Enem – ah, neeem…

A comissão responsável pela aplicação do ENEM em toda a brasilândia deve ser encabeçada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias (ou, em uma eventual versão overseas, Moe, Larry e Curly), não é possível. Só isso pra explicar as sucessivas trapalhadas do MEC desde o ano passado, quando as provas vazaram antes, causando o adiamento do exame. Agora o caos foi outro: folha de respostas com erros e alguns fiscais dando informações erradas sobre como agir com relação ao problema. Resultado: a OAB de São Paulo quer que a edição do Enem deste ano seja anulada, já que muitos candidatos acabaram prejudicados, e o governo, lógico, diz que a confusão não justifica voltar tudo pro zero, é só o aluno ir ao site do Inep para que sua prova seja corrigida do jeito que ele preencheu. Belo remendo.

Céus, por onde eu começo? Em tese, não tenho absolutamente nada contra exames de avaliação de alunos, o mundo inteiro faz isso (SAT nos EUA, GCSE na Grã Bretanha, o Baccalauréat na França, e por aí vai). E em todos eles as notas são um dos critérios para admissão nas universidades públicas e/ou privadas. Mas parece que, por aqui, o pessoal gosta mesmo é de copiar as ideias, mas sem fazer muita questão de ter a trabalheira toda. Falhas como a do ano passado e a deste comprometem a validade do exame sim, que ideia é essa? Se fosse uma letra digitada errada, uma questão sem resposta, tudo bem, era só anular aquela e pronto. Mas não foi isso que aconteceu e, pra mim, só o estresse que o aluno teve tentando entender a bagunça, perguntando para o fiscal e não recebendo uma resposta satisfatória, já seria motivo suficiente pra começar tudo de novo, ou para dar a ele a chance de fazer outra prova. Da próxima vez, que o MEC gaste mais tempo e dinheiro na preparação do exame, na orientação do pessoal e na segurança, pra não ter que sair propondo remendos inúteis de última hora.

E não venham me falar da complexidade de se organizar um exame desses. Eu sei, é assim no mundo todo. São milhões de alunos sim, isso não é nenhuma novidade. Façam o favor de trabalhar direito. Não estou dizendo que tudo vai sempre correr 100% dentro da normalidade, mas o aluno não pode pagar o pato pela trapalhada dos (des)orgainzadores.

Eu trabalhei com os exames da Universidade de Cambridge durante mais de 20 anos, e até hoje preparo alunos para os testes de proficiência da instituição. Claro, as provas eram de inglês (o Enem engloba toda as matérias do segundo grau), mas estamos falando de um exame que é aplicado no mundo inteiro, na mesma data, em pelo menos quatro níveis diferentes (cada nível em um dia). As questões eram criadas, pilotadas e testadas com anos de antecedência (não, eu não estou sendo superlativa, são anos mesmo) e depois avaliadas antes de irem parar na prova. Qualquer problema detectado antes já vinha com a errata dentro do pacote de provas e, em caso de problemas posteriores, fosse com as provas, folhas de respostas ou gabarito, a decisão era sempre em favor do candidato, que não poderia levar a pior por conta de erros da administração. E, mesmo envolvendo milhares de alunos em trocentos países, com fusos horários diferentes e tudo o mais, a segurança do exame não era abalada. Havia uma rotina pré-estabelecida, um protocolo a seguir e nós, professores, recebíamos instruções e treinamento todas as vezes. Todas.

Não estou comparando os exames, ou a importância deles. Estou comparando a atitude das instituições com relação aos exames. O problema do ano passado foi muito mais grave – provas roubadas da gráfica – mas o deste ano não foi pouca coisa, e propor esse ‘remendo’ na correção é ridículo. O aluno que foi prejudicado pela prova com erros certamente não estava em pé de igualdade com os outros candidatos, que puderam fazer tudo tranquilamente. E as notas são coisa séria, porque elas podem ser o passaporte para o curso superior. Achar que tudo pode ser resolvido com um simples ‘vai lá no site que a gente dá um jeito’ resolve o problema do MEC, mas não o do candidato. Olha, eu acho isso um tremendo desrespeito.

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14 respostas em “Enem – ah, neeem…

  1. A única coisa que falarei sobre isso é:Não me mandem fazer isso outra vez!
    Eu não aguento!!!
    Estou com a cabeça doendo desde sábado á tarde.
    Olha a hora…quem disse que consegui dormir direito?
    Se eu tiver que refazer o Enem eu me mato….
    Beijo!

    • Afrodite,
      é realmente o caos, né? Quem já fez a prova e não teve problema algum, tem todo o direito de botar a boca no trombone e dizer que não vai fazer de novo. A confusão não é responsabilidade de vocês de jeito nenhum. Mas o MEC vai ter que dar um jeito com relação ao pessoal que foi prejudicado, é uma loucura…
      Você foi bem nas provas?
      bj

  2. Amiga, nem me fale… o pior é que domingo termina as 18:30 e segunda a gente tem que trabalhar. ( e no meu caso estudar a noite). Esse povo da (des)organização do Enem, olha, vou te contar… To com a cabeça doendo, e inrritada com essa historia de erros.
    Pior que a nota é para ajudar a entrar em uma Faculdade Federal, e com esses erros todos cometidos pelo pessoal, eu to com medo.

    Mas não faço outra vez esse ano não.

    • Um horror esse tempo da prova, né Tamires, eu nem toquei nesse assunto, mas é claro que ninguém consegue raciocinar ou redigir com mais de 5 horas de prova (depois de 4 no sábado). Minha prima passou pela maratona e ainda teve que chegar em casa e fazer um trabalho pra escola. É de fundir qualquer neurônio, mesmo os mais fresquinhos da moçada.
      Fico aqui na torcida por você e pela Afrodite aí em cima!
      bjk

  3. Vc viu??
    O dono da empresa que produziu as provas ainda ameaçou processar os alunos que zombassem do ENEM no twitter.
    Vi isso no Bom Dia Brasil hoje.

    • Um fofo, né Asnalfa? Quer dizer, eles podem desrespeitar o candidato, mas o candidato não pode devolver a frustração. Na minha terra, respeito é algo que se conquista, não vem ‘default’ no pacote não…
      bjk

  4. Prófi Mônica. Usamos a mesma palavra, desrespeito, em nossos posts sobre o ENEM. Só que o meu foi mais curtinho. Recebi um comentário insinuando que sou um tucanalha. Que maldade! Eu que até já me esqueci como é que se vota! Você sabia que o número de inscritos no exame deste ano dá para eleger 4 Tiriricas? E o MEC não dando o valor…

    • Romacof,
      e olha que ainda ficou faltando falar um monte de coisas. Por exemplo, alunos me contando que não podiam usar lápis, e que não havia relógio na sala. Quer dizer, a gente ensina o pessoal a usar o tempo de maneira sensata, gerenciando tudo, e aí vem a desorganização do exame pra dizer que você tem que ter um relógio biológico de alta precisão, capaz de contar os minutos entre o agora e 5 horas mais tarde. Ora façam-me o favor…

    • Bem democrático né, Rê… Eu posso fazer hora com a cara dos candidatos, mas eles têm que engolir tudo quietos. Não querem a crítica? Trabalhem direito, só isso…
      bjk

  5. Conseguiram criar um problema insolúvel:

    – se anularem a prova, prejudicarão os alunos cujas provas não tinham problemas;

    – se não anularem as provas, prejudicarão os alunos cujas provas tinham problemas;

    – se permitirem que somente os alunos cujas provas tiveram problemas façam as provas novamente, prejudicarão os alunos que não tiveram oportunidade de estudar mais tempo;

    – se permitirem que todos façam as provas de novo valendo a nota mais alta, prejudicarão os alunos que tiveram notas mais baixas devido à diferença de “pressão”;

    Portanto, a única solução justa é garantir vaga na universidade para todo mundo… o que, infelizmente, não é possível.

    Conclusão: metralhadora nestes cretinos.

  6. Pois é, agora a Justiça que anular as provas. E a gente que fez os dois dias, estudou, vai usar a nota para uma Faculdade Federal, deixou de estudar, de trabalhar, como que fica? Olha, to muito irada com tudo isso. Hoje sairia o gabarito, não sei se fui bem, mas não quero passar por essa maratona de novo. Já chega em janeiro para a Federal que são 04 dias de prova.

    • Pois é, olha a confusão! Claro que quem já fez a prova e não teve nada a ver com a bagunça do MEC não está a fim de passar pela maratona de novo, né? Porque aí serão eles os prejudicados…

      O mais incrível é que a situação toda poderia ter sido evitada (ou minimizada a números ridiculamente baixos) se tudo tivesse sido feito direito desde o começo. Agora querem que os candidatos, que inclusive pagaram por isso, também paguem o pato. Que horror.

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