Não notou nada diferente?

“- Nossa, benhêêê… Você não tá notando nada diferente em mim não?”

Fala a verdade: se você é homem, esse é o seu momento de pânico, aquele em que as luzes vermelhas de alerta começam a piscar no seu cérebro, a sirene de perigo iminente dispara enquanto aquela voz lá no fundo diz calmamente ’30 segundos para a destruição total’. Mais cedo ou mais tarde você vai ter que enfrentar esse desafio de um milhão de dólares.  Você dá aquela escaneada preliminar na patroa pra ver se alguma coisa muito óbvia escapou aos seus olhos. Nada. Qual será a resposta correta? 

Com poucas e honrosas exceções, sinto dizer-lhes que esta é uma batalha perdida. Vocês nunca sabem a resposta correta. Como poderiam? Os homens só enxergam as dezesseis cores default do Windows, não vão saber nunca que o cabelo dela está mais claro só um tom. Jamais imaginariam que ela fez luzes porque, pra vocês, luzes são aquelas coisas que iluminam a sala e os quartos. Henna é aquele bichinho que puxa o trenó do Papai Noel. Babyliss, chapinha e escova progressiva são conceitos mais obscuros do que os da teoria da física quântica. Você nem sonha que o cabelo dela está três dedos mais curto e que agora a franja está repicada. Tarde demais.

É mais ou menos como aquele jogo dos 7 erros: as unhas dela antes estavam arredondadas, agora estão francesinha. E isso se forem verdadeiras e não de porcelana. O cabelo estava partido de lado, agora está partido no meio. Rá!, as sobrancelhas talvez estejam um pouco mais finas, para suavizar o rosto. Quem sabe é alguma coisa na roupa, mas esse é um território para avançar com muito cuidado – dizer que essa blusa é nova, quando ela já a vestiu pelo menos duas vezes e você nem notou, pode ser o seu fim. Mas achar que já a viu com esse vestido antes, quando na verdade este é salmão, o outro é pêssego e tem um decote em V, não em canoa (e você aí achando que salmão é peixe, pêssego é fruta, V é letra e canoa é barco…) pode ser fatal.

No final das contas, é uma lástima que vocês saibam a escalação completa do Sampaio Corrêa e consigam identificar imediatamente as diferenças na lanterna traseira do carro X, modelo 2011 versus modelo 2010, mas sejam incapazes de notar os sapatos novos ou a bolsa ma-ra-vi-lho-sa que estava na vitrine por um preço inacreditável. Mas a gente sabe que vocês desconhecem o fato de haver pelo menos 587 tons diferentes de esmaltes e batons à venda. Que ouvir dizer que nude está na moda não significa que agora todo mundo pode andar pelado na rua. A gente reclama da falta de poder de observação, do tanto-faz, do não saber a resposta certa para a pergunta básica “você acha que essa roupa me deixa gorda?”, mas o problema é que nós não conseguimos parar. É que é sempre muito divertido ver a expressão de pânico em estado bruto quando a gente pergunta na maior inocência: “O que você achou dessa pashmina?”

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24 respostas em “Não notou nada diferente?

    • Max,
      a maldade pode ser pura ou com gelo e limão!
      Haha, vocês estavam achando que podiam ter o monopólio do controle remoto sem esperar qualquer contra-ataque??? 😛

  1. Perfeito, Monica, vivo semanalmente esse pânico (digo semanalmente porque só encontro a patroa nos fins de semana, moramos em cidades diferentes). As vezes consigo me safar, quando percebo alguma coisa (raro), ou quando lembro de elogiar o cabelo, o vestido, qualquer coisa (de modo geral um elogio bem feito supera o erro, principalmente acompanhado de um carinho).

    Agora, já que você sabe direitinho do nosso desespero, porque não dá umas dicas pra gente??

    Ótimo texto!!!!!!!!!!!!

    • Olha, Wagner, elogios já fazem maravilhas. Aliás, acho que elogio, quando sincero, é ótimo de se ouvir, independente de ser mulher ou homem, né mesmo? E o carinho, claro, “acrescenta aquele plus a mais a nível de bônus extra”! 🙂
      Meu conselho é… relaxa! No fundo, o mais legal é sermos todos bem diferentes. A vida fica mais emocionante, certo?
      ‘Brigada! 🙂

    • Facas devidamente escondidas pode ser uma boa medida quando ‘the beast is catching’- o bicho tá pegando!
      Acho que não tem muito jeito de se safar da situação, vocês estão perdidos nessa. E gente não vem com manual, né, então é meio na base da tentativa e erro – com sorte, tentativa e acerto.
      Mas ó, até que a gente é facinha de agradar… 😉

  2. É mesmo….concordo…a gente é facinha, facinha de agradar. Mas para ajudar a ala masculina aí, lá vai uma dica: tome a iniciativa VOCÊ. Eu explico: marcaram um encontro? vão a uma festa, jantar ou qualquer evento que mereça uma produçãozinha qualquer? ela foi ao salão? Quando a mulher aparecer na sua frente….elogie (mas, como disse a Mônica, seja sincero…o que não vai ser difícil porque nessas horas geralmente a produção faz diferença)
    Faça você a pergunta: Nossa, o que que você fez, tá diferente…..ou …. linda, cheirosa, hummmmmm, gostosa…….e por aí vai.
    Se a roupa não agradou, não diga que tá feio, horrível, que deixa ela gorda. Diga: aquela blusa preta te deixa linda, o vestido lilás fica melhor em você……rssss
    Que trabalheira né? Mas a gente merece, nénão?

    Beijim procê, Mônica.

    • Hahaha, nada pra deixar a gente mais arrasada do que ter aquela trabalheira toda na produção, horas no salão, conferências ‘cazamigas’ pra decidir o modelito, aí chegar linda e poderosa na frente do moço, ele te olhar de cima a baixo e perguntar: ‘Pegou a chave do carro?’ 😀
      Gente dá uma trabalheira louca, né Cris…
      bjk

  3. Mônica,
    inclua-me fora desta!
    Jamais criarei provas contra minha pessoa.
    Para este tipo de pergunta eu só dou resposta através do meu “adevogado” e em juízo.
    Cê besta, sô!

    Beijim,

    Stélio

  4. Muito bom, Monica!
    Acho que uma alternativa é ter algumas frases preparadas, para depois de ela revelar o que está diferente, tipo: “Mas era justamente isso que eu ia dizer agora!”
    Ou, melhor ainda, ficar enrolando: “Ah, você tá brincando que acha que eu não notei!” E aproveitar pra fazer cara feia e virar o jogo: “Caramba, me ofende assim… Vou até lá no boteco tomar uma com o Zeca, pra esquecer essa ofensa.”
    Porque, se ficar enrolando, a mulher acaba falando… Vocês não se contêm!

    • haha, é verdade, Daniel, a gente não dá conta de ficar quieta! 😀
      Já as frases prontas, cuidado! Se soar ensaiado, pode dar mais encrenca… Enfim, relacionamento é mesmo uma aventura, a gente nunca sabe o que vai dar certo ou errado!

  5. Monica
    Quem diria que uma pergunta de centos anos e uma frase ‘tão displicentemente jogada no final’: “…qd a gente pergunta na maior inocência…”, fosse ter tantos argumentos em defesa própria!!!
    Menina… e todos vcs aqui presentes, foi ótimo!!!
    Seu texto, Mônica, foi inteligentemente descontraído, bem escrito e os comentários? fiquei esperando em que ia dar. Qd eu pensava que tinha terminado – o quêeee?
    – Vez em quando é muito bom, um papo assim, parece que estamos numa grande sala de um baita apartamento “conzamigos”, (sem a lincença do “copirait”), tomando um vinho, chopp, alguns canapés ou pipocas e almofadas no chão prá tudo que é lado! Uma musiquinha incidental levinha e agradável! Muito gostosa a festinha! Qd vai ser a próxima?

    • E é assim mesmo que eu me sinto aqui no blog, Vanilda, batendo papo cozamigos! 🙂
      Engraçado, mas são poucos os comentaristas que eu conheço ao vivo e a cores, quase todo mundo hoje é meu amigo de infância sem eu nunca ter encontrado, não é o máximo? Coisas do universo virtual…
      Pois é, o post foi inspirado num papo com uma aluna, ela tinha clareado os cabelos e o namorado nem notou – e olha que estava bem diferente. Aí a gente começou a falar sobre como os homens simplesmente não prestam atenção nessas coisas (é, mas coloca uma saia mais curta ou um decote mais ousado pra ver o que acontece, kkkk); dali pra virar um texto foi um pulo!
      Aqui a festa não pára!!! 😉

  6. Monica,
    o tema de simplicidade, tomou o rumo certo: “questionar e lembrar (TODOS OS DIAS, heim rapazes!)” – perceber… é para valorizar ou corrigir – em qualquer dos casos os benefícios são mútuos, senão abrangentes, no caso, aqui! Foi prestado um bom serviço sócio-comportamental. Legal é que isto foi feito de uma forma divertida!
    Realmente, se a mudança não for sutil (o que não significa que não seja importante!) ora… desde que vc faz algo por si mesma e tb para homenagear a quem vc ama, é muito válido, afinal conversamos sobre tudo (e sem sobretudos, senão faz calor e fica pesado!), a vida não é só ‘filosofar, mergulhar no cerumano’ tudo tem sua necessidade e valor!
    Sim, sim, sim, se ousar… é bom parar por aqui!
    Aaaah, agora não esquecerei como se escreve ‘cozamigos’…
    Abração.

  7. Pingback: Uma Crônica Sobre a Atenção Seletiva Masculina « Homens Modernos

    • hahaha, é verdade. A gente tá mais praquele esquema de ‘mentiras sinceras me interessam’, sabe como? Ou então falar com jeito, tipo ‘esse vestido é bacana, mas aquele outro que você usou no dia tal te deixa ainda mais bonita’, ou algo do gênero. Criatividade, rapazes, criatividade! Eu fui criada no meio de homens (irmãos, primos e amigos deles), eu sei o quão criativos vocês podem ser para certas coisas… 😉

  8. Olha, sou um homem moderno, leio o Blog da Diandra e tudo.

    Adorei o texto e a malvadeza com que foi escrito.

    Concordo plenamente com o texto e acho ele genial.

    Mas o inverso também é verdadeiro, ou você acha que é legal explicar todas as vezes que o aquele homem de preto é o juiz e ele não joga em nenhum time?

    Então, a percepção seletiva é geral! Acontece com todo mundo.

    E deus abençoe as mulheres cruéis.

    Aliás, cada vez mais acho que a crueldade é uma característica feminina…

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