmente melhor… 🙂

      Quando publicaram no site, eu mandei todos os meus alunos assistirem (o inglês dela é super tranquilo) e as discussões que saíram em sala foram ótimas. O bacana da fala dela é que ele se aplica a todo mundo em algum momento, estrangeiros aqui, brasileiros fora, gente daqui aqui mesmo, estereótipos culturais, políticos, sociais… Quanto mais histórias temos, e mais histórias estamos dispostos a ouvir, menos ‘a perigo’ vamos ficar!
      bjk

  2. Este negócio de estereótipo é mesmo um lance difícil de se tratar. A humanidade sofre deste mal. Mas a xenofobia´é indiscutivelmente um problema de ausência de conhecimento. Aliás, xenofobia, preconceitos em geral, estereótipo são todas variantes. Como Sócrates propunha propunha que nós abandonássemos o mundo sensível, aquele primeiro que chega a nós pelos sentidos, e nos propuséssemos em buscar a verdade através dos seus conceitos. A dialética das significados antagônicos que descendendo em uma espiral de sobreposições, nos traria um flahs do mundo verdadeiro. Difícil pra caramba ver as coisas assim. Oscar Wilde por outra lado falou que o mundo das aparência já tem profundidade suficiente. Complicado, mas tudo é meio termo e bom senso, e respeito, e tolerância.

    • Haha, adoro as tiradas do Oscar Wilde…
      Mas é verdade, generalizar parece ser típico do ‘cerumano’; o que nos é desconhecido é frequentemente visto com estranheza e desconfiança. Acho que uma das coisas mais interessantes dessa fala da Adichie é exatamente isso, nos fazer ver que vez por outra a gente acaba caindo nesse jogo da história única. E que, quando isso acontece, é importante acender aquela luizinha vermelha de alerta que nos ajuda a questionar e desafiar essas generalizações.
      abr.

  3. Oi Mônica…
    Adorei o vídeo e já vou avisando que vou “roubá-lo” …rsssss.
    O bacana de tudo o que ela disse é que se aplica, no meu caso, ao microcosmo (se comparado à Africa) da escola, da sala de aula e dos alunos que estão ali.
    Eu me canso de ver, ouvir professores olhando o que os alunos falam e fazem e dizendo:
    – poxa, onde esse menino aprendeu isto…como ele conhece esse cantor…onde ele aprendeu a gostar de deste livro…,
    como se ele fosse um ser de outro planeta ou fosse incapaz de reconhecer o que é considerado por todos como bom, bonito e agradável só porque mora numa periferia e estuda numa escola pública.
    O pior de tudo isto é que – confesso – eu também já fiz este tipo de “analogia”, para não dizer (pre)conceito.
    A generalização é perigosa, o preconceito é mesquinho e “histórias” assim, tão suavemente contadas são, como bem disse a Eve aí em cima – um tapa na cara da gente.
    Beijim

    • Cris,
      e é mesmo, a gente ouve e vê coisas desse tipo o tempo todo. E é como você falou – e a autora também – a gente faz esse tipo de generalização a toda hora, mesmo sem sentir, basta que seja com relação a algum grupo sobre o qual já temos uma opinião formada e resolvida…
      Mas é como eu disse no outro comentário, o problema maior é não admitir que fazemos isso, né? Reconhecer que faz sim, e aí tentar sempre ficar com o pé atrás com relação a esses estereótipos é o primeiro passo. E, sempre que der, passar a ideia pra frente!
      bjk

  4. Pois é, quem viveu ou vive algo como ela diz sabe como é. Mas mesmo a história que ela conta, é uma ‘single story’. Só para dar um exemplo:

    1) Quando cheguei em Toulouse (1989), vinda do Brasil, a ideia geral é que todo brasileiro jogava futebol e dançava samba. Todo o dia. Perguntaram se no Brasil já havia TV a cores. Essa era a história única deles. Nunca me senti ofendida por esse gênero de perguntas. Pelo contrário, sentia-me engrandecida pelo meu nível de cultura. Jovens da minha idade, com uma cultura muito abaixo da minha.
    A minha ‘single story’ deles era bem diferente. França, que povo tão cheio de cultura, tão liberal, tão questionador… Eu não tive de derrubar a minha ideia abaixo apenas uma vez, mas uma dezena de vezes. Até hoje, nas minhas viagens à França, ainda é assim. Há 2 anos recusaram emprego ao meu cunhado em Paris (!!) porque ele usava brinco. Seria uma excepção? Como é que eu fico sabendo da única exepção nessa história? Como é que ele concorreu a uma empresa de uma certa dimensão, e todos os outros que estavam presentes na entrevista não protestaram?

    2) Quando vim para Portugal, a ideia já não era tão má com relação aos brasileiros, já havia muita novela. Então eles achavam que todo brasileiro era igual a … carioca. Essa é a ‘single story’ deles. Essa e o facto da quantidade de mulher brasileira que infelizmente vem trabalhar aqui em casas de alterne (prostituição). Mesmo assim, sabe o que eu descobri? Que sendo um povo que gosta tanto de contar anedotas politicamente incorrectas (de pretos, de paneleiros (gays), etc, Deus me livre um francês sequer ouvir uma coisa destas) é um povo muito mais tolerante que os franceses da minha geração que eu conheci, com uma capacidade de integrar diferentes pessoas e culturas muito maior do que aquela que imaginávamos.

    3) Só para terminar (porque isto já tá virando um post no teu blog), não vejo perigo nas ‘single stories’, desde que fique claro que elas refletem apenas a experiência de cada um. Quando eu leio um livro, é assim que eu reflito sobre o mesmo. Mas eu prefiro ter uma série de ‘single stories’ de um lugar, povo ou país, do que não ter nenhuma, né?
    Porque juntando todas, a gente acaba conseguindo uma ideia da ‘global picture’.
    Bjs,
    Ana

    • Ana,
      concordo com você. As single stories são experiências únicas, individuais e aos poucos a gente vai somando todas e fazendo uma ‘historiona’. Acho que o perigo a que Adichie se refere é a generalização pura e simples, quando uma pessoa, um grupo, uma comunidade ou a sociedade como um todo simplesmente decide qual é a única história verdadeira, como se uma só pudesse representar o todo.
      Quando conseguimos entender que as histórias são únicas e que, exatamente por isso, não devemos levá-las para o geral, fica mais fácil apreciar e compreender o outro. É o que tento mostrar para os meus alunos sempre que discutimos cultura, hábitos, estereótipos, etc. na sala de aula.
      Adorei você ter contado da sua experiência, foi um ‘comentário-post’ muitíssimo bem vindo! 🙂
      bjk

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