O Pequeno Nicolau

A vida do Nicolau é tão boa e tranquila que, quando um dia a professora pede que ele e seus colegas escrevam uma redação contando o que querem ser quando crescer, ele não consegue escrever nada, porque simplesmente não faz a menor ideia. Por ele, a vida continuaria exatamente do jeito que está. Nicolau tem 8 anos, é filho único e mora numa casinha bacana em uma cidadezinha bacana na França, com seus pais bacanas que o mimam (mas que estão constantemente discutindo). Ele tem amigos legais na escola, uma professora fofa e tudo vai muito bem. Até que ele desconfia que sua mãe está grávida. E um irmãozinho, ele aprendeu com a turma, pode ser uma coisa muito complicada na vida de um garoto. Talvez ele tenha que dividir seu quarto e seus brinquedos. Pode ser até que perca seu quarto e tenha que dormir na casa do cachorro (e ele nem tem cachorro!). Pode ser que seus pais o abandonem na floresta, como fizeram os pais do Pequeno Polegar. É preciso fazer alguma coisa urgente, e é aí que ele e seus amigos bolam planos que vão dos mais simples aos mais mirabolantes.

Essa é a ideia geral de O Pequeno Nicolau, filme baseado na série homônima de livros infantis, criada por René Goscinny (um dos criadores de Astérix) e ilustrada por Jean-Jacques Sempé. A grande sacada do livro, mantida pelo diretor Laurent Tirard, é apresentar o mundo infantil e o adulto sob a ótica das crianças (e que, muitas vezes, faz bem mais sentido…) e deixar que o próprio Nicolau conte a história, o que é muito mais divertido. Todos os personagens são estereotipados, mas não no sentido pejorativo, mas sim porque são mostrados pelo ponto de vista simplificado das crianças. Estão lá o amigo gordinho que só pensa em comida, o baixinho de óculos que sabe todas as respostas e é o queridinho da professora, o colega distraído, que senta no fundo da sala e está sempre de castigo por não saber nada, o garoto rico que é ‘criado’ pelo mordomo, a garotinha linda e inacessível, a professora substituta que é uma megera, o responsável pela disciplina, com cara de poucos amigos.

Numa verdadeira comédia de erros, os personagens acabam se metendo em situações cada vez mais absurdas (como geralmente é a imaginação infantil) e não deixa de ser um alívio para quem está na plateia assistir a tudo com aquela certeza de que, mesmo com todas as trapalhadas, comédias assim sempre acabam bem.

O filme é leve e divertido, os atores mirins são super fofos, os adultos atuam na medida certa do exagero e a gente sai do cinema com aquela sensação de que voltou à infância (com todas as suas maluquices) por pouco mais de uma hora e meia. O que, a meu ver, é sempre altamente recomendável fazer, de tempos em tempos.

Anúncios

6 respostas em “O Pequeno Nicolau

  1. Tb adorei!!!!!
    Assisti esse filme há uns 5 meses! Baixei pela internet. Os franceses são muito criativos! Ja viu o balão vermelho?? è um media metragem sensacional! Lindo tb.

    • Incrível como algumas coisas custam a chegar aos cinemas, né Asnalfa? Hollywood e seus blockbusters ocupam todos os espaços e filmes tão lindos como este acabam tendo que entrar numa fila de espera maluca. Depois as produtoras e distribuidoras reclamam que o pessoal baixa da internet antes! Às vezes é o único jeito de assistir…
      Também acho os filmes franceses muito legais, sobretudo quando falam sobre crianças ou são narrados por elas. De cabeça, sem forçar a memória, consigo me lembrar da dobradinha ‘O Castelo de Minha Mãe’ e ‘A Glória de Meu Pai’, ‘Ponette’, ‘Os Coristas’, nossa, são muitos.
      Não conheço o balão vermelho, não, vou procurar, valeu a dica!!! 🙂
      bjk

  2. Ah, eu tenho de ver esse filme…. sou fã do ‘Petit Nicolas’ desde sempre! Creio que já li todos os livros (em francês) e os meus filhos andam a ler em português… sabe o que eu mais gosto? Toda discussão entre eles acaba em pancadaria. Depois fica tudo bem, tudo na mesma, não há rancor nem ressentimento, aquela coisa de criança. Adoro!
    Bjs,
    Ana

    • Acredita que eu só li UM livro do Petit Nicolas? Quando ainda estudava na Aliança Francesa, tinha um exemplar na biblioteca. Peguei e amei, mas acabei não lendo os outros…
      São histórias deliciosas. Goscinny tinha um talento para divertir e encontrar o inusitado nas coisas mais corriqueiras, um gênio. Tenho a coleção do Astérix em francês (herdada de pápi) e sempre que leio, rio tudo de novo!
      Veja o filme sim, é tudo de bom.
      bjk
      (essa foto sua aí tá tãããão fofinha…) 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s