Mc Händel


***

Imagina só a cena: você está lá, quietinho no seu canto, saboreando o seu Mc Qualquer Coisa (porque esses sanduíches têm todos o mesmíssimo gosto, né), fazendo uma pausa nas comprinhas de Natal, esperando a próxima sessão de cinema ou qualquer outra coisa. Shopping center é sempre aquela barulheira, aquele montão de gente, aquela overdose de luzes e sons e cheiros. E gente, sempre muita gente. De repente, a moça que parecia estar em uma ligação no celular começa a cantar. No volume máximo. O moço ali na mesa do canto sobe na cadeira e emenda o segundo verso, seguido daquele rapaz que você jurava que era faxineiro da área de alimentação. Em segundos, mais de cem vozes do Chorus Niagara estão entoando o Aleluia, de Händel assim, do nada. Muito lindo, né? Pois aconteceu em novembro, em Ontário, Canadá. Bom que existe câmera digital e YouTube pra gente poder assistir a tudo depois, do lado de cá.

E, pelo visto, Händel está com tudo. A Gina me mandou este vídeo do coral da Sinfônica de Seattle ontem, mandando ver no Aleluia na Nordstrom, uma loja de departamentos no centro da cidade. E o mesmo Messias é a peça escolhida para fechar a programação artística do ano do Palácio das Artes (na segunda e terça, às 20.30h), com ingressos a ridículos 20 e 10 reais. Não ‘perque’.

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12 respostas em “Mc Händel

  1. Lindo isso. E mais: Eu cantei o Messias com o coral da UERJ, no Rio de Janeiro, com o saudoso maestro Armando Prazeres! Saudades daquele tempo! Se eu estivesse em um local e e um coro começasse o aleluia, acho que eu me atreveria a cantar junto (será que eu me lembraria da partitura toda?) Muito bom! 🙂

    • Ah, essas coisas a gente não esquece não, é mais ou menos como andar de bicicleta. Vai meio no ziguezague a princípio, de repente a gente embala!
      O Messias é muito lindo, né? E tem a maior cara de Natal. Acho que o mais lindo que vi foi em 1992, na catedral de St. Paul, em Londres, com o coral deles e a orquestra de câmara de Salzburgo. Foi emocionante, é uma peça para se ouvir na acústica daquelas igrejas enoooormes… (e eu nem comentei que foi ‘de gratis’, bastaram umas três horas em pé na fila debaixo de chuva mas, né, a gente nem se importou!) 🙂

    • Pois é, comigo foi só aquela vez no Mercado Central aqui em BH, mas eu estava sabendo que ia ter, não foi surpresa. Foi legal ficar observando a surpresa dos outros! 🙂

  2. Excelente a ideia de um flashmob com coral clássico em uma praça de alimentação. Atinge uma plateia bem diferente das que se encontram em estações de trem e mercado de rua. As caras de espanto (que logo devem ter virado caras de encantamento) dos garotos em 1’20 e 1’48 são impagáveis. Provavelmente, eles e incontáveis outras crianças e adolescentes passam anos achando que não há nada mais além de Justin Biebers e Lady Gagas. Culpa dos pais modernos que, quando têm tempo para seus filhos, os levam para o shopping center em vez do teatro local…

    • E pelo menos esse shopping center conseguiu unir as duas coisas, né? 🙂 E a acústica ali estava legal, o espaço era mais fechado. Dependendo do lugar, o som poderia simplesmente desaparecer, a não se que colocassem muitos microfones e caixas (estragando um pouco da surpresa…). Acho esses flash mobs muito legais, uma pausa sempre bem vinda na doidolândia da cidade!
      bjk

  3. Maravilha… o elemento surpresa, e o alto nível da apresentação em um meio popular! Imagino que os que lá estavam, saíram embevecidos. Ah! como é bom constatar que a beleza e a sensibilidade ainda habitam este mundo, quando a barbárie está disseminada entre nossos pré-adolescentes, jovens em geral. Logicamente sempre haverá o mal, mas não na intensidade que está! A arte alimenta mente e espírito, seria mais fácil e prazeroso viver!!!
    Abração: Vanilda

  4. Vamo combinar assim: quando tiver um flash mob desses em algum lugar de Campinas alguem me avisa? Pufavô, eu finjo q nao sei!
    Lágrimas nos olhos, Mônica. Tá lá no FB já…

  5. Monica
    Muito grata, assisti “ópera vai ao mercado”, o que vc sugeriu, liiindo! É isto que se precisa fazer… distribuir música, todo tipo de arte, nos lugares públicos, tem um efeito psicodidático: sensibiliza os passantes, eles saem honrados por terem experimentado algo diferente, magnífico. Vamos compartilhar cada vez mais coisas que toquem o coração das pessoas, que as deixem ‘desarmadas’. Emoções trabalhadas, convivência fraterna, não importa se entenderam, importa o ‘êxtase’, perceberem que não precisam saber a letra, vale o que cada um sentiu e levou na memória para sempre. SIM, a arte é democrática!

    • Vanilda,
      essa experiência foi realmente sensacional, precisava ver a expressão no rosto das pessoas no meio das alfaces, das melancias, dos queijos… Muito legal.
      Essas iniciativas não são muito comuns por aqui, né, mas eu me lembro que lá em Londres tinha sempre alguém tocando em algum lugar, um grupo fazendo um micro espetáculo do nada, pintores nas calçadas… Era ótimo e muitos desses artistas eram excelentes. Gostaria muito de ver essas coisas mais amiúde por aqui!
      bjk

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