Hoje há 30 anos

Hoje é o dia internacional do ‘Onde você estava quando recebeu a notícia da morte do John Lennon?’ 30 anos, gente, eu fico boba quando penso que lá se vão três décadas. Porque eu me lembro muito bem. Naquela manhã de 9 de dezembro de 1980 eu tive que levantar bem cedinho pra fazer uma prova no colégio. Chovia canivete aberto e minha mãe se prontificou a me levar de carro (quem a conheceu sabe com que cara melhor do mundo ela fazia essas coisas), para que eu chegasse na sala de aula sequinha e com tempo de sobra. Normalmente ela não gostava de dirigir ouvindo música, dizia que o rádio a distraía, mas eu sempre dava um jeito de convencê-la a ir ouvindo alguma coisa baixinho, pra não atrapalhar. E assim foi que naquela manhã eu entrei na Juscelina (nossa Brasília verde, é que lá em casa todos os carros tinham nome) ligando o som. Já ia pela metade a ‘Balada de John e Yoko’, que eu sempre achei um roquinho danado de divertido. Logo depois emendaram um ‘Mind Games’, seguido de ‘(Just Like) Starting Over’. Até então eu não tinha me dado conta de nada, ainda mais que o LP (sim, meus queridos, LP, vinil, aquele bolachão preto, estão lembrados? Sou mesmo jurássica) Double Fantasy havia sido lançado pouco tempo antes. Mas quando partiram para ‘Imagine’, achei que a overdose já estava começando a encher. O problema, constatei logo em seguida, é que todo mundo parecia ter acordado naquela manhã chuvosa com um incontrolável desejo de ouvir John Lennon, porque as outras estações também tinham repertório único. A internet ainda estava a quinze anos de distância, TV a cabo também não existia, celular, twitter, nada disso fazia parte da minha vida. O mundo já estava em polvorosa, a frente do edifício Dakota apinhada de gente aos prantos, coberta de flores e velas e fotos, e eu ainda querendo entender por que cargas d’água só se tocava John Lennon. Até que alguém deu a notícia. Uma porrada no estômago, vou contar pra vocês. Porque, até aquele momento, os ídolos do ronquenrôu morriam de overdose, suicídio ou em um acidente espetacular. Assassinato era coisa pra presidente da república, não para um pacato cidadão novaiorquino que tinha passado os últimos cinco anos trocando fralda de criança e lavando panelas. E, definitivamente, isso não era coisa pra acontecer com um ex-Beatle, porque aquela era uma banda ‘do bem’. E o John, mesmo sendo o mais controverso deles, na verdade parecia aquele amigo riponga que ficou parado no tempo, mas que no fundo era gente boa. Um tiro assim, saído do nada, não estava no script. Não para quem tinha acabado de cantar que estava recomeçando. Não me lembro da prova, não sei como voltei pra casa, mas sei que comprei um jornal e fiquei o dia inteiro ligada no rádio e na TV e fiquei muito, muito triste mesmo, e o Lennon nem era o meu beatle favorito. Quando eu conto isso pros meus alunos, eles fazem aquela cara de ‘hein?’ É que 30 anos é tempo pra caramba, gente, é muito tempo mesmo, eles não entendem. Mas parece que foi ontem.

Anúncios

11 respostas em “Hoje há 30 anos

  1. Putz, cara. Eu lembro da Juscelina… hahahahahaha! Pergunta pro Paulo sobre uma disciplina da faculdade em que a gente fazia uma filmagem em plena avenida Afonso Pena e apareceu a irmã gêmea da Juscelina….

    • Menina, que sumiço! Foi abduzida aí em Teresina??? 🙂
      Pois é, depois que mamãe trocou de carro, a Brasília foi parar nas mãos – e pés – dele… O carrinho foi valente, foram anos de bons serviços!
      bjk

    • hahaha, nem vem! Essa história de memória seletiva é fogo… Aposto que você lembra de um monte de coisas de quando tinha essa idade, né? 🙂
      Brincadeirinha. Mas eu já tinha mais do que os seis, então fica bem mais fácil!
      bjk

  2. Mônica,

    Trinta anos e eu me lembro de tudo como se tivesse acontecido ontem. E veja que eu era apenas uma criança naquela época! Aliás, até hoje eu não passo de uma criança!…

    Grande abraço,

    Paulo.

  3. Puxa…faz tempo mesmo. Eu estava lá na Fafich da Carangola quando fiquei sabendo da morte do Lennon…fomos todos para o bar que ficava no estacionamento interno ao lado do DA…música, cerveja, lágrimas, histórias…logo organizamos festas, homenagens, alteramos a programação do cine clube, montamos uma feira de discos…Bar da Humanas e Lennon…a vida era muito diferente.
    Beijo.

    • Eu me lembro bem desse bar do estacionamento, Patrícia (afinal, também fui da Fafich tempos depois). Aquele prédio estava sempre caindo aos pedaços (pra quem estudava, como eu, no oitavo andar, era uma aventura tomar o elevador todos os dias) mas era divertido. Foram 4 anos ótimos. As coisas mudaram, mas o ambiente da universidade ainda é muito legal.
      bjk

  4. Na época eu nem sabia quem era John Lennon. :-S

    Eu tinha acabado de fazer minha promessa escoteira, não tinha nem dois meses. Não recordo sequer se ouvia música, acho que não, nunca fui muito ligado nisso até a adolescência e o punk rock chegarem…

    O dia que me lembro onde estava e o que estava fazendo foi o do ataque ao World Trade Center. Eu me recordo de ter olhado para o céu azulzinho e limpo e pensar: “o mundo vai mudar”. E fiz diversas previsões, todas elas confirmadíssimas até agora.

    Mas Jonh Lennon passou batido. 😛

  5. hahaha, WTC não vale, né, foi outro dia!!! 😀
    Bom, eu já nasci ouvindo música, não me lembro de ter passado um dia da minha existência sem ouvir ou cantar alguma coisa. Simplesmente impossível…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s