A lei do menor esforço

Ô gente, mas o cerumano tem jeito não, pois tem? Deixado à sua própria sorte, ele quer mais é que o mundo acabe em gelatina pra poder morrer na moleza. Qualquer coisinha que significar esforço de menos e conforto de mais tá valendo e é super bem vinda. É claro que isso resultou em grandes avanços ao longo dos séculos, avião, máquina de lavar, telefone e tals, mas tem hora que a gente exagera na dose e acredita nas coisas mais incríveis: que é possível aprender um idioma estrangeiro colocando um gravadorzinho debaixo do travesseiro durante a noite, que dá pra ter uma barriga de tanquinho usando uma geringonça debaixo da roupa por 15 minutinhos enquanto se esparrama na frente da TV, que aquele creme milagroso (e não o Photoshop) é mesmo responsável pelo rejuvenescimento espetacular do rosto da moça do comercial. Somos um bando de Velhinhas de Taubaté (lembra dela?) em estado latente.

Até que a dura realidade desaba sobre os homens. Uma bela hora o fabricante recebe um puxão de orelhas do Instituto do Consumidor de algum lugar e aí é obrigado a confessar o engodo. Quantos amigos eu tenho que compraram a tal pulseirinha da Power Balance? Eu sei quem são, mas agora vai ser como tentar descobrir eleitor do Collor, ninguém vai admitir que caiu no conto do vigário, essa criança não tem pai. Quantas celebridades foram brindadas com o mimo e colocaram seu nominho e carinha na propaganda, falando das maravilhas do produto, e agora estão aí, com aquela cara de cachorro que caiu da mudança? Um amigo argumentou, ‘mas o Barrichello usa e disse que sentiu a diferença na pista!’ e eu respondi que aquilo era um mau sinal, porque nós na frente da TV assistindo à corrida não tínhamos percebido diferença nenhuma…

Mas é assim mesmo, as pessoas se entusiasmam com frases poderosas. Como duvidar de algo com um nome bacana desses e que, ainda por cima, “contêm embutidos dois hologramas quânticos de Mylar programados com frequências que interagem naturalmente com o campo eletromagnético do corpo humano”? Não faço a mínima ideia do que sejam hologramas quânticos de Mylar, mas já me sentiria infinitamente mais leve, equilibrada, flexível e energizada com uma no pulso controlando meu campo eletromagnético. Os estudos científicos não comprovam a teoria? Hora de abandonar as pesquisas, quem vai duvidar do Luciano Huck?

Pode ser super legal acreditar nessas bobagens, mas até criança uma hora passa a achar Papai Noel e Coelhinho da Páscoa o maior mico. Existe fórmula fácil não, o melhor jeito de emagrecer, melhorar a memória, aprender uma língua e ficar equilibrado e flexível ainda demanda tempo e esforço, não só o de tirar o cartão de crédito da carteira pra pagar por uma coisica qualquer. Como diria um primo, a vida, definitivamente, não é um filme de Doris Day.

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16 respostas em “A lei do menor esforço

  1. Não sei não Mônica…
    Só de pensar em comprar uma dessas pulseiras eu senti que meu equilíbrio quântico interno melhorou muito. Imagine então se eu realmente uso uma delas!…
    Quântico abraço,
    Paulo

    • Pois é, Paulo, o problema é que costuma desequilibrar quanticamente o bolso, sabe, dizem que essa pulseira não é assim tão baratinha… Melhor ficar mesmo na fitinha do Senhor do Bonfim!
      abraços eletromagneticamente equilibrados!

  2. éééééé…que pulseira é essa? o que ela faz? emagrece mesmo ? quanto custa heim?!? hihihihihihi acho que tô porforex!

    • Ah, emagrecer eu acho que não emagrece não, infelizmente… Se bem que, sei lá, vai que alinhando seus campos eletromagnéticos com os hologramas quânticos de Mylar dá até pra perder uns quilinhos, né? Precisamos de mais pesquisas, olha aí uma super brecha no mercado!!! 😀

  3. kkkkkkkkk…. eu conheço um tanto de gente que jura que sentiu a diferença…mesmo com falsificação! Mas os ‘hologramas quânticos de Mylar’ é que são demais… Eu costumo brincar com os meninos que vou calçar os tênis ‘Shape up’ e ficar deitada no sofá a ver televisão a ver se resultam… É cada coisa! O pior é que o da pulseirinha não é nova, eu lembro há muuuuuitos anos de uma de cobre que curava tudo quanto era doença e todo mundo comprou na altura… Cerumano não muda não, só de endereço.
    Bjs,
    Ana

    • Eu me lembro desse bracelete de cobre! Ô gente, e eu aqui, ralando pra ganhar uns trocados! Por que é que eu não coloco a minha imaginação pra funcionar pra valer numa coisa assim??? 🙂

  4. péra aí: o negócio tem “…dois hologramas quânticos de Mylar programados com frequências que interagem naturalmente com o campo eletromagnético do corpo humano”?
    Eu tenho que comprar um negócio desses!

    • E o melhor você não sabe: dizem que os hologramas também lavam, passam, tiram a neve do passeio e trocam fralda de cocô de criança! Tá esperando o quê, fio? Boralá buscar a sua power balance!

      • Eu fui..Sorry to disapoint you…

        Since Mylar® polyester film was invented in the early 1950s, it has been used in a variety of applications that add value to products in virtually all segments of the world. After nearly 50 years, the future still holds great promise for Mylar®. Its excellent balance of properties and extraordinary range of performance capabilities make Mylar® ideal for a broad array of applications in the electrical, electronics, magnetic media, industrial specialty, imaging and graphics, and packaging markets.

  5. Existe o chamado efeito placebo na Medicina, que cura as pessoas que acreditam no remédio, feito de água com açúcar! O poder de sugestão é algo muito eficiente, e a mídia aproveita-se disso para lucrar, felizmente há pessoas como você, que veem através das palavras, para alertar os desavisados.
    Excelente post!
    Bj
    Adri

    • Placebos são importantes, né Adriana, até pra ajudar a testar a eficácia do medicamento que está sendo produzido. E que mãe nunca usou o truque da água com açúcar pro filho não enjoar na estrada? Mas pra ganhar dindin com a história, são necessários estudos que comprovem o que o fabricante afirma. Eu tenho cá comigo que essas explicações muito mirabolantes (hologramas quânticos de Mylar?) só servem pra gente fazer aquela cara de ‘hããã’? Até que demorou pra alguém dar o teco nessa pulseirinha, mas e o tanto de outros produtos que estão por aí, né?
      Obrigada! 🙂
      bjk

  6. Eu nem li todo o texto. Eu fiz o teste com a pulseira do meu cunhado e funcionou. Força eu não sei se almenta, mas equilíbrio melhora SIM! Eu fiz o teste no meu corpo mesmo e fiquei impressionado. Se é ou não é provado científicamente eu não sei, se faz mal a saúde eu também não sei, mas alguma coisa de diferente tem nessas pulseiras. Eu faço capoeira e piloto moto, com ela em uso, fica mais fácil de desenvolver essas atividades. Fiz os testes com a minha irmã, ela é bem magra, ai forcei o braço dela pra baixo ela estando com os dedos das duas mãos entrelaçados uns aos outros e sem muita força ela perdeu o equilíbrio. Depois fizemos o teste com a pulsei e a resistência e equilibrio dela parece ter melhorado de 3 a 4 vezes mais. Não estou mentindo. Estou na net lendo artigos tentando descobrir do que é feito essas pulseiras e se fazem mal a saúde.

    • Eu acho que mal não fazem, Thiago, e o que o pessoal está ‘brigando’ com o pessoal da Power Balance não é por isso. É que, pra afirmar que ela faz isso ou aquilo, não bastam apenas relatos de usuários afirmando, né? São preciso pesquisas, experimentos, análises, essas coisas, antes de se sair por aí alardeando os poderes terapêuticos. Se a empresa anunciou algo que não está ainda cientificamente comprovado, ela não pode fazer essas afirmações, senão corre o risco de ser punida por propaganda enganosa. Concordo com você, ainda existe muita coisa no mundo que a gente desconhece sobre o funcionamento do corpo, principalmente com relação à energia e tal, mas o que pegou no caso da Power Balance foi o fabricante ter afirmado algo que não estava ainda comprovado. E é essa segurança que o consumidor tem. Tanto assim, que a própria empresa voltou atrás e admitiu o erro.
      Mas é legal ver que ela funcionou pra você, pelo motivo que for!

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