Impuguno

O serviço nos restaurantes, de um modo geral, melhorou bastante, não acha? Quando eu era pequena, por exemplo, sair com as crianças pra almoçar fora, só se fosse pra ir a alguma churrascaria onde tivesse um parquinho pra gente se distrair. Porque, gente, a comida podia levar horas pra ir pra mesa. Meus pais sempre pediam uma porção de batatas-fritas, que era pra meninada poder ir enganando a fome enquanto esperava. E isso acontecia em qualquer lugar, estivesse o restaurante em questão cheio ou vazio.

Quando eu e meus irmãos ficamos maiores, passamos a jogar Impuguno (que, como você já deve ter percebido, é a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo ‘impugnar’: eu impuguno, tu impugunas, ele impuguna…) pra passar o tempo. O tempo voava e a gente nem se importava com a inevitável demora e o estômago colando nas costas. A ideia do jogo é simples e sempre rendeu boas risadas: alguém começa falando uma letra. A pessoa seguinte deve falar uma segunda letra que, junto da primeira, comece a formar uma palavra. A terceira pessoa acrescenta a terceira letra (e aí a palavra em formação pode ser bem diferente daquela que os outros tinham em mente) e por aí vai. Até chegar na última letra para fechar a palavra. Mas aí é que está, a ideia é NÃO formar a palavra. Quando você vê que isso vai acontecer na sua vez, ou você admite a derrota, ou então tenta colocar alguma letra pra rodada continuar e formar uma palavra diferente. Às vezes dá certo, mas na maioria dos casos a palavra vai ficando esquisita até que alguém resolve impugnar a rodada decretando: IMPUGUNO! O último participante tem então que dizer em qual palavra ele estava pensando. Se ela realmente existir, o impugnador é punido (perde ponto ou sai do jogo); se a palavra for inventada, quem dança é o ‘dono’ da última letra acrescentada.

Além da punição, algumas coisas precisam ser resolvidas de início: pode usar nome próprio? palavras aportuguesadas? diminutivos? vale ir escrevendo as letras no papel ou as pessoas têm que guardar de cabeça? (memorizar pode ser mais difícil, mas é bem mais divertido). E, é claro, palavras de uma sílaba estão fora. Como a gente não carregava um dicionário pro restaurante, lógico, as dúvidas ficavam pendentes até chegar em casa (às vezes meus pais davam o desempate, mas muitas vezes a gente tinha que pesquisar mesmo).

Agora, em tempos de self-service e rodízio, jogar Impuguno ficou impraticável. A gente não precisa esperar nada e ainda fica a turma da fila de espera olhando torto pra gente, com aquela cara de ‘comequié, vai liberar a mesa ou não?’. Mas ainda dá pra jogar dentro do carro, empacada em algum engarrafamento.

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12 respostas em “Impuguno

  1. Também deve ser bom de jogar dentro do carro durante uma viagem longa… E dá mais pano pra manga do que jogar “I spy with my little eye something beggining with…”

  2. Confesso que procurei na wikipédia antes de ler o post sobre “Impugno”, eu tinha quase que certeza que era um feitiço de Harry Potter! Mas deixemos essa dúvida para Hermione, rsrsrs… Bem interessante o Impugno. Esse post me fez lembrar (depois de rolar de rir com os pythons no avião) do jogo na piscina, Marco Polo. Tinha na série “Sopranos”, que vi inteira! Nunca joguei, mas deve ser bem legal para piscinas!

    Quanto aos comentários do barco lá, não liga não. É bug do Echo, eu nem sei como consertar isso. Todos os meus outros 2 leitores fiéis comentam lá e isso não acontece com eles… comente sim, o comentário cai na moderação e eu aprovo (Já aprovei você como comentarista confiável várias vezes, mas parece que não adianta, não sei porque).

    • Marcus,
      eu li os Harry Potter em inglês, então vou ficar te devendo essa do feitiço… É um problema, não sei absolutamente nenhum nome de personagem, feitiço ou criatura dos livros em português. Quando assisto aos filmes é que eu fico sabendo a tradução, mas é claro que a memória não segura a informação…
      Ah, é, eu me lembro vagamente desse jogo dos Sopranos, mas não vi a série toda, infelizmente.
      Pois é, esse negócio dos comentários é um mistério. Só acontece quando estou usando o notebook. Do PC não tem problema nenhum. Mas é bom saber que só vai pra moderação – sou uma pessoa bastante moderada mesmo… 😛
      Talvez o Echo saiba mais sobre a minha confiabilidade do que eu mesma gostaria, kkk…

  3. P.S. Quanto aos restaurantes, sou um frequentador exímio deles. E já pensei em abrir um espaço no barco sobre isso, indicando ou detonando restaurantes (e olha que a lista é longa). Mas não tenho certeza se faço isso… ainda vou pensar. Tem restaurante de nome, caro, que é uma bomba, e tem outros mais acessíveis, nem tão conhecidos, que são excelentes!

    • Acho que, de um modo geral, dou sorte com restaurantes (ou isso, ou então meu nível de exigência não é lá essas coisas). Normalmente não faço parte da turma que detona, a menos que algo muito sério tenha ocorrido, ou que o problema seja recorrente. Mas faço questão de falar bem de quem trabalha bem e não poupo elogios, faço a maior propaganda mesmo!

  4. Belo jogo, Mônica, não conhecia…
    Ao ler sobre o tempo de espera em restaurantes, lembrei-me de um, minúsculo e bem popular, onde ia com minha família na minha infância. Não devia ter mais que uns 40 ou 50m2, 4 ou 5 mesas e um movimento insano. O nome oficial era “Flor de S. Victor”, dada a proximidade do Jardim de S. Victor. Mas era conhecido por “Morte Lenta”, óbvia referência ao tempo de espera.
    O jogo teria feito sucesso nesse tempo…
    Bj

    • hahaha, adorei o apelido! Com certeza o jogo teria sido de muita valia! 🙂
      É um jogo bem divertido, ótimo pras crianças treinarem a arte de soletrar, vocabulário, criatividade…
      Tem muito tempo que não jogo, talvez porque o tempo da gente ande assim tão corrido…
      bjk

  5. Monica,
    Isso não é um comentário, é só uma mensagem de um ótimo ano procê e que continue com suas ótimas crônicas.
    Vou me recolher até o dia 10, sem telefone, celular, computador, televisão, jornal, etc. Não, não é uma caverna no paleolítico, é somente o meu sítio, no meio da roça e dos passarinhos, onde tem outras modernidades mais interessantes como cerveja gelada, um piano e muitos dvds para assistir.
    Volto aqui em janeiro, e conto com você pra me atualizar, saber como Tia Dilma entrou em campo, como, e se, Tio Lula saiu, etc. E espero que os engarrafamentos, os xópins cheios e a polêmica nazi-nassif tenham acabado até lá.
    Grande beijo.

    • Wagner,
      isso é que é programa! Meio do mato é tudo de bom e acho que todo mundo deveria ter uma recarregada de baterias assim! Bom descanso e ótimo Ano Novo pra você!
      Estaremos firmes e fortes aqui em janeiro, com Dilma, Luis Inácio e grande elenco, mas sempre tenho a sensação de que tem muito mais coisa interessante acontecendo no mundo pra gente comentar do que os assuntos da Corte… 😉
      Quanto à polêmica na microblogosfera, também espero que tudo se resolva a contento. Eu então, que mooooorro de preguiça de polêmicas e disse-me-disse, só posso dizer Amém! 🙂
      bjk e Happy New Year!!!

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