Correndo pra ficar parada

Não sei qual das duas eu escutei primeiro: New Year’s Day or Sunday Bloody Sunday, mas o efeito foi o mesmo: que bom, finalmente uma banda de good old rock’n’roll! Os anos 80 começavam numa mistura de ressaca de punk e roquinho de grupos com cabelos esquisitos, maquiagem carregada e ombreiras enormes, muito mais visual do que música, e descobrir o U2 foi um alívio. Além de tudo, eram irlandeses (paixão antiga essa, tá vendo?), não tinha como não gostar. Fui assim, comprando tudo, ouvindo tudo, adorando tudo, até Achtung Baby. Dali pra frente eu ainda gostava, claro, mas a pegada mais pop foi um banho de água fria no meu entusiasmo. Até recentemente, quando a banda voltou às raízes, para meu alívio, e provavelmente de muitos fãs. Mas, sei lá, talvez o roquenrôu seja mesmo aquilo que o John Lennon disse uma vez – é para ser visceral, não é pra passar pelo cérebro – e isso combine mais com a meninada do que com respeitáveis senhores na casa dos 50. De qualquer maneira, acho que ainda é a única grande banda em atividade que realmente me interessa, e é muito bacana ver como o pessoal ainda se entusiasma com Sunday Bloody Sunday, embora desconfie que boa parte não faça a menor ideia do que tenha acontecido no domingo sangrento, nem consiga achar a Irlanda do Norte num mapa. Bem, nem tudo é perfeito.

Falar de música favorita num caso desses é quase impossível, mas sempre me pego voltando a esta aqui, então eu certamente a colocaria no topo da lista. Gosto do ritmo calmo, do arranjo simples para uma melodia idem mas uma letra nem tanto, da entrada da bateria só na terceira estrofe, da voz sempre meio chorosa do Bono, da harmônica no final. No original, então, é ainda mais linda. Custo a acreditar que os moços a tenham deixado como última faixa do cd.

(um agradecimento especial à UMG, que fica amarrando mixaria pra chegado e não deixa a gente postar o vídeo aqui, só pode assistir no YouTube. Bobos feios chatos.)

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2 respostas em “Correndo pra ficar parada

  1. bão,
    bem na época que eu baixei duas coletâneas enormes dessa turma de irlandeses aí, o Maiconjéquiço morreu.
    E eu ficava ouvindo faixa após faixa após faixa e lendo comentários em jornais e na net sobre como o Maiconjéquiço isso, o Maiconjéquiço aquilo…
    Eu até gosto de Thriller mas, pelamordedeus: dá para comparar a relevância musical de uns e outro?
    (tá bom, vai ter gente discordando, mas #prontofalei…)

    • Max,
      acho difícil comparar artistas, gêneros e tudo o mais, fica meio como querer saber o que é mais importante – arroz ou feijão. O Thriller, pra mim, deu uma sacudida monstra no pop e fez o mundo dos clipes dar um salto gigantesco. O U2 tá noutra esfera, e inclusive deu um teor mais político e engajado ao rock (algo que estava deverasmente enferrujado desde os anos 60) mas pra mim todos dois têm uma super hiper mega trans über influência no mundo da música. Acho que o melhor do U2 ficou pra trás, nos anos 80 e começo dos 90, hoje eles se atualizaram e tal, mas musicalmente não tenho visto nada assim de tão especial. É, de longe, a minha banda favorita em atividade e uma das prediletas ever, tenho quase tudo em áudio e várias em vídeo.
      Mas é preferência mesmo, gente é que nem sorvete, tem de diversas qualidades, diria o sêo Pedro, meu avô.

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