A favorita

Esta é aquela música que está na minha cabeça desde 1978 (ela é de 1977), quando a ouvi pela primeira vez. Nem sei se eu posso dizer que é a minha favorita, porque 700 CDs, mais sabe-se-lá-quantos DVDs, centenas de discos de vinil e incontáveis gigabytes de mp3 mais tarde, fica quase impossível dizer: é esta. Mas aí eu vejo que Solsbury Hill não sai de perto de mim já faz esse tempo todo, e eu a escuto quase todo dia, e é sempre como se fosse a primeira vez. Pode ser porque ela foi composta nesse 7×4 quebradinho, que te deixa manquitola no último compasso e dá aquela impressão de uma felicidade quase incontida. Ou porque, na verdade, o Peter Gabriel enfia na última hora, na última frase de cada estrofe, um compasso 4×4, só pra te desconcertar.

Também pode ser o arranjo da gravação original, o violão e o bumbo da bateria chegando discretinhos, depois os outros instrumentos e vozes e notas sendo adicionados aos poucos, quando você vê já tem um sonzão. E porque as notas parecem que são as mesmas o tempo todo no acompanhamento, mas não são não, e a gente tem que prestar atenção pra perceber isso. Ou pode ser a voz rouca charmosésima de mr. Gabriel, que eu adoro desde os velhos tempos do Genesis. Talvez seja por causa da letra, a sensação de alívio por chutar o balde e sentir que está fazendo a coisa certa, mesmo quando todo mundo acha que você endoidou de vez (Gabriel escreveu a música logo após deixar o Genesis). Ou quem sabe porque a verdadeira Solsbury Hill já tenha um dia cruzado minha estrada em um distante 1988, a caminho da bela e elegante cidade de Bath.

Deve ser por tudo isso e também porque, no palco, ela funciona que é uma beleza. Adoro este vídeo (da turnê Secret World, de 1993), com os marmanjões saltitando pelo palco e parecendo se divertir horrores. A brilhante performance de Manu Katché na bateria, sofisticando a batida aos pouquinhos, até explodir no final. A entrada precisa de Tony Levin no baixo (se o som do seu computador é bom, ou se você tem fones de ouvido, perceba como o arranjo ganha peso e ‘sustança’ com a entrada do moço em 1’02”). E tem a voz rouca charmosésima de Gabriel, como era em 1977 e como é até hoje, perto de completar 61 anos.
***

Quer cantar junto? A letra está aqui.

Pê-ésse: Sim, Peter Gabriel está parecidíssimo com Mel Gibson nesse vídeo. Felizmente a semelhança é apenas física…

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11 respostas em “A favorita

    • “a minha ingnorança musical (só a musical?! há!) me espanta a cada dia.”
      Rá, cê tá de brincadeira comigo, né moço? Te conheço de pouco, mas sei que isso não é verdade de jeito maneira…
      Eu sou suspeita (suspeitíssima!) pra falar de Peter Gabriel, porque adoro esse ‘senhor’. Gosto, principalmente, da sua curiosidade (olha aí o tudismo!) com artistas e músicas de toda parte do mundo. Ele sempre trabalhou com gente de todos os continentes, gente que faz trabalhos super originais. Sem contar seu ativismo pelos direitos humanos, que (pelo menos pra mim) nunca soou como modismo e ‘vou na onda porque dá ibope’.
      Mas não é isso que é o legal nesse mundo? A gente tá sempre descobrindo coisas que não conhecia! 🙂
      bjk

  1. Depois de ler o seu texto apaixonado é impossível não assistir o vídeo. Não lembrava da música (são tantas coisas incríveis dessa época que cada um guarda um pouco). Maravilha de vídeo, adorei, realmente a performance é super espontânea e alegre. Nota 10 para o vídeo e para sua dica.
    E, só pra registrar, também estive em Bath, antes de você, acho que no pré-cambriano.

    • Wagner,
      é verdade, tem muita coisa boa dessa época, e Peter Gabriel é definitivamente uma delas. Eu adoro a aparente ‘bobeira’ do vídeo, três grandalhões de mais de 40 saltitando pelo palco sem fazerem papel ridículo? E casa direitinho com a mensagem da música, a satisfação por tomar as rédeas da própria vida, mesmo que para isso tenha que abrir mão de um monte de coisas que outras pessoas julgam essencial. Que bom que o vídeo foi do seu agrado também!
      Bath é uma lindeza, né? Quando penso que foi em 1988, caramba, tenho que dar um jeito de voltar. Na época eu tinha 20 e pouquinhos, provavelmente eu veria a cidade com outros olhos agora. Mas aí a gente pensa na listona enoooorme do que ainda não viu, é uma loucura.
      bjk

  2. “My heart goes boom, boom, boom”, rsrsrs… Do Gabriel gosto de várias. Uma das minhas preferidas:

    Das doideras de Gabriel no Genesis (que para mim acabou com a saída dele), Supper’s Ready é inesquecível.

    Mas, como fã de progressivo, tem coisas do Gabriel que não gosto muito.

    E, para aqueles que não gostam de Genesis e adoram Phill Collins, bazinga!

    Ok, há coisas boas do Phill…

    🙂

    • Marcus,
      Mercy Street é lindadimaisdaconta, e eu me lembro sempre de uma coreografia maravilhosa que o MOMIX fez com ela, usando bolas gigantes.
      Concordo com você, não gosto de 100% de tudo que o Gabriel fez e faz; a vantagem é que, o que eu gosto, eu gosto meeeeesmo.
      Amo, por exemplo, estas duas (Here comes the flood)

      e In Your Eyes, que provavelmente está na minha lista de all-time-favourites:

      Mas aí eu penso em Blood of Eden, Don`t Give Up, Sledgehammer, Biko, Come Talk to Me, a trilha de A Última Tentação de Cristo, tudo tão lindo… 🙂

      E sim, tenho ótimas memórias com o Genesis de Phil Collins (se bem que minha preferida deles será sempre The Carpet Crawlers…)

  3. Mônica, essa música é uma excelente dica.
    Sou sincero em dizer que não me lembro dela. Algumas coisas ficam meio nebulosas na memória, enquanto outras são bem nítidas. Gabriel que me desculpe, mas essa ficou nas brumas.
    O vídeo da apresentação é muito legal.
    Fui procurar a versão estúdio na net, e fiquei surpreso com a riqueza de detalhes dos arranjos.
    Já apaixonei!
    Beijos, e até de repente!

    • Eu também tenho dessas, GeGe, de repente alguém me mostra uma coisa que foi super famosa numa época e eu nem me dava conta. Ou apagou da memória, ou então eu estava em um universo paralelo…
      A versão original tá no link no segundo parágrafo do post, caso você queira ouvir de novo. Cada vez que eu ouço, encontro mais uma coisinha. Aí a gente vê quem entende do riscado e quem está apenas tendo seus 15 minutinhos de fama.
      Que bom que gostou, ele tem outras coisas ótimas também.
      bjk!

  4. Mônica, boa noite. Apenas para registrar. Costumo ouvir uma rádio FM de San Francisco, chamada KFOG (www.kfog.com). Só toca rock de nível mundial. Um veradeiro delírio musical para quem é da geração rock’n’roll.
    Ao abrir agora há pouco o “Listen Live”, sabe qual foi a música que entrou?
    Dou meia chance e um doce! eheheh!

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