Vai sacudir, vai abalar…

Ela apontou pra porta do quarto de hóspedes e instruiu:
– Olha, não que a gente esteja esperando alguma coisa pros próximos dias mas, qualquer problema, essa porta é sua.
– Minha?
– Isso. Qualquer problema, fique debaixo deste batente.
– Qualquer problema como…
– Um terremoto, oras.

O tom de voz era super tranquilo e natural, típico de quem sabia onde estava. Califórnia tem terremotos, simples assim. Mais pra cima, Oregon e Washington, é território dos vulcões. Ela já estava acostumada. Tá legal, mas eu não. Tinha acabado de chegar a São Francisco e, francamente, sentir a terra sacudir não estava nos meus planos. Claro, prestei a maior atenção e levei as explicações super a sério: o que fazer, o que não fazer, pra onde ir quando o chão parasse de tremer. Mas apelei para o meu anjo da guarda: ‘te vira, amigo, capricha aí no SuperBonder pra segurar essas placas tectônicas no lugar.’

As informações são dadas a quem quer que chegue por ali, mas daquela vez era um pouquinho diferente. Naquele verão de 1990, o terremoto do outubro anterior ainda estava fresquinho na memória. Andando pela cidade, ainda havia o viaduto interditado, as casas tortinhas e igualmente interditadas no distrito de Marina, as conversas com as pessoas que no dia em que a terra chacoalhou estavam a caminho de casa, no trabalho, nas ruas. No mais, uma cidade com o tamanho e movimento de São Francisco parecia absolutamente normal. É que eles estavam preparados.

Foi isso que me impressionou na época e me impressiona mais uma vez com o terremoto no Japão: as pessoas estão preparadas e levam os exercícios a sério. Mesmo quando vem uma tsunami de bônus, e que para ela nem todo o treinamento e preparação tenham sido suficientes. Existem as rotas de fuga claramente sinalizadas. São feitas simulações periódicas em hospitais, escolas, prédios comerciais, shopping centers. As autoridades possuem um plano. Não dá pra prever tudo da maneira que acontece, a força daquelas ondas, o reator prestes a explodir, o navio cargueiro invadindo a avenida. Mas dá pra ter uma ideia e antecipar o máximo possível.

E existe a cultura, claro. O americano gosta de ser prático, o japonês é ordeiro. Não há saques, nenhuma confusão além da já causada pela natureza, existem filas que são respeitadas, os moradores seguem as orientações e colocam em prática o que aprenderam no treinamento. A gente se espanta – até mesmo as manifestações de dor e desespero são calmas e contidas, isso não deve fazer muito bem pro coração e pra alma, mas manter um senso de propósito pode ser importante nessas horas.

E por aqui? Aqui todo verão tem chuvas torrenciais, tem deslizamento de terra, queda de barreiras nas estradas. Todo ano os estudos mostram o que precisa ser feito, todo ano o poder público toma medidas mínimas, vem a imprensa e faz aquele escarcéu depois que a tragédia está ali, bem na frente, mas se cala nos intervalos. Os bombeiros e a Defesa Civil conseguem fazer o impossível, eles estão treinados, mas ninguém se lembrou de treinar a população.

Alguém brincou no twitter que os japoneses vão reconstruir o país inteiro antes que o Brasil consiga terminar seus estádios para a Copa de 2014. Vendo como as coisas são feitas por lá e por aqui, olha, eu não duvido nadinha.

Anúncios

24 respostas em “Vai sacudir, vai abalar…

  1. Depois que tive contato com a cultura japonesa, com os colegas do curso, dá uma tristeza ver pessoas tão centradas, tão ponderadas, diria evoluídas (pq não?), passarem por mais uma catástrofe.
    E essa ainda abalará o mundo todo.
    Nós? Nós sentamos e assistimos a tsunami passar, se nem com nossos problemas (28 mil desalojados no sul, confere?) sabemos lidar.
    2014 taí pra a gente ver o Japão reerguido e o Brasil pagando mico.

    Bjs!

    • Essas tragédias são duras de engolir, né Eve, e quando a gente pensa que o Haiti ainda está um caos, mais de ano depois de seu terremoto… Claro, tem a questão do dinheiro, Japão tem, Haiti não tem, mas tem também a questão do bom uso dele, da educação, do acreditar que a gente tem que dar uma mão pras coisas acontecerem direito. Não duvido nem por um segundo da capacidade do japonês se reerguer. Dureza é ver as coisas por aqui continuarem a ‘lesma lerda’…
      bjk

  2. Pois é, somos da cultura do “esperar-pra-ver”, quando o problema aparecer, a gente vê o que faz. Pra quê se adiantar aos acontecimentos, se preparar para os imprevistos, se planejar contra as intempéries? Ficar nervoso antes da hora, gastar dinheiro à toa? Bobagem. Não faz bem à saúde contar com o pior, afinal Deus é brasileiro. Basta rezar direitinho pra Ele, que Ele garante que nossa casa não vai ser inundada ou destruída por uma enchente, que não vamos morrer soterrados por um deslizamento de terra ou em um acidente causado por um motorista bêbado e imprudente ou por uma estrada em situação de penúria.

    Deixa pra se desesperar quando acontecer, mas ó, vai acontecer não, bobo! Nesse “carnaval” sem fim, sejamos foliões eternos do bloco “Bobo Alegre” ou do “Nada Está Tão Ruim Que Não Possa Piorar”. E se for pra ficar reclamando, sai da frente porque atrás vem gente que não tá nem aí.

    • Isso é de tirar do sério, né? Deus é brasileiro sim, e no verão tira férias e vai pra Polinésia descansar, só volta depois do Carnaval pra ver a confusão no quintal de casa. Que muita gente pense que nada vai de ruim vai acontecer, é temerário, mas tudo bem; difícil é ver que o poder público, que obviamente tem que tomar a frente nessas questões, muitas vezes está mais interessado em tirar seus dez por cento das licitações e contratos e autorizar obras nos 45 minutos do segundo tempo, que é pra poder superfaturar. E o privado entra no jogo, claro. Como dizia meu pai, o maior partido do país é o PTB – Povo Toma na Bunda…

  3. Monica
    Estarrecedor. E o que foi dito acima (sobre as medidas preventivas), parece que só nós sabemos! EXCETO as autoridades e cientistas abalizados!

    Aqui as pessoas constroem em terrenos inapropriados, lá existe todo aparato de engenharia para que nas circunstâncias de terremoto, os danos não sejam tamanhos, mas agora a dose foi dupla: terremoto & tsunami… pudera!
    Pode ser que eu diga alguma bobagem mas verifiquemos: o que é o Japão em extensão terrena:

    “um apêndice” entre dois Oceanos. (frágil, vulnerável)

    O perfeccionismo da cultura japonesa em termos do uso de estrutura metálicas e outros materiais para esta defesa é enoooooorme, e muitos, mas muitos outros fatores que sobrecarregam este “filete de extensão terrestre”.
    Além disso, não precisamos ser: geólogos, geógrafos, sismólogos, etc. , para entendermos as transformações evolutivas somadas ao tempo, e o que se sucede abaixo da terra e dos mares, é terrível sim! inexoravelmente! mas é uma soma de fatores natureza-homem e vice e versa!

    Sem dúvida, será reconstruído-afora as perdas humanas-mas há que se ter em vista a moderação desta reconstrução ‘considerando seu território’. Continentes americano e africano não estão livres destas mutações geo-oceanográficas! quanto mais um território diminuto!?
    Meu comentário se restringiu às palavras-chave: dimensão, território, mutações evolutivas naturais.
    Grande abraço a todos!

    • Pois é, Vanilda, e a nossa engenharia também é de ótima qualidade… Mas aqui a fiscalização é falha, as pessoas passam por cima da lei e do bom senso, muitas aprovações seguem critérios no mínimo duvidosos… Nada/Ninguém é perfeito, claro, com certeza existem falhas por lá também. Mas quando a gente vê que a maioria das vítimas foram as da tsunami e não do terremoto em si, e que ainda assim muitos se salvaram, a gente começa a entender as diferenças…
      abraço

  4. Como disse a Eve, acredito tb que o Japão vai se reconstruir antes do Brasil terminar os estadios da copa!

    Vergonha!

    Fiquei impressionado ao saber que não houve nenhum saque, nenhumzinho, enquanto aqui temos pessoas que deveriam supostamente enviar ajuda para as áreas castigadas pelas chuvas desviando… Qnta diferença!!!

    Vergonha²

    • Os desvios feitos por pessoas que deveriam estar ajudando na distribuição de roupas, remédios e comida é das coisas mais horrorosas que a gente já viu, né? É pra ficar sem palavras. Sim, isso acontece em outros lugares. Mas ‘aqui’ não é outros lugares. E existem ‘outros lugares’ onde as pessoas sequer concebem uma atitude dessas. Portanto, é uma questão da gente decidir qual exemplo seguir.

  5. Monica – Compreendi.
    – A questão consciência humana, caráter humano, nestes momentos!
    – Tecnologia “preventiva”, plataformas de segurança, eficácia e rapidez nas medidas de “urgência e emergência” governamentais.
    Até pq em sua cultura, soberania, é algo muito validado e por isto mesmo em algum embate, tomam como propósito de honra e superação, eles não se amiúdam! é verdade!

    “lá existe agilidade sem ágio!!!” resumindo.

    Reconheço, também, como fundamentais.
    Abraços.

    • Como diria o Hugo Chávez – caracas!
      Difícil acreditar. E, no entanto, a gente sabe bem que é verdade, que horror…
      (seu comentário não apareceu automaticamente porque o WordPress, por segurança, segura tudo que vem com link e me pede pra aprovar)
      bjk

  6. Monica, desculpe a divulgação de outro blog assim, voltei pra excluir mas vi que não tem jeito. A intenção não é propaganda, mas de compartilhar. Foi no calor da revolta! Beijo!

    • Lisa, acho que a gente tem mais é que divulgar essas coisas, pras pessoas ficarem atentas! Olha, sei não mas, se existir o tal inferno mesmo, deve ter um lugarzinho todo especial pra gente desse tipo. Que horror. Obrigada por compartilhar o link, quem sabe isso pode alertar mais leitores, né?
      bjk

  7. Monica, ótima reflexão. Parabéns!
    Acho que aqui o problema vai além das autoridades. É mesmo cultural, e a população (nós), que é a principal afetada, também tem culpa pelo que acontece. E muita.
    Políticos e governos corruptos e incompetentes ainda são um reflexo da mentalidade BBB-lóide que domina o Brasil. As exceções (que bom que elas existem) só confirmam a regra.

    • Com certeza, Daniel. Cultura e educação, até pra poder fazer as escolhas certas com relação às autoridades que elegemos. É que tem horas em que a fiscalização e a ‘repressão’- aqui no seu sentido mais amplo e menos negativo – têm que entrar em cena, e isso passa pelas autoridades também. Pelo menos até virar parte da cultura…

  8. Monica
    Gostei de seu texto – e todos os comentários a esse respeito (aqui) foram pertinentes com solidariedade e justeza.
    Por este motivo, transito em seu blog, aprecio td isto!
    Daniel considerei ótimo o seu “BBB-lóide”, não tinha pensado nesta expressão! mas meu raciocínio é de igual forma.
    Corroboro também quando a Monica diz “É que tem horas em que a fiscalização e a ‘repressão’- aqui no seu sentido mais amplo e menos negativo – têm que entrar em cena, e isso passa pelas autoridades também. Pelo menos até virar parte da cultura…”

    Aí! Pelo menos até isto virar parte da cultura é e-xa-ta-men-te – esta sedimentação dos bons valores associados à comprometimento (o de cada um em SUAS DEVIDAS FUNÇÕES, nada mais que isso!), res-pon-sa-bi-li-da-de!!!
    Examinei também: “fiscalização e a ‘repressão’: “aqui no seu SENTIDO MAIS AMPLO E MENOS REPRESSIVO DA PALAVRA” , também incluídos nestas responsabilidades. (Monica desculpe-me o grifo, mas para ser reforçado o “menos repressivo”, não disponho de outros recursos de ênfase de escrita no meio virtual), concordo, e explico adiante!

    Já há muito que vivemos momentos no país em que tudo é… ***intocável***, especialmente qd se trata de educação e áreas em que o poder público para não se posicionar e tomar providências para as necessidades intrínsecas ao tema, CLASSIFICA e TRANSFERE estas responsabilidades ao próprio povo – ou seja, mais fácil colocar no fichário de responsabilidades SUBJETIVAS ou COLETIVAS, mas sempre… aos outros!
    Com isso se isenta sempre de acusações de transgressões de Direitos Humanos – ou… medo!!!

    NADA MAIS É PROIBIDO! então: leia-se – tudo é PERMITIDO!

    E quem disse, que respeito, implica em ‘falta de moderação’? e que para isso não se precisa de disciplina, correção, punição? A aplicação destas medidas são didático-psico-pedagógicas, e paulatinamente vai se formando seres de consciência de limites saudáveis!!! pôxa! gente sã!
    eu não estou dizendo que para educar, precisa-se de regime totalitário e sim: – a autoridade pode ser exercida com firmeza e cautela, somente isto.
    Autoridade não se impõe, se exerce, uma vez e-xer-ci-da, fica mais fácil que o povo não se sinta tolhido! é complexo e delicado falar-se em educação neste nosso país.
    Ahhh, mas isto envolve muito traballho!!!
    Enorme abraço e desculpem a precisão, mas um assunto leva ao outro!

    Lamento as verdades acima, mas essas verdades, são vistas por todos, não há como os responsáves negá-las.
    Desta vez usei palavras-chave: ciências sociais, responsabilidade, educação.
    Grande abraço

    • Se todo mundo usasse a famosa ‘golden rule’, nada disso seria necessário: faça com os outros o que quer que seja feito com você, não faça com os outros o que não quer que seja feito com você. Só que o cerumano não funciona muito dentro dessa lógica não, então a gente carece de um empurrãozinho externo, pra não perder o embalo…

  9. Oi Mônica!

    Recebi um email interessante, sobre a possibilidade dos EUA terem sido os provocadores do terremoto no Japão.
    Seria através de um tal projeto HAARP.

    Procurei na wiki e há suspeitas há anos dessa possibilidade.

    Recebi estes dois vídeos:
    (Tudo bem que o “concerteza”, na legenda, no início do vídeo já desanima…hehehe, mas como não se pode duvidar de nada hoje em dia…)

    • Miniiino, você reapareceu trazido pelas ondas da tsunami? Ô sumiço, hein…
      Olha, eu já escuto essa conversa de Haarp há tempos. Aparentemente, o projeto é responsável pelo terremoto no Japão, pelo furacão Katrina, e também por aquela derrota suspeita do Brasil para a França na Copa de 98. Dizem as más línguas que ele também pode estar por trás da Geisy Arruda (êpa!) no caso da Uniban, da propagação indiscriminada do sertanejo universitário e ainda pelo fato da omelete feita pela Dilma ter quebrado. Esses americanos são bem capazes de malvadezas assim… 🙂
      Agora sério, sem descartar o fato de que existe muita coisa esquisita neste mundo de modêus, terremoto no Japão é pedra cantada, né? Carecia de projeto mirabolante não. Se fizessem um terremoto no Quênia, uma nevasca no Saara ou coisa parecida, até que dava pra eu fazer ‘hhmmm’. De resto, a turma da teoria da conspiração precisa ser mais convincente comigo…
      E, convenhamos, o Hugo não chega a ser exatamente uma fonte segura. Eu acho que, se existem dados concretos, suspeitas bem fundamentadas, histórias muito mal explicadas, elas têm mais é que vir à tona. De resto, acho que essas teorias carecem de ‘sustança’.
      bjk e some não!

  10. Em tempo: palavras-chave: ciências sociais, política, responsabilidade, educação.

    Em tempo também: O JN de 15/03/2011 (ontem) suas explicações científicas e de utilidade pública, se fizeram muuuito necessárias, para complementar e fechar o assunto com todas as perspectivas esclarecidas, o que acho bom. Foi uma reportagem-documentário!
    Contudo, pelo menos para um pequeno grupo da população brasileira felizmente, em termos de conhecimento, foi apenas uma confirmação!

    Foi dito contudo: “não tem relação com o homem”, único pt quecontrariou em parte o que escrevi – Interagindo: evidente que não, quanto à formação e evolução de fenômenos subterrâneos e que procedem desde a barisfera e… são ‘fenômenos de reverberação’, portanto… não há como contê-los e que com milênios, ocorreu infelizmente!

    Fiz uma referência baseada nas palavras-chave que usei ontem, porque no que concerne a pequena extensão territorial, o que se constrói sobre ela é incompatível com a massa-peso-territorial, imagino como dedução, não como tese, é um “pensamento torto meu”, o que se constroi lá em termos de peso só um país de talvez três vezes maior dimensão suportaria!!!
    Isto significa pela pela física: maior peso, maior pressão vertical para baixo – numa situação dessas…
    Outra vez, grande abraço,

  11. Monica,
    interessante qd eu estava enviando meu EmTempo, quase ao mesmo tp, Cassiano (obrigada!) estava postando o dele. tanto que só o apreciei após terminar meu envio. Ótima a ocasião, pois assisti de imediato!!!
    Vejam só nada mesmo é impossível e neste caso a HEGEMONIA norte-americana, não perde tempo, viram o que eu falei em reverberação, eles demostraram como uma vibração das cordas de um piano.
    Lamentável, Cassiano e Mônica, para todos nós, que se esta possibilidade exista… o ‘homem’ (será mesmo ‘cerumano’?) está sobrepujando e manipulando as forças naturais e o curso da História!!! um HORROR!
    Enorme abraço para vcs.

  12. Monica e Cassiano
    Assisti ao 1o vídeo, o outro, só qd dispuser de tempo.
    Em tudo que acontece, de imediato, coloca-se um clima de mistério envolto na situação, e o vilão no1: EUA. sei não… como disse, eles têm ou acham que têm ‘hegemonia’ e a ‘sindrome de Gulliver’ por sua arrogância, supremacia – isso não existe! sou eu que estou dizendo para discontrair…
    Kisses!

  13. Sempre me lembro do Papai, nos anos 70-80, dizendo que a “solução para o Brasil era declarar guerra ao Japão…. e perder!”.
    Talvez agora seja a vez do Japão fazer o contrário, e esvaziar a ilha, mudar toda a turma pros lados de cá.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s