Experiência polifônica

A gente chega em Inhotim e fica sem saber se está entrando em um museu de arte contemporânea circundado por um jardim de tirar o fôlego de tão lindo ou num jardim botânico maravilhoso com um museu de arte instalado lá dentro. Seja como for, visitar Inhotim é mesmo uma experiência única, mas que a gente não se cansa de repetir. Eu confesso pra você que o que realmente me faz voltar ali tantas vezes é a exuberância dos jardins do Burle Marx, aquela combinação de patas de elefante gigantescas e orquídeas delicadas, lagos, árvores e as montanhas em volta. O caminho (pegando a estrada para o Rio e o desvio em direção a Brumadinho, em vez da feia Fernão Dias) é mais longo, mas milhões de vezes mais bonito – e, raridade por estas bandas, bem sinalizado. Sim, alguns pavilhões são esteticamente belíssimos, as obras de arte misturam-se harmoniosamente aos jardins e são, no mínimo, instigantes de se ver, mas pra mim nada se compara à beleza que a própria natureza nos proporciona.

Curiosamente, para um museu tão visual, a minha instalação favorita é esta aí embaixo, Forty Part Motet, da artista canadense Janet Cardiff. A sensação de ficar sentada ali no meio para escutar as quarenta vozes entoando Spem in Alium, de Thomas Tallis, ou então sair caminhando pelo salão para ouvir cada voz individualmente (são oito coros de cinco vozes) é indescritível. É como se saíssemos da plateia para conhecer a peça pelo ponto de vista dos cantores. A gente entra no salão pra ouvir só um pouquinho, mas daí é catapultado para o século XVI e só consegue fazer meia volta quase quinze minutos depois. Clique aqui pra você ver como é, já que o YouTube não me deixou subir o vídeo. Lindimaisdaconta.
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foto daqui

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5 respostas em “Experiência polifônica

  1. Já tinha visto algo que vc postou, é uma MARAVILHA
    sem dúvida, é de não querer sair mais daí! e hoje, já indiquei a leitura e possível viagem a algumas pessoas!
    Abração

  2. Para Monica (I)
    quando li a crônica, visitei o site do museu, me senti diferente, imagino – o sentir – lá!

    Veja o que disse Paulo Freire, e tenho observado aqui: “… A mudança do mundo implica na dialetização entre a ‘denúncia’ da situação desumanizante e o ‘anúncio’ de sua superação; no fundo o nosso sonho.”
    Parabenizo-a pq um dia vc coloca algo instigante, em outro, um refrigério. Assim podemos tecer nossos comentários, diferentes óticas e argumentos que se complementam!

    O vídeo “educar” de Rubem Alves tem a ver com o tema anterior (Intervalo de tempo igual a zero), pq sem tempo não sabemos ou sentimos o sentido de ‘viver’ e também com o de hoje (Experiência polifônica), que se refere a educação dos sentidos – ali (Inhotim) é um pedacinho de Paraíso, com experiências para todos os nossos sentidos! que é justamente a atual pedagogia de Rubem Alves e que é a essência do SER HUMANO. Precisamos de uma pausa para usufruir a vida e da vida! Segundo ele ainda: “Algumas coisas são para serem fruídas, outras para serem usadas e outras ainda há, para que sejam fruídas e usadas.”

  3. Para Monica (II)

    Alves, mostra que a educação depende da percepção, não apenas da conscientização, nos conscientizamos após o sentir, ele se refere “o corpo é o único lugar mágico do mundo”, ´é verdade, a realidade exterior só se nos apodera pela sensibilidade.
    Acrescenta ainda:”se é verdade que sonho sem técnica é impotente, é verdade também que a técnica sem o sonho é burra.”
    “O desejo torna o comando desnecessário. O comando só é necessário quando o desejo está ausente – não é preciso ordenar que as crianças brinquem… que o músico toque… que o poeta escreva… ou que o amante abrace…”
    O que prentendi é que dependemos de tempo e sensibilidade!
    e os dois temas são muito compatíveis com o vídeo. Tem outro mineiro que é verdadeiro brincante com as palavras e sua mensagens maravilhosas… O padre Fábio de Melo, seu mais recente livro “O verso e a cena” também educa pela fruição. O sábio poeta de Mato Grosso, Manoel de Barros!!! aaaah!

    Precisamos da tecnologia, mas não devemos permitir que a vida passe sem Inhotim e outras belezas deste Brasil afora!
    Enorme abraço, divaguei porque seus temas, dão para ir bem mais adiante… a lição é examente para que cheguemos ao prazer e a alegria! isto… você atingiu.

    • Tudo é equilíbrio, e o equilíbrio tá no meio, né?
      Não consigo ficar falando só de problemas, embora eles não costumem largar do nosso pé. Tem gente que dá conta, e até fala muito bem sobre essas coisas. Eu não. Tenho que dar um refresco de vez em quando, pra relaxar. E. afinal de contas, tem muita coisa bacana neste mundo, por que não falar delas??? 🙂

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