Minhas impressões (digitais) sobre o Oscar

Quando o ponto alto de uma noite de cerimônia de premiação do cinema de Roliúde é a presença de um senhor de 94 anos no palco, algo definitivamente não vai bem. Até Kirk Douglas entrar no palco para entregar o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Melissa Leo (que brindou o público com a famosa ‘f*** word’, para desespero dos editores do programa ao vivo), a festança no Kodak Theatre estava uma chatice. Depois que Mr. Spartacus saiu de cena, ela ficou um porre. Inventaram de colocar o casal tão bonitinho, Anne Hathaway e James Franco, como mestres de cerimônia, mas sem um textozinho decente que fosse, tadinhos, daí o resultado foi um festival de bocejos. Deviam fazer do Billy Crystal o host oficial e pronto, pelo menos ele sabe escrever seus textos. Se queriam visual, deviam ter deixado o seolviço com o Hugh Jackman, né, porque James é lindinho, ótimo ator e – dizem – inteligentíssimo, mas naquela noite de domingo o moço tinha a expressividade de um porta-lápis, acho que estava ali de favor. O casal é fofo e tal mas, a continuar assim, ano que vem vão colocar o Justin Bieber e a Hannah Montana comandando o espetáculo, olha que medo.

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Os organizadores precisam aprender: SEMPRE convidem a Cher. Ela causa. Mau gosto com estilo é com ela mesmo, Helena Bonham-Carter bem que podia aprender como se faz – mas antes ela precisa comprar um pescoço (sério, gente, o que foi feito do pescoço da Helena Bonham-Carter, ela perdeu na infância?). Daí que desta vez estavam todas as moças e senhôuras bem vestidas e comportadas, umas jecuras de praxe, mas nada que saltasse aos olhos e nos fizesse pensar ‘meu Deus, mas essa mulher não tem espelho em casa?’. Uma lástima.

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E faltou barraco também, né minha gente? São os tempos da finesse de Barack Obama, ninguém mais quer enviar índio pra receber prêmio, denunciar a violência no Tibet, falar sobre os prisioneiros em Guantánamo ou simplesmente xingar o presidente. No máximo, o diretor do documentário Inside Job (que levou a estatueta no lugar do nosso Lixo) pediu desculpas (céus, pediu desculpas!) por começar seu discurso de agradecimento dizendo que, 3 anos depois do estouro da crise nos EUA, nenhum dos responsáveis estava atrás das grades. Vem pras bandas de cá, meu querido, que aqui a pizza é na base do rodízio…

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Mas Colin venceu, né, e isso valeu o tédio que foi a cerimônia. E eu ouvi Colin SEM a tradução de Rubens Ewald Filho e daquela tradutora de voz de quem estava meio constipada, cadê o vicquivaporúbi que ninguém se lembrou de arrumar pra ela, coitada? Porque, né, nunca mais acredito em vendedor de loja que me diz ‘a TV tem tecla SAP sim, ó, tá aqui no manual’. Na próxima, mando o moço ligar tudo ali mesmo e me mostrar. Aguentar as piadas traduzidas pela metade e a verborragia do Rubens, que quer porque quer exibir seus conhecimentos infinitos sobre a sétima arte, é só pra quem tem bravura indômita. Então, um viva à banda larga e ao video streaming, amém.

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No fim das contas, salvou-me a moçada se divertindo no Twitter, as companhias agradáveis com comentários pertinentes. Porque, serião, dessa vez a cerimônia do Oscar teve a emoção de uma partida de xadrez transmitida pelo rádio.

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17 respostas em “Minhas impressões (digitais) sobre o Oscar

  1. Fiquei com dó da Anne Hathaway, tendo que segurar sozinha o andamento da cerimônia (e ainda arrumar tempo para vestir um milhão de modelitos). Sim, porque o James Franco tava com cara de sono (ou com cara de que fumava um sempre que conseguia uma brecha). Ele, assim como eu, mal conseguia manter os olhos abertos durante o festival de bocejos que foi esse Oscar. Concordo com tudo o que foi dito, tomara que ano que vem adotem o politicamente incorreto de novo, porque este ano foi phoddaa!

    • Pois é, a Anne no maior gás e o James lá, naquela pasmaceira. Francamente… 🙂
      O Billy Crystal, definitivamente, faz falta. E olha que nem sou tão fã assim dele!

  2. Achei a Annie muito mais espotânea que o parceiro dela, e eu nunca tinha reparado que ele tinha um sotaque tão caipira.
    Piadas fracas, roupas contidas, maquiagem nude: essa cerimônia foi de uma falta de sal exemplar.

    • Divertido mesmo, só nós assuntando no twitter… 🙂
      Ano que vem eles vão ter que dar uma sacudida na programação, do contrário a cerimônia vai ter que passar pro horário da tarde!

  3. Mônica,
    bem fiz eu que parei de assistir na hora em que a vencedora de coadjuvante, Melissa Leo, começou com aquela representação de surpresa, que não me convenceu de jeito nenhum! Muito engraçadinha para meu gosto! Fui ver o resultado na internete no dia seguinte e vi que realmente não perdi nada, principalmente porque eu já sabia que o Colin Firth ia ganhar!
    Continua tudo muito “kit”, cafona!

    • Chris, acho que o problema foi que desta vez a festa não foi brega e kitsch o suficiente! 😀 As moças comportadas, vestidos vermelhos, nude, um azulão no estilo Kate Middleton (já que a sogrona não tá mais no pedaço, a futura rainha deve ditar cores e modelitos d’agora pra frente), discursos sonolentos, números chatos, textos enfadonhos… Se não fosse a expectativa de ver Colin subir ao palco pra dizer ‘Sânkiu Sânkiu Sânkiu’, nada disso valeria o esforço.
      Espero que eles voltem diconforça à verdadeira cafonice no ano que vem, pra gente jogar pedra e rir direito.
      bjk

  4. Há que admirar quem fica acordado até tão tarde pra ver o dito programa, ainda por cima quando no dia seguinte é dia de trabalho… mas, no final das contas, acertei no melhor actor; do meu ponto de vista, o melhor já há muito tempo, desde o Mr. Darcy de Orgulho e Preconceito da BBC.
    Adorei a sua crónica!
    Beijos,
    Ana

    • Meniiiina, Colin Firth é O mr Darcy, né? Já vem com a cara de enfado de fábrica! Absolutamente perfeito, era uma questão de tempo pra ele levar uma estatueta (ano passado ele já tinha sido genial). Aqui a festa vai até uma e pouco da manhã, então de vez em quando dá pra encarar. Este ano é que foi dureza.
      ‘Brigada! 🙂
      bjk

    • Foi assim, ó, os dois chegaram, apresentaram um tanto de gente, alguns desses tantos foram lá pro palco agradecer e mandar beijo pra mamãe, papai, minha vó e a Xuxa, aí uns cantaram, outros dançaram, e acabou! 🙂

  5. Mônica,
    agora eu tenho certeza que esta canhestra e macabra reunião de egos aconteceu mesmo Nuzistêitis.
    Explicação mais sucinta nem no twitter.
    Beijos,
    Stélio

    Twitter se escreve assim ou abusei da quantidade de tês?

    • Stélio,
      os ‘tês’ estão certinhos, são três. Diga ‘três tês’ várias vezes sem parar e eis aí um ótimo trava-línguas! 🙂
      Acho macabra não, eu me divirto tanto! Por isso fiquei tristinha dessa vez, estava tudo normal demais. Não é só questão de ser Nuzistêitis, que lá a gente encontra de tudo um pouco iscrusive gente muito chique e bacana. É que é Los Angeles. E Roliúde. Aí não tem pra ninguém!!! 😀

  6. Não vi o Oscar, aqui no navio o tempo é curto para muito trabalho. Mas sim, de qualquer forma, lamentei não poder estar no twitter para rir com a criatividade e o bom humor dos comentaristas tuiteiros! Pena…

    Quanto ao Oscar em si, já faz tempo que deixei de acreditar que tal evento premie realmente os melhores. Vários exemplos disso já desfilaram por ali.

    Pena, o que antes era uma referência para o cinema agora virou desfile de moda e de celebridades. 😦

    • Marcus, eu também nunca levei o Oscar a sério não, sempre achei que era uma festa de comadres, né, o pessoal ‘se premiando-se uns aos outros…’

      Um festival de Cannes ou Berlim, com filmes do mundo inteiro, pra mim tem muito mais representatividade, e além de tudo tem prêmio da crítica e do público. Oscar é festa de Hollywood, é só mesmo pra gente se divertir. Pena que desta vez não deu pra fazer nem isso. Só mesmo a galera no Twitter pra animar as coisas! 🙂

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