Eu e Paul, 1990

Vinte anos mais tarde, algumas coisas já estão um tanto nebulosas na minha memória. Curioso isso, porque eu vi o Queen anos antes e do show deles eu me lembro de absolutamente tudo, em detalhes. Claro que eu sempre adorei o Paul, embora meu beatle predileto ainda seja o George Harrison (sei lá, mais low profile, mais na dele. Tão low profile que só fiquei sabendo da sua morte uns dez dias depois, mas isso já é uma outra história).

A primeira lembrança é a gente num apartamento minúsculo no Rio; como diria a Chris ‘eu calço apartamento 42 e aquele ali era 38, 39 no máximo’. Mas éramos todos pouco mais que adolescentes (sobretudo mentalmente!) e íamos assistir ao primeiro show do Paul McCartney na brasilândia, ora essa, o mais próximo que poderíamos chegar dos Fab4, nessa época já irremediavelmente reduzidos a Fab3 – e conforto definitivamente não era uma prioridade. Lembro também da nossa profunda decepção quando passamos pela catraca da bilheteria e nosso ingresso, em forma de cartão magnético, simplesmente foi tragado e lá ficamos todos nós com aquela cara de ‘mas pode isso, Arnaldo?’ Quer dizer, você vai ao show da sua vida e a organização nem pensa que você quer guardar o ingresso de lembrança. Humpf.

E aí aquele povaréu no estádio (mais de 180 mil, fomos parar no Guinness!), o pessoal se distraindo fazendo ‘olas’ pra passar o tempo, começa o show com muito Wings e eu olhando para a Linda McCartney morrendo de dó do tanto que ela era branquinha, tadinha, ela com seu pandeirinho ou no teclado. Paul com a mesma carinha sorridente e o leve balançar de cabeça da época dos Bítous, o piano elevado numa plataforma e girando lá no alto enquanto ele cantava ‘Fool on the Hill’ (ô música lindinha, ela…), o Maracanã quase vindo abaixo quando soou o primeiro acorde de ‘Can’t Buy Me Love’, porque dali para frente todo mundo sabia que iríamos voltar aos anos 60. Luzes e muita fumaça em Live And Let Die, algumas músicas do seu então album novo (Flowers in the Dirt), e tome Beatles. Mas bem que eu queria ter na memória todos os detalhes daquela noite, porque eu só me lembro que cantei e pulei e dancei e no dia seguinte estava sem voz e minhas roupas do dia anterior estavam boas pra jogar fora. E vendo McCartney nesta turnê, aos 68 anos, ainda animadíssimo no palco e fazendo um super show para uma plateia dos 8 aos 80, a gente fica pensando que música boa é música boa em qualquer lugar e em qualquer tempo, né, e a galera sabe direitinho quando está diante de um momento único.

4 respostas em “Eu e Paul, 1990

  1. vi um pedaço na Globo e deu pra ver que deve ter sido sensacional o show. O velhinho manda bem, né? Mas megashow está na minha lista do “nuncamais” (que aliás cada dia fica maior).

    • Impressionante a disposição desse ‘senhor’, até tombo ele levou sem perder a classe! Concordo, pra esses eventos a gente tem que ter o que meu avô chamava de ‘preparação espiritual’. O que vai ficando cada vez mais difícil… Ainda bem que eu vi muita gente boa quando tinha pique (eu e eles!). Ainda estou guardando um restinho pra próxima vez que o U2 vier por aqui.

  2. Eu me lembro que ele estava com um colete preto com estampado branco, com a mesma carinha de Beatle. Até hoje não acredito que ficamos sem o ingresso!!! E como eu sempre disse e continuo dizendo, eles são atemporais: como Bach, Bethoveen. E Beatles.

    • Eu espero que não seja por causa da letra B, senão podem querer incluir ‘Belo’, ‘Benito di Paula’, essas coisas! 🙂
      Taí, só me lembro das roupas pelas fotos… Mas a cara de beatle é a mesma até hoje, né? Grudou.
      bjk

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