A palavra é…

A palavra surgiu na mesa do bar num sábado à noite: escolopendra. Talvez alguém tenha dito algo como ter visto uma escolopendra no jardim, ou qualquer coisa parecida. Você pensaria no quê? Eu imediatamente imaginei uma dessas enormes plantas exóticas, a Escolopendra Africana, Escolopendra Asiática e a mais rara e preciosa de todas, a Escolopendra Imperial. Dizem que essa custa uma pequena fortuna nas lojas de paisagismo, porque é encontrada somente em uma província remota nas montanhas do Afeganistão. E, vamos combinar, ninguém ultimamente anda muito animado a dar um pulinho ali no Afeganistão para adquirir umas mudas de Escolopendra. Não são muito fáceis de se cultivar mas, se você der sorte e a muda pegar, pode ser uma planta muito prática, que sobrevive com poucos cuidados em qualquer temperatura. A Escolopendra já era conhecida pelos babilônios, que extraíam de suas flores vermelhas uma tinta perfeita para o tingimento de túnicas. Das folhas pontiagudas de um tom verde-escuro era feito um chá alucinógeno muito apreciado por Nabucodonosor (querem as más línguas que essa história de jardins suspensos tenha vindo de uma das ‘viagens’ do rei). A fórmula para o chá perdeu-se com o tempo, e o fato é que hoje em dia o máximo que se consegue com ele é aliviar a azia – bom, já é alguma coisa. Escolopendras preferem crescer na sombra, mas a variedade africana sobrevive quando plantada em canteiros expostos ao sol (mas convém lembrar que Escolopendras não devem ser cultivadas em vasos e jardineiras, porque suas raízes necessitam de muito espaço).  Pesquisadores vêm tentando produzir um tipo híbrido ideal para ambientes pequenos, mas os resultados até o momento foram insatisfatórios. Pois então. Eu já tinha o esquema completo. Já estava até pensando em ir ao jardim botânico em Inhotim para ver se por acaso eles têm uma Escolopendra Imperial por lá. Mas nem precisou. Descobri, com um misto de espanto e desapontamento, que escolopendra é isto aqui.

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15 respostas em “A palavra é…

  1. Remontando a “Palavreado”, do Veríssimo. Poderíamos viajar meses para tentar encontrar as receitas secretas de escolopendras ao molho de champingnon, da ásia. Já ouvi dizer que na Tailândia ou nas Filipinas, as escolopendras são muito apreciadas nos jantares dos hotéis de luxo (!!)

    Já pensou, em um restaurante Coreano, pedirem “Escolopendras fritas”, sem saber o que são? Já estive na Coréia, e para evitar certos dissabores, um bom e amigo McDonalds me salvou!

    🙂

    • Marcus, eu me lembrei exatamente do Veríssimo e sua plantação de ‘falácias’ (aquelas que nunca estão onde parecem estar). Algumas palavras realmente estão fora do lugar. Além das falácias, hemácias e tilápias sempre me pareceram nomes de plantas…
      Adorei a possibilidade de degustar escolopendras ao molho de champignon. Isso se elas continuarem a ser plantas, porque comer aquele bichinho, sinceramente, não me apetece muito não! 🙂
      Tenho um primo que morou anos em Hong Kong, que afirma que o mais importante é que o prato esteja bonito e você ignore do que se trata. Aí você dá conta de comer um bocado de coisas que nem sonhava experimentar um dia! Mas, sei lá, McDonalds nessas horas me parece uma opção bem mais viável. 😉

  2. Moniquinha,
    o que pode consolar você é que é facílimo colocar uma escolopendra dentro de vasos pequenos.
    Mesmo que seja a variedade africana.
    Beijim,

    Stélio

  3. Escolopendra, além de me custar a sua leitura, imaginava que era algum adjetivo, algum neologismo dessa adolescência brasileira do século XXI. Algo como: aquela menina está escolopendra.
    Sei lá, esses adolescentes inventam cada coisa… escolopendra é uma mais!!! hehehehe

    • Será que é porque rima com estupenda??? 🙂
      É mesmo, metade do que os adolescentes dizem é grego de trás pra frente pra mim. Essa seria apenas mais uma gíria na minha suprema ignorância!!!
      bjk

  4. Pois é, a tal palavra tem mesmo muito mais “cara” de planta do que de bicho. Mas a verdade é que foi o bicho que deu origem à tal conversa de bar.
    Mônica, eu sei que você não aprecia nem um pouco o gênero, mas não resisti. Tá aqui o trailer do tal filme responsável por esse assunto linguístico tão interessante: http://naodiga.com/filme-the-human-centipede/

    Um aviso: assistam por conta e risco próprios!

  5. Hmm, testei o link fornecido assim que postei o comentário e não funcionou. Isso é que dá aceitar imitações e não ir direto pro YouTube…

    • Como diria o Dalai Lama: EEECA!
      Um filme desses não me pega nem a pau. Acho que encaro até o da Bruna Surfistinha… 🙂
      O mais incrível é que filmes assim realmente conseguem grana pra produção. E mais incrível ainda é que um monte de gente paga ingresso pra ver. O que é a variedade do cerumano, não é mesmo??? 😀

      • Medonho, pois não? Se bem que eu até que tenho uma certa atração por filmes “trash”, mas não chega a ser uma obsessão como certas pessoas (você sabe a quem me refiro…).

        Respostinha minha: éééé, em termos de filme trash, a gente ainda está anos-luz distante da cultura dele!!! 😀

    • Afrodite,
      estamos em falta de bichos menos feios no momento…
      Eu sempre achei o nome ‘centopeia’ mais bonitinho do que ‘lacraia’, mas qualquer um dos dois ou outros da mesma família são assim, horrorosinhos, tadinhos!
      bjk

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