Instrumentista de uma peça só

Eu nunca toquei violão assim, de verdade. Quer dizer, na adolescência passei por aquela fase inevitável de comprar revistinhas com músicas cifradas pra poder arrasar tanto nas rodas e reuniões com os amigos como sozinha no meu quarto. Foi assim que descobri o som de Sá & Guarabyra, o pessoal do Clube da Esquina, e aprendi a tocar Beatles, os grandes clássicos da Tropicália e do iê-iê-iê.  Como tantos da minha geração, tive a audácia de me meter a tocar pelo menos a introdução de Stairway To Heaven – minhas mais sinceras desculpas a mr. Jimmy Page. Mas, é claro, tudo isso era na base do ouvido e do improviso, meu violão tinha cordas de nylon (as de aço acabavam com meus dedos) que saíam da afinação a cada dois minutos; meu negócio era o piano, violão era território do meu pai e dos meus irmãos.

Mas foi aí que, acreditando que o repertório estava meio incompleto, pedi ao meu pai que me ensinasse uma peça mais bacaninha. Algo que pelo menos desse a impressão de que eu sabia tocar alguma coisa além do ‘quem-quer-pão’. Ele então me ensinou Lágrima, do espanhol Francisco Tárrega, que eu treinei durante dias até ficar algo próximo de decente. Papai dizia que Tárrega era ótimo para causar boa impressão, porque algumas de suas peças pareciam sofisticadíssimas, mas não eram assim tão difíceis de tocar (vai ver foi por isso que a Nokia escolheu a Gran Vals para seu toque de celular…). Hoje, claro, eu nem me arriscaria a tocar Lágrima de novo (provavelmente causaria muitas no seleto público). Mas, pra você ver o que eu já consegui fazer nesta vida once upon a time, aí vai a bela peça, desta vez nas mãos de quem sabe.
***

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7 respostas em “Instrumentista de uma peça só

  1. Nunca toquei Tarrega, mas Stairway to Heaven com certeza. Tocava também Blackbird, dos Beatles, outro must da época. Hoje, além de violonista medíocre, sou pianista de fim de semana. Isso porque meu piano fica no sítio, onde passo os fins de semana, e não tem vizinho pra reclamar. Só quem ouve é minha mulher (que gosta, mas, obviamente, é suspeita) e os hóspedes ocasionais, que são educados.
    De qualquer modo, já dizia Caetano, como é bom poder tocar um instrumento!
    Você podia postar um vídeo seu tocando, hein?

    • Hahaha, o mundo virtual ainda não está preparado para um espetáculo desses, Wagner… Talvez em 2012, na véspera do fim do mundo previsto pelos Maias! 😛

      Eu também toco muito pouco hoje em dia. Quando eu morava numa casa grande era fácil, era só fechar a porta e não incomodava ninguém, mesmo que fosse tarde da noite. Em apartamento é um pouco mais complicado, e meu piano está carecendo de uma boa afinada. Atualmente eu só me arrisco a tocar Beethoven – ele era surdo e provavelmente não vai se importar com o desastre!

      Eu parei de estudar há muito tempo, outro dia peguei uma partitura e me senti uma criança sendo alfabetizada, um horror a leitura! A turma de tocar roquenrôu lá em casa era a dos meus irmãos, eles até tinham uma banda. Eu sempre gostei de ouvir rock, mas pra tocar eu ainda prefiro um bom Bach, um chorinho…

      Falando assim, até parece que eu toco alguma coisa, kkk…

      • Eu consigo catar milho na clave de sol, mas até hoje não entendi porque criaram a clave de fá, quer dizer, não a clave em si, mas porque as notas tinham que ficar em linhas diferente, pô.
        Eu não chego nem perto, infelizmente, dos velhos Sebastião e Ludwig, no máximo arranho um Tom Jobim, e, de preferência, sem ninguém por perto.

    • “Lookin’ for me, Willy Brown???” 🙂
      E como conheço isso, tenho um irmão guitarrista que assistia a essa cena pelo menos umas três vezes ao dia (devia ser recomendação médica, sei lá…). O filme é super divertido e, mesmo não sendo fãzona do Steve Vai, concordo que o moço manda suuuuper bem.
      Mas fica a lição: Bach sempre ganha no final! 😉
      Caramba, o filme é de 1986? Parece que eu vi outro dia mesmo…
      Thanks pela lembrança!

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